Gerlandy Leão

Minha cadela deu cria em véspera do dia das mães. Confesso que não é uma cena agradável de se ver. Ela teve uma gravidez fácil e manteve o corpitcho enxuto, e foi exatamente por isso que fui surpreendida no meio daquela tarde. Estava meio tristonha e procurando um lugar pra ficar. Nem me toquei quando percebi que  ela não quis o almoço e ainda vivia invadindo meu quarto. “Pichuleta! Saia já daqui”, mas ela não queria sair tão facilmente debaixo da minha cama. Depois de vários gritos em cima dela,  resolve se retirar com um filhote pendurado. Eu havia interrompido o nascimento do seu filhinho. Óbvio que sensível como eu sou, aquela cena me chocou e simplesmente não sabia o que fazer.  Pensei ver  um aborto espontâneo.

Entre choros e gritos, minha irmã chega da rua e me acode (a mim, porque eu estava nervosa), enquanto nossa cadelinha  dava um show de segurança. Nascido o primeiro filho, minha irmã resolve me deixar sozinha mais uma vez . Burrice nossa, uma cadela não dá a luz a um só  apesar da barriga pequena. E lá vem a cadela desesperada enquanto os dois filhotes gritavam também. “O que é Pichuleta? Vai cuidar dos teus filhos” . Sei que ela tava tentando e  a via com um carinho todo especial beijando os filhotes, mas ao mesmo tempo sentia seu desespero. Essa cadela me deu trabalho, gritava e subia em cima de mim com um olhar de dor. No meio do desespero ligo para a louca da minha irmã aos berros: “ela vai morrer, ela ta sofrendo” e a insensível tenta me confortar: “ela sabe o que fazer”. Sei, elas sempre sabem o que fazer, mas parecia não entender o que a natureza fazia com ela e eu muito menos. Em vez de lhe dá a mão , apenas chorava e ligava para minha mãe e a desnaturada de minha irmã. No final das contas ela teve 6 filhinhos lindos. Até hoje estou chocada com aquela imagem de dor.

Agora, no mês de maio que homenageia as mães, apesar de ter passado o segundo domingo de maio, fico pensando sobre a maternidade. Ontem estive em uma programação da igreja em homenagens às mães e achei algo curioso. Muitas canções, frases e homenagens diversas se limitam a agradecer à Mãe pelo sangue, por carregar na barriga. E fiquei pensando como é equivocado. Para mim o espírito materno não está em carregar criança no ventre. Lembrei na hora da minha cadela e como senti medo mesmo de dá cria a um ser. Lembro da dor que  ela sentiu e imagino o quanto deve ter sido traumático no entanto ela não  tem sido atenciosa e fica fugindo dos pirralhos. Prefere dormir longe deles, talvez por isso seus cãezinhos  tenham falecido . A coitada ta magra e sem força de cuidar deles. Às vezes a admiro pela força que teve na hora de parir, outra hora eu não entendo porque ela não se mostra uma mãe mais atenciosa. E é por isso que fico pensando na maternidade e não cultuo esse lance de “sou sangue do seu sangue”.

Posso até parecer desnaturada, mas esse espírito materno não me encanta  apesar de achar a   gravidez muito bonita. Penso em ser mãe, mas não necessariamente em carregar alguém em mim. Penso nas possíveis desvantagens de se carregar uma barriga. Estava dando uma zapeada na net no álbum de algumas conhecidas grávidas e poucas conseguem se manter belas. E posso parecer insensível e/ou fútil (os que me conhecem sabem que não sou), mas 9 meses de gravidez implica pelo menos 3 retoques a menos da minha raiz, mais os meses que amamentarei, querendo ou não isso vai mexer sim na minha auto-estima. E o incômodo de levar aquele barrigão para cima e para baixo. Apesar de errado adoro dormir de bruço, onde colocaria o bucho quando estivesse deitada?

Confesso que se eu descobrisse hoje que não herdei os genes da Dona que  convivo há 27 (ou seja, minha deusa, minha rainha, minha linda mãezinha), eu não morreria. Ouço falar da importância do ventre, dos cuidados na barriga dentre outros, mas minha lembrança mesmo (e olha que minha memória é ótima) é de quando era criança. Não consigo lembrar de está mergulhada em algum lugar especial onde era alimentada ou ouvir alguma musiquinha. Recordo mesmo das brincadeiras, dos cuidados.

Meu instinto materno está mais em cuidar do que contribuir com genes. Aos que me conhecem sabem que não é novidade que tenho uma irmã adotada e que também penso em adotar uma criança depois dos 30 anos. A experiência de ser irmã de alguém que não tem meu sangue foi muito importante , meu amor por ela mesmo não sendo de mãe ultrapassa qualquer relação com o sangue. Quero ser mãe, mas não necessariamente parir, o que não quer dizer que não vá engravidar. Só digo que não é minha prioridade, não estou planejando barriga, mas se um dia me dê na telha que vai me fazer bem engordar um pouco mais e ter umas estrias a mais e sentir um chutinho dentro de mim, talvez eu opte por isso.  Ou se me der uma doida e eu passar a valorizar os genes, talvez faça como a Sarah Jessica Parker e MAthew Broaderick e contrate uma mãe de aluguel. Xi, havia esquecido um detalhe, não tenho a grana que eles têm.

Deve ser por isso então que não resumo a  importância por ser sangue do meu sangue, assim como não resumo a importância do pai por ser doador . Fosse assim  o Bicó que rodeou a Pichuleta por vários dias para conquistá-la e impedi – la de conhecer alguém legal, seria um grande pai e estaria ao seu lado enquanto os filhotes nasciam, no entanto esse cachorro fazendo jus a sua espécie não se deu ao trabalho de tentar saber como ela estava . Ludibriou nossa  inocente cadela e sumiu no mundo. Agora ela se vira, bem que ela poderia ter largado por ai ou ido atrás dele o obrigando a cuidar das crias “toma que o filho é teu”. Mas não faz isso, apesar de assustada e parecer desnaturada, ta levando pouco a pouco.

Ser mãe é muito belo e admiro e aplaudo a todas que levam esse exercício e embelezam a vida.

Gerlandy Leão

aniversario

Maio é um mês muito especial para mim, mas o dia 25 em si não é tão marcante assim. Parece que adiei minha comemoração para o dia 24 desde quando meu irmão nasceu um dia antes deu comemorar um aninho. Depois disso, não tenho lembrança de festejar no dia 25,  nem mesmo meus 15 aninhos, esse foi comemorado um dia antes. REfaço as contas e lembro que muitas pessoas que gosto são desse mês e parece que de tanto comemorar junto com as demais o dia 25 acaba ficando sem graça.  Estou muito feliz, independente do dia 25 me sinto privilegiada pelas pessoas especiais que estão ao meu redor,  lembrando ou não. Este ano não foi diferente, acabei comemorando alguns dias antes da data oficial fazendo algo que eu amo, brincar com as amigas, comer,  dançando entre outras coisas. Tô muito feliz mesmo.

Hoje então é um dia qualquer e já sou feliz. Em todo caso, hoje ganhei uma folguinha em plena segunda-feira e  como não dá p correr para uma farrinha acabei ficando em casa mesmo descansando e vou já sair com a família para comer um bolo, coisa bem leve.

Algumas datas interessantes deste dia segundo o Wikipedia

Gerlandy Leão

Roseana desesperada

Roseana desesperada

Relia O príncipe pela enésima vez quando foi interrompido com a batida na porta de sua biblioteca particular:

- Ela chegou e está chorando.

Friamente fecha o livro e levanta-se em direção a outro compartimento da casa. Enquanto a escuta chorando consegue recordar uma das muitas vezes que a viu reclamando. Em especial, lembrava-se de um evento ocorrido há décadas quando a viu correr aos berros:

- Papaaaaaaaai. Ele roubou, ele tomou , ele levou de mim as bolinhas.

O senhor assusta-se com os gritos da menina e tenta acalmá-la em vão, pois a mesma não parece ouvi-lo: – Eu quero papai, eu quero todas as minhas bolinhas de volta. Depois de muitas lágrimas a garota explica ao pai que perdera todas as bolinhas de gude numa brincadeira na rua. O pai a conforta: – Não se preocupe. Vamos recuperar o que é seu de direito.

Segurando-a firme vai em direção do grupo de meninos que comemoravam a vitória e dividiam entre si a grande quantidade de bolinhas conquistada na brincadeira. Diplomaticamente convida ao grupo que devolva os objetos de sua filha:

- Dela nada. Falou um menino mais esperto. – Nós conseguimos com nosso esforço. Agora é tudo nosso.

Nesse momento a menina que até então observava atenta ao diálogo apenas entre soluços, solta gritos desesperados: – Tá vendo papai? Ta vendo? Eles nunca me devolverão.

O senhor ainda com paciência tenta dialogar com os meninos: – Não estão vendo como deixam minha menina? Eu até ofereceria outros brinquedos a ela, mas sei que não aceitará pois não admite perder.

- Não devolveremos nada. Retruca o garoto. – Ela que chora o que já choramos. Sempre a deixamos ganhar com medo dos seus gritos e porque às vezes ela nos comprava com algumas balas vencidas. Mas isso acabou. Não somos mais bestas. Descobrimos que se tivermos bolinha , poderemos negociar e ganhar muito mais.

Já nessa hora o senhor inquieta-se. Alisa o bigode com a mão esquerda, descendo pela boca até o queixo enquanto pensa em uma solução e propõe:

- Eu posso pagar pelas bolinhas, só quero que…

- Ah! O senhor não entende. Jamais nos renderemos. É interrompido pelo garoto. – A graça está exatamente em vencer a garota. Finalmente percebemos que na rua todos tem condições de brincar por igual sem ceder às suas chantagens.

A menina se aproxima do pai e escuta dele que realmente saiu no prejuízo naquele jogo, pois havia acontecido uma injustiça quando todos se reuniram para derrotá-la. Perplexo, o garoto indaga tentando defendê-los:- Desonestos?!?! Jogamos conforme as regras, mas nossa adversária em comum era a chorona.

- Aí que está meu filho. Isso não é certo. É ilegal e imoral.

-Ilegal? O senhor está esquecido das vezes que jogou ao lado dela e fazia o raspa em toda a rua? Por isso não perdiam uma partida. E os bombons? Esqueceu dos bombons que nos ofereciam? Argumentou o menino.

Parecendo não ouvir o que o garoto dizia, enxuga as lágrimas da garota e a tranqüiliza: – Tá vendo filhota? Eles estão desesperados, mas o papai tem tudo sobre controle. Se eu fosse dono do mundo, dono do mar eu te daria, mas só mando na rua…

- O senhor não é dono da rua. Altera-se o garoto.

O pai entra em casa e sai segurando 2 cachorros enormes , enquanto o funcionário segura outros 2, dirigindo-se até o grupo de meninos: – Passa já as bolinhas ou solto os meus cães. Amedrontado, o grupo tenta proteger-se sem obter sucesso, não vendo alternativa a não ser correr, depois de verem arrancadas de suas mãos o objeto de discórdia.

- Toma filhinha, a justiça finalmente foi feita. E vira-se para a meninada assustada na porta de suas casas: – Ninguém nunca mais brincará na rua, só que não fizeram montinho para vencer a garota guerreira. Isso será impedido pelos meus fiéis cães. Ousem desafiá-los e serão destroçados.

A filha retorna para casa saltitante agradecendo ao pai: – Guerreira papai?

Muitos anos depois ele a vê chorando depois de perder as eleições estaduais. Parecia a mesma garotinha guerreira de sempre que se senta e chora: – Eu perdi papai, perdi.

O senhor, agora velho a abraça e a conforta:

- Filhinha, ainda não sou dono do mundo ou do mar, mas você sabe onde eu mando. Tenho uma quantidade enorme de cães fiéis. Ainda tem dúvidas? A justiça será feita.

A guerreira sorri e agradece.

Observação: qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Gerlandy Leão


Pouco a pouco consigo lembrar, mas é difícil me concentrar em como vim parar aqui ou para onde deva ir. Minha respiração está fraca e me sinto engasgada pelo líquido vindo de dentro para fora. Tem um sabor conhecido, me lembra um alimento que ingeri há pouco. Respiro, ou melhor, tento respirar e o ar me falta. Meus olhos estão quase cerrados , mas luto para mantê-los abertos. Tenho a sensação de que se os fechar será para sempre. Olho ao redor e reconheço um banheiro. Como vim parar aqui? Avisto meu corpo estendido e concluo estar morrendo. Como ainda tenho segundos para pensar? Quero me movimentar e pedir socorro. Que sabor horrível nos meus lábios. Quero gritar, mas não consigo proferir um som. Que sabor horrível. Agora lembro de um barulho. O som desse barulho me incomoda, da mesma forma que esse sabor horrível nos meus lábios. Minha garganta aperta, meu corpo dói. Lembrei da dor, lembrei do barulho. A dor no corpo é devido à queda e aqui fiquei com o corpo jogado no banheiro. Tenho que levantar, mas mal consigo respirar. Ouço passos se aproximando. Será socorro chegando? Abriu a porta e se assusta a me ver. Eu a encaro e não sei por que misturo o sentimento de medo e esperança. Por um momento penso que ela me aliviará a dor. Ela vai me socorrer? Não. Sai gritando. Consigo lembrar algo mais antes da queda. Que sabor terrível, ai meu corpo. Não posso esperar muito tempo aqui, será meu fim. Finalmente consigo levantar meio cambaleante arrastando-me até a sala quando já não resisto e caio novamente, mas dessa vez dói menos. Ela está em cima do sofá gritando e eu me arrependo daquela mordida que trouxe a morte para dentro de mim. Agora o veneno corre nas minhas veias e estoura tudo o que é vida que encontra em mim. Falar em vida, agora entendo essa imensa dor no pé da minha barriga. Em pouco tempo não estarei mais aqui. Não consigo levantar mais os olhos e lá está o vulto embassado gritando com medo de mim. Foi ela que me envenenou por medo de mim. Tudo culpa minha porque não tive medo antes. Só temo pelos filhotes dentro de mim. A essa altura não consigo mantê-los vivos. Não conseguirei nem manter-me viva. Acho que existe um céu. Em breve eu os reencontrarei. Jamais imaginaria que naquele pedaço de queijo havia raticida. Agora estou agonizando e breve estarei morta e ela nem me alivia a dor. Está lá em cima do sofá  enquanto me atormenta mais com seus gritos desesperados. Não consigo lembrar de mais nada, não recordo minha história e ninguém. Onde está o filme no fim da vida? Quem chorará por mim? Só sei que estou aqui, despedindo-me da vida. Estou morrendo, morrendo.

Gerlandy Leão

pessoa suspirando

pessoa suspirando

Chegou dizendo que se sentia como uma pré-adolescente. Na verdade parecia uma personagem saída de algum livro romântico encontrado em bancas de revistas e sebos. Rodopiava e sorria: – Que estranho. Acho que to apaixonada.

A ouvinte acha engraçado: - Por que acha isso?

- Porque estou estranha. Vivo suspirando, cantando e desenhando bobagens por onde passo. Não paro de pensar nele.

- Tá doida? Tá assim desde quando?

- Pouquíssimo tempo.

- ele te ligou?

- hã?

- ele te ligou de volta.

- Não ficamos. Na verdade nosso contato não passa de aperto de mãos ou quando ele pega no meu ombro e poucas palavras trocadas.

- Não to entendendo. Você disse que está apaixonada por alguém que não se relacionou? Quantos anos você tem? Doze?

- Eu sei amiga, é estranho mesmo. Sempre fui racional, mas isso não ta me fazendo mal. Apenas penso nele o tempo todo e isso me faz bem. Deito e penso no rosto dele, quando o vejo sinto uma dor tão forte no peito e meu coração dispara. Minhas mãos tremem e eu pareço uma retardada sem conseguir expressar uma palavra. Mas sinto uma vontade de chegar até ele e abraçá-lo e ficar com ele por muito tempo só para que eu possa sentir o seu cheiro.

- Nossa senhora. E o que tu vai fazer para conquistá-lo?

- eu? Nada. Ele tem namorada, já foi conquistado.

- Namorada?

- Sim. As únicas informações dele que sei é o nome, onde trabalha e que tem uma namorada. Acho que é feliz porque me contagia com seu jeito. As vezes o observo enquanto está ocupado, mas disfarço quando vira pra mim. Gostaria de inventar inúmeras desculpas só para poder vê-lo mais, só que tenho vergonha.

- Você ta retrocedendo. Tem que falar com ele.

- Tá louca? O que eu diria para ele? Eu nem sei te dizer uma qualidade dele para justificar porque o olho. Existem pessoas que eu diria: é bonito, é engraçado, ou é inteligente, ou porque é talentoso, ou é trabalhador, ou isso e aquilo. Dele eu nada sei o que dizer. O que sei é que quando se aproxima da minha pele eu tremo e ele tem o cheiro mais agradável que sinto. Sinto o seu cheiro de longe.

- Então pergunta para ele qual o perfume que ele usa.

- Não viaja. Falo do cheiro, essência dele. Lembra daquele filme Perfume? Pois é, eu sinto isso. O cheiro dele me fascina.

- Mesmo assim, ainda acho que devia dizer a ele que…

- Dizer que to apaixonada pelo cheiro dele?

- Não sei. Diga que quer ele.

- Mas não é isso. Não quero ficar com ele, pelo menos, acho que não e mesmo que quisesse não faria nada . Acho que se eu ficasse iria estragar tudo. Quero que ele seja feliz e não vou fazê-lo feliz. Ele pode casar, ter filhos, ter uma bela família. Não e não. Sei que não conseguiria fazê-lo feliz.

- Está sendo masoquista.

- Não. Estou sendo altruísta. Gosto de gostar dele e de saber que ele está bem. Gosto de pensar na felicidade dele. Gosto de imaginar como seria se ele me quisesse. E imagino nós dois deitados e ele fazendo carinho em mim, imagino nós dois dormindo. Imagino apenas olhando para ele e não dizendo nenhuma palavra. Poderíamos apenas nos comunicar pelas mãos depois de horas de carinho, beijos. Sabe, não consigo imaginar como chegamos a esse ponto, só imagino a gente deitado. É como no vestibular que eu só conseguia imaginar comemorando a aprovação. Queria evitar a prova. Assim é com ele. Imagino-o me beijando o corpo todo e eu querendo que a noite não acabe.

- E deve imaginar fazendo papai e mamãe. Que brega!

- É, eu sei. Por isso gosto de pensar. Se isso acontecesse de fato estragaria tudo. Ele é tão lindo. Não me chamaria atenção se fosse em uma festa. Não tem beleza padrão nem clássica, mas o acho lindo. Acho lindo como ele olha, como sorrir. Ai, estou até imaginando seu rosto agora. Mas o mais forte é o poder que exerce sobre meu olfato e meu tato. Dos meus sentidos preferidos falta o paladar. Falta eu provar o seu sabor.

- Mas será que ele nunca percebeu?

- Acho que não.

- Talvez ele pense que você é muito doida e…

- Talvez ele nunca tenha pensado em mim.

- Oh amiga.

- Não se preocupe. Estou ótima. Já disse o sentimento é meu e eu gosto de gostar dele.

- Mas ele não dá nenhuma atenção a você?

- A gente fala esporadicamente, o que já é suficiente para eu ficar bem. Claro que  preferia poder olhá-lo todo dia. Uma vez ele ficou frente a frente comigo na janela de vidro. Com os braços abertos, me olhou rapidamente e fez até uma brincadeira, algo que não lembro, algo como: “eu queria ter coragem”. Mas não lembro exatamente de suas palavras, as palavras são que menos importam. Atentei-me mais para o seu olhar e os braços na janela. Eu quis levantar da cadeira e dá-lhe um beijo. Ele tem a boca linda, te disse?

- Não

- Pois é. Deve ser uma delícia. Um dia observava fixamente para sua boca e não resisti. Escrevi num pedaço de papel “Tenho vontade de te…”.

- Pensei que tivesse atacado. E o que ele fez?

- Eu atacar? Não me conhece? Sou uma presa com muito orgulho. Ele me pediu para completar, mas eu não consegui. Não insistiu muito e deixou pra lá.

- Que insensível.

- Nem tanto. Uma vez ele me disse que eu estava bonita e eu perguntei: por que? Ele disse que é porque eu não estava com a maquiagem borrada como nos outros dias.

- Insensível, insensível. Se bem que isso é um sinal que pelo menos ele te observa.

- Prefiro não.

- Por que?

- Porque já disse, só quero gostar dele. É minha paixonite platônica, se realizar perde a graça. Você sabe, não vai durar muito, nunca dura tanto. O gostoso é imaginar como seria bom. Eu to feliz, pois adoro o cheiro dele.

Apêndice:

Quando eu era criança/adolescente tive algumas paixões platônicas. Não podia namorar, era muito séria além de ter vergonha devido a síndrome de patinho feio. Quem nunca passou por isso? De deitar pensando em alguém. É uma fase gostosa. Uns trabalham para conquistar, outros  se colocam no lugar de presa e esperam milagres, outros tentam esquecer, outros esperam esquecer, outros apenas curtem o que sentem, nem alimentando nem maltratando. Eu adoraria que eles soubessem que um dia dormi pensando neles e sobrevivi.

Ensaio para o blog

Gerlandy  Leão


- Vem gostosa, vem… Me fala vai, diz que eu sou gostoso.

- Gostoso, meu gostoso.

-Quem é o teu homem?

- É você

- Fala vai, fala sacanagem que eu quero ouvir. Me fala vai, me fale sobre suas fantasias.

- Hã?

- Quero ouvir você falar sobre suas fantasias.

Tenta ignorar e sorrir levemente.

- Por que você ta rindo?

- Ah, por favor não corta o clima. Ta tão gostoso.

- Me fala, por que riu?

- Ah, não. Não faz isso. Eu sorri porque a frase foi engraçada. É estranho você tentar dialogar uma hora dessa. Esqueça isso, me beija.

- Só quero saber sobre suas fantasias.

- É você! Você é minha fantasia.

Para bruscamente e a encara indagando: – Isso é uma fantasia?

Ela ainda empolgada ignora: – Cala boca, me aperta vai.

- Não quero enquanto não me falar a verdade sobre suas fantasias.

- E eu não quero diálogo, eu quero você.

- Não disfarça, todo mundo tem uma fantasia.

- Já disse é você.

- Não pode ser. É a coisa mais sem graça que já ouvi. Você não confia em mim? Não tem noção como é broxante ouvir que a minha gata não tem fantasia.

Pensou que broxante mesmo era ter de ouvir: “Me fale sobre suas fantasias” em hora inapropriada.

- Mas eu não quero conversar, eu quero é…

- Das duas uma: ou você está me escondendo algo, ou é tão sem graça que nem consegue imaginar uma. Não sei o que é pior.

Ela enrola-se no lençol e senta-se à beira da cama enquanto brinca com a sandália no chão. Fica indecisa entre calçar e não calçar, falar e não falar. Mordisca os lábios impedindo que saia uma palavra.

“Fantasias existem várias, mas não consigo pensar muito nisso. Só penso em algo especial que direciono a uma pessoa que não sai da minha mente nos últimos dias. Sei tão pouco dele, mas em meus sonhos ele me quer. Ele é puro, sério e vai se casar. Adoro provoca-lo encarando-o. Gosto de passar perto e saber que ele olha pra mim. Eu o desejo tanto. Imagino que um dia, no intervalo não sei onde, mas em um lugar impossível de sermos vistos nós nos realizaríamos quando nos encontrássemos. Ele pensaria que seria uma mera coincidência aquele lugar, aquele horário, só nós dois e eu usando vestido. Bobinho, tudo milimetricamente armado apenas por mim, pois não é bom ter cúmplices, eles sempre abrem o bico. Olhamos para o lado e percebemos que só tem nós dois. Ele ainda hesita e fala: “Ai meu Deus!” Lembra-se da namorada no estacionamento o aguardando para o almoço. Ele tem medo e eu lhe cito a Bíblia: “Os covardes não herdarão o reino dos céus.” Não é covarde e me ataca jogando-me contra a parede levantando o meu vestido. Sustenta-me segurando minha bunda com suas mãos e deixando minhas pernas penduradas ao encaixar minhas coxas em seu corpo para que eu não caia. Beija-me o pescoço e olha mais uma vez para o lado certificando não haver ninguém. Afasta a minha calcinha e me encara removendo a mecha de cabelo caída no meu rosto para que possa fitar no fundo dos meus olhos. Encosto minha cabeça em seu ombro enquanto solto gemidos que depois serão abafados por sua boca deliciosa. Propositalmente tento morder-lhe os lábios, propositalmente enfio as mãos por baixo de sua camisa e lhe arranho as costas. Sustento-me no chão e me viro, ele me empina enquanto apoio minhas mãos na parede como se fosse abraça-la. Ele abraça minha cintura com uma mão e com a outra enrola meus cabelos puxando minha cabeça para trás enquanto me beija. Ficamos naquele movimento delicioso quando finalmente conseguimos nos satisfazer. Ele morre e descansa o corpo sobre o meu ainda em pé de frente para a parede. Entre o reino do céu e o último gemido, passam-se pouquíssimos minutos, mas suficiente para nos saciarmos. Apoiado sobre a parede enquanto ainda respira ofegante, retiro-me sem me despedir. Quando finalmente percebe minha ausência pergunta-se o quer fez. Encontra a namorada no estacionamento aborrecida pelo atraso. Ela é tão linda e perfeita que ele não consegue encarar esse presente de Deus. Não conseguiria mentir por muito tempo e confessa que estava com outra mulher. Ela para o carro, grita, agride e o expulsa enquanto ele chora e pede perdão dizendo que a ama, foi apenas uma cilada do inimigo. Depois da persistência ela o perdoa e me chama de vadia, puta, vagabunda e demônio. Perdoa com a condição de que nunca mais me veja. Os dois se abraçam e oram. Daqui um ano estarão casados frequentando o culto dominical. Ele vai me evitar sempre, evitará até lembrar de mim, mas de tempo em tempo ela o fará lembrar para que sempre se arrependa daquele almoço e sempre peça perdão. Mas viverão juntos por muito tempo, se serão felizes, não sei.”

Assusta-se quando é tocada no ombro:

- Tá pensando em que? Em suas fantasias?

Pensa consigo que ele só precisa ouvir o que quer ouvir.

- Já disse meu bem. Está com você sempre foi minha fantasia. O chato é que fantasias não devem ser realizadas senão deixam de sê-las.

- Não tem mais nenhuma?

- Confia em mim, você não vai querer ouvir.

- Me fala

- Vem cá meu…

Observação: Para os curiosos essa sou eu sim, mas não estou nua. Sempre quis ser modelo de algum conto, acho que agora casou bem. As demais  fotos da tentativa de ensaio encontram-se aqui rs.

Gerlandy Leão

 

 

As meninas na sala sorriem ao ouvir uma canção que selecionam para uma festa temática enquanto preparo o almoço na cozinha. Admiro-me: “- Não ouvia Gigliola Cinquetti há muito tempo”.

Uma me interroga debochadamente: “-Chicrete?”

Não fazia idéia da última vez que a ouvira, mas lembrava perfeitamente a primeira vez. Claro, tem a ver com amor. Dio, come ti amo.

A vida é assim: você ama um, mas é feliz com outro que te dará filhas e netos que ao crescerem farão uma festa temática e ouvirão na sala a música que lembra que você amou alguém.

Durante a vida você ama outros e aprende amar principalmente se ele for pai das meninas na sala que mesmo adultas, jamais deixarão de ser meninas. Mas nunca mais se ama como se amou aquele que lhe comprou o disco de vinil compacto da Gigliola Cinquetti. Pois esse amor é irresponsável. Se ele te convidar para pular da ponte, você pula; se ele convidar para jejuar, você faz; se ele convidar para ir embora, você vai. E não pensa em ninguém mais. Ele é aquela pessoa que faz você chorar e te faz refletir em vários momentos que não é feliz e que ele não te dará uma bela família como as meninas na sala. Mas não  tem opção. O que se pode fazer se toda vez que o vê você treme, o coração dispara e você adora o seu abraço e seu beijo?

Mesmo sofrendo, aceita noivar. Viver no interior tava difícil então ele vai buscar serviço em outra cidade e te deixa com a Gigliola. Dio, come ti amo! Só as várias cartas de amor que enviava e recebia faziam companhia. Cartas ridículas, mas como diz o poeta “não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”. Ridículas como qualquer adolescente inconsequente que pensa que sabe o que é amor.

O tempo passa e você percebe que não quer mais ser ridícula e aprende que não pode esperar a vida toda por alguém só porque treme ao vê-lo, ou porque ele lhe presenteou com um disco compacto ou porque ele  escreve cartas sem mencionar a possível data de retorno. Você quer mais. Quer conhecer as meninas na sala que escutam Cinquetti para uma festa temática.

Finalmente envia a carta de despedida. Sabia que não aguentava. Você o ama, mas não quer mais. Ama, sente-se amada, mas não é feliz, então chora. Chora até desmaiar, e a desde então só volta a chorar quando as filhas e netos começam a nascer.

Você não recebe nem uma carta de volta, nem mesmo ele retorna desesperado e implora na porta da sua casa para reconsiderar. Ainda bem, senão você teria aceitado e hoje não seria feliz. Então conclui que ele entendeu o recado, pelo menos a vida não continuou como estava e por isso ele podia assumir outra mina e oferecer outra música que tivesse na moda ou quem sabe a própria canção de vocês dois. É uma linda canção de amor, tola ou brega como as cartas ridículas, mas linda.

Muitos anos depois quando já está casada com um cara legal, você encontra uma amiga que morava longe. E ela te confirma que vira o fogo queimando muitos papéis. Perguntando a ele o que significava aquilo, ele responde em lágrimas: “Estou queimando as mentiras”.

Não sei se, assim como eu, foi a última vez que chorou. Talvez seja feliz com uma pessoa legal que conheceu. Suas cartas apenas enterrei, mas ele queimou as minhas cartas como se fossem mentiras. Eu o amava, mas ouvir Gigliola enquanto olho as meninas na sala preparando a festa temática me faz mais feliz do que me jogar da ponte ou esperar por cartas para ler: “Dio, come ti amo”.

ginecologistajpg1

Amiga diz:
Ah…   babadinho para te contar
fui no gineco hj

Eu diz:
diga.  e aí? ta grávida. hahahahha
Amiga diz:
ai a médica me passou um exame de mama
grávida não, nunca!!!

Eu diz:
rs, mas e aí?
Amiga diz:
não deu nada na trans
Eu. diz:
ótimo
Amiga diz:
sim voltando. ai ela me pediu uma ultrasom da mama

Eu diz:
hum


Amiga diz:
mirmã hj eu vi q sou sem vergonha demais. o cara fazendo o exame na mama e eu gostando. Ele percebeu q eu tava gostando. Rs

Eu diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
to chorando de rir
Amiga diz:
ai começamos a conversar para q eu ficasse mais a vontade. Quando ele começou a passar o gel me arrepiei toda.
Eu diz:
eu saco . ai ai, tu é doida mesmo
Amiga diz:
kkkk, ai depois a sonda
Eu diz:
hahaha, tô dizendo, é doida
Amiga diz:
não sei se foi proposital mais ele passou uns 15 min sondando cada seio. teve uma hora q não aguentei e comecei a sorrir do nada.

Ele ficou todo encabulado se ele me convidasse para sair eu ia na horaaaa
Eu. diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. EU VOU MORRER!kkkkkk

Vou cair da cadeira de tanto rir louca.
Amiga diz:
sei q ele me deixou doidinha
Eu diz:
Safada! E  ele é bonito? é gostoso?
Amiga diz:
tô até agora doidinha.
Eu diz:
tu é louca mermã. Isso da um conto
Amiga diz:
é… gatinho e novo
Eu diz:
vou escrever sobre isso. hauahuahauahu
posso? Vou publicar no meu blog.
Amiga diz:
pode. Detalhe eu tava pelada na mesa, pq depois eu ia fazer a pélvica e depois a transvaginal
Eu diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mulher, tu não tem noção como eu to aqui imaginando essa tua cara. Vou colocar, mas não cito teu nome.
Amiga diz:
tá certo. Mas na hora da trans eu fiquei meio encabulada, só q depois ele me deixou a vontade.
mirma eu olhava nos olhos dele. ele sacou q eu fiquei afim
Eu diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
merma tu é louca mesmo
Amiga diz:
tanto q mal terminou o exame ele saiu correndo da sala
Eu diz:
Pau duro! Pau duro!  mermã tu tá é assim é? eu não consigo relaxar numa mesma do ginecologista. Seja homem ou mulher.
Amiga diz:
eu acho q eu tô é acostumada com uns médicos brutos, uns cavalos q quando aparece um gentil eu fico doidinha assim
Eu diz:
uma vez o cara passou o trambolho la bem por cima. eu achei estranho, pq até onde eu sei tem q gravar é la dentro. Mas eu era muito nova, e não sei, tem medico saliente.
Amiga diz:
tem mesmo
Eu diz:
quando eu era adolescente teve um que pegou nos meus seios de modo diferente, eu fiquei sem graça, mas não sabia o que falar.
Amiga diz:
eu quase gozo quando ele massageou meus seios
Eu diz:
kkkkkkkkk
Amiga diz:
mas esse cara não era saliente
Eu diz:
merma tu ta tarada, isso sim
Amiga diz:
ele tava para enterrar a cara dele na tela

Eu diz:
Melhor enterrar a cara em outro lugar. Rs. Mermã, já pensou se da uma doida e vcs começam a transar na hora?
Amiga diz:
opa na hora!!!
Eu diz:
cara seria muito doido, diferente.
Amiga diz:
ele era tímido demais. era casado
Eu diz:
hauahua, casado, mas não capado
Amiga diz:
olha eu nem sei se ele viu eu delirando alguma hora rs

Eu diz:
claro.
do jeito q tu é doida, deixava claro. Mermã to imaginando a cena aqui. será q tem filme sobre isso?
Amiga diz:
tem contos, filmes tb, mais foi massa, ai eu não gravei o nome dele,  pois eu fui na recepção saber o nome dele. fui atrás da enfermeira pra saber o nome dele e descobri é um nome difícil.

Amiga faz as tuas ultrasom e trans com ele. Por isso que lá é cheio de mulher

Eu diz:
hahah, é ruim. eu vou ficar péssima. eu prefiro mulher. Não gosto de homens, dá vergonha.  Seja bonito, feio ou velho.
Amiga diz:
hum… deixa de ser besta
Eu diz:
hahahha, besta pq? já pensou eu goste igual tu, não vou ficar tímida, ataco logo o rapaz de nome difícil
Amiga diz:
hauhauhauah. pode atacar, pq depois eu vou atacar tb. Oportunidade e ultrasons não vão faltar
Eu. diz:
cara daria um filme massa. Eu poderia gravar oh. ser a diretora .Como seria o nome do filme?
Amiga diz:
deixa eu ver… Imagens do prazer!!!!  pq os dois estavam gostando mais não tiravam o olho da telinha da ultrasom

Eu diz:
kkkkkkkkkkkkkkk, oh my God. Eu não pensaria em algo melhor.
Ai ai miga, quem te viu quem te ver
Amiga diz:
pois é. E eu fazendo juras q ia me comportar em 2009. Será q vou piorar em dias de cio….
é serio,  eu ando doidinha para dar

Eu diz:
comportar? tu?
Amiga diz:
é serio. Desde sexta eu acho
Eu diz:
quer nada, se quisesse teria pego o técnico de nome difícil

Moral da historia:

No final das contas so falamos.

Observação:

A conversa ficou tão legal que achei melhor transcrever e retirar o nome.

Há mais de um ano fiz  um post sobre Maria, mãe de Jesus e vez outra recebo e-mail ou comentários de ameaça. Já me irritei e dessa vez uma me chamou atenção. Não que ela seja a mais importante, mas pela a insistência dela. Não se conformou em  ver minha paciência em responder aqueles que tentam me corrigir ou evangelizar e continua na sua repetitiva luta em me converter.

Pensei em apenas responder nso comentários, mas creio que ficou longo e fica mais fácil dividir com os demais o que aconteceu. Só quero que fique claro, eu não sou má e nem como criancinhas.

Transcrevo o comentário descrito aqui

Quando comecei a ler o seu texto, durante todo o tempo orava a Deus pedindo o derramento do Espírito Santo sobre você, sem o qual vc. continuará assim (seca). Desculpe-me, mas vc. vai chegar ao ponto do esgotamento sem a presença do Espírito Santo (sei disto porque já passei por isto).
Pode ser teóloga, mas “não tem fé”!
Leu a Bíblia, mas não sentiu Deus agindo em sua vida através da sua Palavra.
Recomendo o exercício espiritual “A BÍBLIA NO MEU DIA-A-DIA DO PADRE JONAS ABIB”. PROVE E VEJA SE DEUS FALA OU NÃO EM SUA VIDA ATRAVÉS DESTE TRABALHO.
CONCORDO EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU COM O 1º COMENTÁRIO (ISABEL);
LEIA SABEDORIA DE SALOMÃO (CAP. 13, 1 à 9)
Sim, naturalmente vãos foram todos os homens que ignoraram a Deus, ……..

Quanto ao Dr. Augusto CURY, os frutos falam por si só. As suas obras são de uma espiritualidade indescritível.
Como psicólogo, analisou Jesus, e interpretou como o homem “Jesus” conseguiu superar os momentos limitrofes vividos e amar as pessoas como amou.
O preço dos seus livros são insignificantes. Até livros de bolso ele tem, com preços mais acessíveis ainda.

Deus a abençõe e que o Espírito Santo te ilumine.

Vamos por parte. Estava de recesso, por isso não respondi mais cedo.

Acredito que vai ficar repetitivo. É a história “vou falar de novo, novamente mais uma vez”.

Meire, não estou seca, só não mais compartilho da sua fé. Fique a vontade para pedir que o ES derrame sobre mim. O que eu acho engraçado é que ele é tão bonzinho que precisa que alguém que ore. Pense comigo, se ele fosse tão bom ou se tivesse tanto poder, ele não precisaria de sua oração. Aí você me diz, “mas depende da pessoa querer”. Sendo assim, sua oração é desnecessária, seja trabalhando pelo espírito santo ou por mim. A sua oração só faz bem a você, como o cristianismo que apesar de se esconder nessa história de amor ao próximo nada mais é que uma religião individualista. Veja se concorda comigo.

Vocês pregam não por amor ao próximo, mas porque é mandamento de Jesus e serão cobrados. Logo têm medo de queimar torrarem no fogo do inferno então vêm com o marketing e busca por novos fiéis. Veja sou boazinha, nem falo na possibilidade de terem as igrejas lotadas, com dizimistas e poder de decisão na sociedade, já que a maioria dessa seria composta de cristãos. Fui romântica, e creio que sejam boas pessoas que almejam ir para o céu.

Não os critico, mas ao mesmo tempo em que digo acreditar que apenas têm medo do tridente do cão (eu sei que isso não é citado na bíblia, mas é a cultura popular fazer o que né ), vejo que se aborrecem quando alguém é contrário aos seus pensamentos e o que fazem: “Espero que deus faça justiça”. Entende-se por justiça, o juízo final “onde ele virá não como advogado, mas como juiz, para nos sentenciar” (Sim Meire eu leio, estudo, acreditava na bíblia).

Ah, como adoram o sentimento de vitória. Melhor seria ver um descrente se convertendo às suas palavras e dando a sensação de certeza, de que não são palhacinhos, de que existe o que se crer. É bom a certeza que existe e que deus faz (é uma música da Cassiane que eu até cantei muitas vezes, bunitinha). Mas se a pessoa não se converter tem a outra possibilidade que enche seus olhos de alegria. A sensação de subir para o céu e sentir-se vingados ao ver os otários torrando aqui na terra para que falem: “bem que eu disse”. Parecem menininhos mimados: “Olha aí pai (deus), o pessoal só ta falando mal do sinhô, e você num vai fazer nada”.

Para encerrar sobre essa história de espírito santo e sobre suas falsas orações, espero que você fique bem. Se quiser orar, ore, o que você faz com seu tempo é assunto seu.

Pode ser teóloga, mas “não tem fé”!

Eu passaria muito tempo discutindo sobre fé. Mas prefiro substituir a fé pelo pensamento positivo pelo bem estar (não lembro se com hífen ou sem hífen, maldita Reforma ortográfica). Eu acredito na vida e tenho muitas dúvidas mesmo sobre ela, tenho dúvidas até sobre divindades. Se existem ou não, se foi feito pelo Unicórnio, pelo Chá ou pelo Papai Noel eu não sei, mas tenho uma certeza: o deus descrito na bíblia é tão lenda quando Saci Pererê. E a Bíblia é um belíssimo livro de ficção.

Ops, falei que a bíblia é ficção… então não me venha citar passagens tiradas de lá como se fossem verdades para eu aceitar. É a mesma coisa da minha irmãzinha me dizer, “comer cimento é bom porque eu digo que é”. Isso não tem lógica né. Aí você procura algumas passagens bíblicas estranhas e quer entender e simplesmente somos calados com frases de que existem coisas que não entendemos. Mais uma coisa que lembra minha irmãzinha: “Por que isso… Porque mesmo, porque sim”. Quem tem um mínimo de senso não se satisfaz com essa resposta.

Outra coisa, você trabalha com a idéia de haver apenas um deus e ignora todos os outros possíveis. Já parou para pensar que você é quase atéia… Você não acredita nos deuses africanos, assim como um ateu, não acredita em deuses hindus, assim como um ateu. Sendo cristã você só acredita em um deus a menos do que o ateu.

“Quando você entender porquê rejeita os outros deuses, entenderá porquê rejeito o seu…” Stephen Henry Roberts.

Dr Cury

Já disse, sou fã do cara. Ele vende o que escreve e se dar muito bem. Mesmo que venda barato ou pouco ele tem nome. Jesus dá dinheiro. Perceba, tudo que tem seu nome é vendável. E me fala em de espiritualidade… por favor, percebo que és mais ingênua do que meu sobrinho de 1 aninho. Cury analise um personagem fictício, assim como Capitu, Emma Bovary, Otelo, Odisseu dentre tantos outros famosos, só não tantos quanto Jesus, além de não despertarem tanto interesse quanto Jesus. Isso porque não foram vendidos como salvadores.

Este era um assunto que eu não queria tratar. Até porque se perceber no meu artigo eu trabalho com a hipótese dele surgir, outras pessoas são mais cruéis com vocês, pois defendem que ele não existiu. Eu digo que existiu, mas não sei se ressuscitou. No entanto como homem sua importância deu-se por Maria, ela sim, jogada de lado, representa o que a igreja quer. Uma mulher submissa e que tenha nada de sexo. Só que a própria bíblia se contradiz. Dou uma de Cury e analiso uma personagem fictícia com base em alguns relatos e o que concluo é que de santa ela não tinha nada, mas era forte, firme e decidida a criar um filho como salvador do mundo. A idéia pegou: até hoje tem gente que acredita.

Gerlandy Leão

Medo, muito medo. Desde de 1º janeiro tenho a sensação de ser perseguida por uma caneta para me corrigir. Tudo por culpa dessa Reforma ortográfica. E pensar que me orgulhava tanto por saber acentuar, aliás por no jogo do bicho da Língua Portuguesa só saber acentuar. Foi por isso que nunca mais vim, foi por isso que nunca mais escrevi nada. Mentira, é brincadeira. Estive ocupada e no tempo livre com preguiça.

O mês de dezembro foi maravilhoso, me apaixonei e desapaixonei; ganhei dinheiro e gastei tudinho; viajei e retornei; presenteei e fui presenteada; me preparei para ir embora e acabei ficando; emagreci e engordei novamente; revi Zeca Baleiro e conheci Reginaldo Rossi.

Dezembro foi legal, só confirmou o que o ano de 2008 significou para mim. Voltarei com mais frequência.

Próxima Página »