Datas


Gerlandy Leão

Minha cadela deu cria em véspera do dia das mães. Confesso que não é uma cena agradável de se ver. Ela teve uma gravidez fácil e manteve o corpitcho enxuto, e foi exatamente por isso que fui surpreendida no meio daquela tarde. Estava meio tristonha e procurando um lugar pra ficar. Nem me toquei quando percebi que  ela não quis o almoço e ainda vivia invadindo meu quarto. “Pichuleta! Saia já daqui”, mas ela não queria sair tão facilmente debaixo da minha cama. Depois de vários gritos em cima dela,  resolve se retirar com um filhote pendurado. Eu havia interrompido o nascimento do seu filhinho. Óbvio que sensível como eu sou, aquela cena me chocou e simplesmente não sabia o que fazer.  Pensei ver  um aborto espontâneo.

Entre choros e gritos, minha irmã chega da rua e me acode (a mim, porque eu estava nervosa), enquanto nossa cadelinha  dava um show de segurança. Nascido o primeiro filho, minha irmã resolve me deixar sozinha mais uma vez . Burrice nossa, uma cadela não dá a luz a um só  apesar da barriga pequena. E lá vem a cadela desesperada enquanto os dois filhotes gritavam também. “O que é Pichuleta? Vai cuidar dos teus filhos” . Sei que ela tava tentando e  a via com um carinho todo especial beijando os filhotes, mas ao mesmo tempo sentia seu desespero. Essa cadela me deu trabalho, gritava e subia em cima de mim com um olhar de dor. No meio do desespero ligo para a louca da minha irmã aos berros: “ela vai morrer, ela ta sofrendo” e a insensível tenta me confortar: “ela sabe o que fazer”. Sei, elas sempre sabem o que fazer, mas parecia não entender o que a natureza fazia com ela e eu muito menos. Em vez de lhe dá a mão , apenas chorava e ligava para minha mãe e a desnaturada de minha irmã. No final das contas ela teve 6 filhinhos lindos. Até hoje estou chocada com aquela imagem de dor.

Agora, no mês de maio que homenageia as mães, apesar de ter passado o segundo domingo de maio, fico pensando sobre a maternidade. Ontem estive em uma programação da igreja em homenagens às mães e achei algo curioso. Muitas canções, frases e homenagens diversas se limitam a agradecer à Mãe pelo sangue, por carregar na barriga. E fiquei pensando como é equivocado. Para mim o espírito materno não está em carregar criança no ventre. Lembrei na hora da minha cadela e como senti medo mesmo de dá cria a um ser. Lembro da dor que  ela sentiu e imagino o quanto deve ter sido traumático no entanto ela não  tem sido atenciosa e fica fugindo dos pirralhos. Prefere dormir longe deles, talvez por isso seus cãezinhos  tenham falecido . A coitada ta magra e sem força de cuidar deles. Às vezes a admiro pela força que teve na hora de parir, outra hora eu não entendo porque ela não se mostra uma mãe mais atenciosa. E é por isso que fico pensando na maternidade e não cultuo esse lance de “sou sangue do seu sangue”.

Posso até parecer desnaturada, mas esse espírito materno não me encanta  apesar de achar a   gravidez muito bonita. Penso em ser mãe, mas não necessariamente em carregar alguém em mim. Penso nas possíveis desvantagens de se carregar uma barriga. Estava dando uma zapeada na net no álbum de algumas conhecidas grávidas e poucas conseguem se manter belas. E posso parecer insensível e/ou fútil (os que me conhecem sabem que não sou), mas 9 meses de gravidez implica pelo menos 3 retoques a menos da minha raiz, mais os meses que amamentarei, querendo ou não isso vai mexer sim na minha auto-estima. E o incômodo de levar aquele barrigão para cima e para baixo. Apesar de errado adoro dormir de bruço, onde colocaria o bucho quando estivesse deitada?

Confesso que se eu descobrisse hoje que não herdei os genes da Dona que  convivo há 27 (ou seja, minha deusa, minha rainha, minha linda mãezinha), eu não morreria. Ouço falar da importância do ventre, dos cuidados na barriga dentre outros, mas minha lembrança mesmo (e olha que minha memória é ótima) é de quando era criança. Não consigo lembrar de está mergulhada em algum lugar especial onde era alimentada ou ouvir alguma musiquinha. Recordo mesmo das brincadeiras, dos cuidados.

Meu instinto materno está mais em cuidar do que contribuir com genes. Aos que me conhecem sabem que não é novidade que tenho uma irmã adotada e que também penso em adotar uma criança depois dos 30 anos. A experiência de ser irmã de alguém que não tem meu sangue foi muito importante , meu amor por ela mesmo não sendo de mãe ultrapassa qualquer relação com o sangue. Quero ser mãe, mas não necessariamente parir, o que não quer dizer que não vá engravidar. Só digo que não é minha prioridade, não estou planejando barriga, mas se um dia me dê na telha que vai me fazer bem engordar um pouco mais e ter umas estrias a mais e sentir um chutinho dentro de mim, talvez eu opte por isso.  Ou se me der uma doida e eu passar a valorizar os genes, talvez faça como a Sarah Jessica Parker e MAthew Broaderick e contrate uma mãe de aluguel. Xi, havia esquecido um detalhe, não tenho a grana que eles têm.

Deve ser por isso então que não resumo a  importância por ser sangue do meu sangue, assim como não resumo a importância do pai por ser doador . Fosse assim  o Bicó que rodeou a Pichuleta por vários dias para conquistá-la e impedi – la de conhecer alguém legal, seria um grande pai e estaria ao seu lado enquanto os filhotes nasciam, no entanto esse cachorro fazendo jus a sua espécie não se deu ao trabalho de tentar saber como ela estava . Ludibriou nossa  inocente cadela e sumiu no mundo. Agora ela se vira, bem que ela poderia ter largado por ai ou ido atrás dele o obrigando a cuidar das crias “toma que o filho é teu”. Mas não faz isso, apesar de assustada e parecer desnaturada, ta levando pouco a pouco.

Ser mãe é muito belo e admiro e aplaudo a todas que levam esse exercício e embelezam a vida.

Gerlandy Leão

aniversario

Maio é um mês muito especial para mim, mas o dia 25 em si não é tão marcante assim. Parece que adiei minha comemoração para o dia 24 desde quando meu irmão nasceu um dia antes deu comemorar um aninho. Depois disso, não tenho lembrança de festejar no dia 25,  nem mesmo meus 15 aninhos, esse foi comemorado um dia antes. REfaço as contas e lembro que muitas pessoas que gosto são desse mês e parece que de tanto comemorar junto com as demais o dia 25 acaba ficando sem graça.  Estou muito feliz, independente do dia 25 me sinto privilegiada pelas pessoas especiais que estão ao meu redor,  lembrando ou não. Este ano não foi diferente, acabei comemorando alguns dias antes da data oficial fazendo algo que eu amo, brincar com as amigas, comer,  dançando entre outras coisas. Tô muito feliz mesmo.

Hoje então é um dia qualquer e já sou feliz. Em todo caso, hoje ganhei uma folguinha em plena segunda-feira e  como não dá p correr para uma farrinha acabei ficando em casa mesmo descansando e vou já sair com a família para comer um bolo, coisa bem leve.

Algumas datas interessantes deste dia segundo o Wikipedia

Gerlandy Leão


Quando a olhei pela primeira vez estava quase perdida nos braços da minha mãe ainda dentro do Táxi. Corri para ajudá-la . Minha mãe em mais uma tentativa de me fazer acostumar com a idéia de ter uma irmã adotiva, tentou entregá-la a mim. Recusei: é melhor eu pegar a sua bolsa. Assim me esquivei da responsabilidade. Não queria mais ninguém em casa, nem por isso estava disposta a desagradar minha mãe.

Euforia em casa, todos comemoravam a chegada de mais um bebê em casa depois da caçula ter completado 12 anos. Eu só perguntava por que levar uma criança já que meus pais tinham idade de muitos avós por aí, apesar de serem jovens ainda.

No primeiro momento não participei da festa de recepção, até porque fui contra desde o início. Apesar disso tentei ser cortez com o bebê tentando conhecê-la.

Quando a peguei no colo senti uma emoção instantânea, mas continuei firme para não mostrar que mudara de opinião tão cedo. Aquela sensação me inquietou. Ela era a recém-nascida mais linda que já tinha visto. Tinha um cheirinho delicioso melhor do que todos os bebês do mundo.  Ela era delicada e indefesa e eu desajeitada e inexperiente tentava encaixa-la nos meus braços. Seus dedinhos pareciam da espessura de um palito de fósforo e tinha os olhinhos tão redondo negros e abertos. Eram curiosos e atentos a cada cômodo da casa que eu lhe apresentava. Boba, eu parecia uma bobona que cedia àqueles olhinhos lindos, sei que ainda não podia sorrir, mas por um momento pensei vê-la sorrindo para mim. Bobagem, em poucos minutos eu dizia: Vou te proteger.

Ela se tornou o motivo de muitos dos meus sorrisos e muitas vezes confidente. Quantas vezes já maiorzinha,  enquanto desenhava em um papel eu lhe desabafava. Era a melhor ouvinte que eu podia ter, não reclamava e também não cobrava. Às vezes me via chorando e me abraçava querendo chorar também.

Nosso quarto se transformou em um palco de sonhos e shows onde nós duas somos popstar’s e fingimos que cantamos para um grande público que enlouquecidos gritam nossos nomes pedindo mais um hit do nosso repertório tão famoso. “Vamos lá galera”, idiota falado por outro cantor, mas nós somos famosos. “ Nega, eu vou te morder!”.

Com ela sou adulta e criança. Adulta quando tento protegê-la, ensiná-la, agradá-la; Criança quando brinco tanto quanto ela, quando somos realmente como irmãzinhas, quando eu deixo que ela penteie o meu cabelo e reclame porque estou com o cabelo liso e ela não. E como é bom acordar ouvindo sua vozinha meiga cantando, tão afinada, tão delicada: “Apaixonado o o, apaixonado o o…”, entre tantas canções que ela gosta de cantar e repete mil vezes no som de casa para meu desespero e dos demais familiares.


Ela veio trazer cor à minha vida e vida às minhas cores. Ela é a menina bonita do laço de fita que alegra minha vida. Impossível imaginar década sem minha linda Lalay.


Gerlandy Leão

A idade não tirou o encanto e inocência de seu belo sorriso. Como gosto de olhar para seu sorriso, como é bom poder admirá-la enquanto folheava uma daquelas revistas que vendem bugigangas. Através dos óculos para leitura de perto, colocados na ponta do nariz, percorria as páginas enquanto procurava algo interessante para comprar. Passava o dedo na ponta da língua e virava a página, gesto que eu sempre reclamava por não gostar dessa sua insistência em utilizar modos de velho. Era a única coisa que a aproximava de uma velhinha, pois apesar de começarem a aparecer os primeiros fios brancos de cabelo que vez ou outra me pedia para eu retirar, ela ainda está longe de ser uma.

Percebeu minha admiração, parou a atividade e virou a cabeça para o meu lado:

- Que foi? perguntou com jeito delicado. Apenas sacodi a cabeça encenando que não havia nada.


Mas ela persistiu com a pergunta, estampando seu sorriso encabulado e interrogativo com expressões e sons que eu não consigo expressar através da escrita, mas geralmente vindas depois de um “oxe!”, “humm, que é hein?” ou apenas “Ó”.


Na verdade eu pensava como minha mãe parece uma menina. Acho que me tornei mais velha do que ela há muito tempo. Imagino que o fato dela me conceber aos 17 anos não a fez amadurecer rapidamente mas sim interromper seu crescimento ao fazê-la trocar suas bonecas de pano por uma boneca de carne, osso, cartilagem …, com diferenças significativas como por exemplo: não poderia ser colocada numa caixa de brinquedos qualquer do jeito que se quisesse, mas precisaria de muitos cuidados.


Ah, minha mãe com seu lindo sorriso, não deu chance a meu pobre pai que sucumbiu diante e ao mesmo tempo ressucitou para uma nova vida ao seu lado. A inocente, sim, embora eu na sua idade fosse mais esperta, minha mama era uma boba menina que esperava brincar de casinha depois do matrimônio. Mas a coisa era mais séria . Logo eu apareci fazendo minha mãe engordar 12 kg e ainda sentir a maior dor, segundo muitas, a dor do parto.


Eu devo ser uma louca, porque não conformada ainda queria mais. Como nós mamíferos humanos somos dependentes das mães por tanto tempo, mas ela nunca reclamou dessa missão e veio me alimentar, me abrigar e me encher de todo amor que poderia dá. Foram noites e dias ao meu lado e mesmo quando foram surgindo os irmãozinhos ela se multiplicou para nos amar por igual e não nos deixar qualquer lacuna.


Fui crescendo e precisamos nos separar. E meus primeiros dias de aula? Por que eu deveria ir à escola? eu só queria ter chorado por me separar dela, mas com um pedido tão confiante seu: “Você está mocinha, não pode chorar, logo logo voltarei”. Para mim não poderia decepcioná-la, então segurei o choro. Lembro-me no dia em que a saudade foi muito forte ao ponto de não me deixar controlar, mas diferentemente das demais crianças, não me esgoelei, esperneei ou fiz qualquer escândalo, apenas deixei rolar uma lágrima percebida por minha professora que interrogou-me o que eu tinha. Envergonhadamente, respondi que precisava ir ao banheiro, mas ela não deixava. É óbvio que depois da cena recebi permissão e enquanto era aguardada pela professora do lado de fora, eu chorava sentada no vaso sanitário. Não lembrava, mas foi aos 4 anos de idade que iniciei a tradição de correr para chorar no banheiro, depois de segurar por muito tempo. Fui recompensada horas depois, ao término da aula, com sua presença na porta da escola sentada em sua Caloi rosa, prontamente para me levar para casa


Desconfio que minha mãe seja doida ou realmente uma eterna menina. Não dá para esquecer as nossas brincadeiras de infância juntas, dentre elas aquela em que subíamos no pé de carambola e lá ficávamos durante a tarde inteira comendo essa fruta com sal.


Cheguei a levar algumas palmadas por malcriação que doeram bastantes e embora nunca tenha falado em arrependimentos, vejo que fica sem graça sempre tocamos no assunto. Por falar em assunto, essa mulher nunca foi boa de conversa, principalmente se tratando de assuntos de meninas, para isso usava metáforas, nisso ela era boa. Acho que herdei esse poder. Outra herança genética ou do meio foi o fato de fingir que não viu, escutar, observar, maquinar, planejar e só então sair para o bote. E claro, estava esquecendo meu pior defeito, a ironia.


Como gosto daquele sorriso bobo quando tá nervosa, quando tá feliz e até quando tá triste ou derrubando tímidas lágrimas que ela simplesmente, para tentar disfarçar, força um sorriso. Não é um sorriso banal, não é disperdiçado à toa, mas tem sua função. Um sorriso que nunca perde a esperança que indica que tudo vai ficar bem e que tudo vai dá certo. Sem ela morreríamos, porque é a energia, a força que alimenta e equilibra nosso lar.


Dizem que um filho só aprende a dá o valor aos pais quando passa a ser também. Comigo não tem sido assim, pelo menos acho que não. Lamento as vezes que dei tanto trabalho, por tê-la magoado e principalmente por não ser uma filha melhor, mas minha mãe é tão perfeita que me quer do jeito que eu sou.


Inspiração: O mÊs de maio tá encerrando daqui duas horas e eu não poderia deixar de esquecer de falar sobre algo importante, essas mulheres maravilhosas. Dentre tantas que existem não poderia esquecer de falar da minha rainha, Dona Eró.

Gerlandy Leão

E não é que sobreviveu.

Este espaço que vos escrevo, completou um ano no ultimo dia dez. A idéia era publicar algumas bobagens que eu tinha, mas no decorrer dessas surgiram outras idéias. Continuo com várias guardadas e com uma preguiça imensa, mas acho que a gente deve escrever independente de que gostem ou não. Vejo que é muito importante o que faço principalmente para mim. Fui reler meus textos depois de tanto tempo e me senti uma mera leitora, nem lembrava mais como havia chegado até aqui.

Quem me conhece sabe da minha paixão por contos e as dúvidas que eles deixam em nossas cabeças. Depois de algumas críticas continuo dizendo que não vou mudar nenhum final, no entanto achei por bem fazer um um final alternativo para os principais textos que escrevi. Fui fazer umas visitas e reencontrei vários personagens, eis alguns:

a vendedora de bolo…… recebe uma encomenda de manhã cedo

a pia ……………………….. é instalada no quarto sem torneira por perto

a rua………………………… voltou a ser sondada

o cadeirante……………… caiu ao tentar se adaptar e voltou rastejando para a velha amiga cadeira

a lagarta………………… nunca mais apareceu

a flores………………….. enfeitaram outras covas

a frase…………………… nunca mais será vista

As mães………………… são o grande apoio dos filhos

a forma geométrica…. expulsou um de seus pontos

a menina……………….. continua boiando pelas águas tentando aprender a nadar

a mulher……………….. encontrou um pai para o filho, mas desistiu de concebê-lo.

o casal………………….. separou-se, juntou-se, separou-se de novo e estudam um retorno

a figueira………………. insiste em achar que está seca, mas continua alimentando quem a procura

A pipa………………….. Teve uma queda maior, mas soube que está tentando se consertar novamente.

A janela……………….. virou lembrança, agora prefiro portões.

As viagens…………….. ganharam novos planos

O Incubus……………… ah o Incubus!

Quero agradecer desde já aos meus poucos mais fiéis leitores (ai como sou chata), principalmente aqueles que participam ou escrevendo seus comentários aqui ou discutindo comigo. PArabéns ao Contos da Serpente, me ajudou bastante no último ano.

Gerlandy Leão 

Reza a lenda que um blog, quando está sem assunto, coloca vídeo para entreter a galera, como existem bastantes por aí, preferi expor minha retrô do ano. Já tenho 2 anos que envio para as pessoas que são citadas na lista , este ano resolvi guardar, depois tava lendo e vi que não custa nada mostrar como a felicidade para mim é tão simples ao me fazer lembrar de coisas tão singelas.  Aos novos leitores, relembro que a apresentação não segue ordem cronológica ou de importância. E ainda utilizo falas que só a pessoa conseguirá decifrar.  2007 foi 

  • Primeiro dia do ano em Canoa Quebrada numa viagem inesquecível
  • Um caldo de cana especial;
  • Uma dança e duas cadeiras, dancei… Eu só queria o Delorean;
  • Poucos metros quadrados;
  • Publicar minhas bobagens no meu blog;
  • Salomão: rainhas e concubinas;
  • Adeus Incubus;
  • Tia?
  • A ameaça na reta;
  • O olhar, Sonífera ilha acompanhado de: “Eu sei, agora eu sei”;
  • Meu primeiro aniversario em versão infantil: Turma da Mônica, com bombom e musiquinha de criança;
  • Só podia ter nome de santo;
  • Aparecer nos últimos minutos do EREBD em Teresina;
  • Teoria do Dr. Brown e a volta à linha da vida;
  • Voltar a brincar São João na rua e cacuriá;
  • Quarteto fantástico em Bacabal City;
  • Uma equação: Amor E Paixão; Paixão e Amor; Amor e Dor; Ódio e Nada; Indiferença e Paixão; Amor; =?;
  • Bom Demais! Só o filé;
  • Aniversário de ANINHA em Fortaleza;
  • A guangue com CARISE e KEULY (Dreams girls ou meninas super poderosas);
  • O nascimento do HADAN;
  • O cheirinho da LALAY
  • Olhar LENE apaixonada e na cozinha… Que Nindo!
  • Reencontrar DANIEL meu padreco preferido que está na selva tentando converter índios hahahha;
  • A turma gente boa do carué: LAYENDER, YTAJARA, PAULO, DAVI, BOB e THIAGO;
  • Acompanhar mesmo que longe o nascimento do belíssimo projeto da NEGA FRANCI;
  • Contar sempre com a maturidade de FRANCIJANE;
  • Carnaval com a galera do Laranjal- não gosto mesmo disso, melhor me aquietar no meu canto;
  • Um presente especial de KEULY auauauauuauauau
  • Formaturas de JOSANA e ROSETE;
  • A vinda de ANDRÉ e CAUÊ em Setembro;
  • O milésimo gol do Romário… pow muodu minha vida;
  • Aniversário do Ninja Jyaria LEOZINHO;
  • Companhia virtual de FABIANO;
  • As batidas do carro do ZOIDE… ele ainda mata a gente;
  • Ser famoso no Brasil eu já sabia que não precisava de talento, mas se vc não consegue ser BBB, jogar futebol, ter a bunda grande, basta ser amante de político;
  • Sapo não anda, sapo não pula “Sapupara”… nunca mais!! Ui chega me tremo;
  • A Pitose, “Ta bom, tu não é uma Jennifer Lopez, mas é gostosa” Silicone hahahahaha, só as doidas mesmo;
  • Beija o canudo;
  • Mais um assalto para o curriculo;
  • Rapaz e num é que mataram o Sadam? De volta à idade média;
  • Comprovar que quem merece perdão é só arrependido em só se arrepende aquele que não teria feito algo. Conclusão: Certas pessoas não merecem meu perdão.
  • Como se fosse a primeira vez;
  • Uma moldura;
  • O papa no Brasil e transforma a nossa vida, a sentar em uma cadeira e falar poucas palavras em português;
  • Tome, tome, tome;
  • O dia depois de amanhã;
  • A batida do martelo;
  • Obrigada, mas eu não vou;
  • “La tortura” na litorânea… quantas noites divertidas;
  • ‘Eu poderia ficar aqui por muito tempo”… Isso é bom!;
  • Olha a onda, olha a onda;
  • Conhecer a casa de biblioamigas distantes MARCINHA (PE) e REGINA (PB);
  • Aproximação com minha pupila CAROL;
  • DANÚBIO louco para estrelar um filme hehe;
  • O cuidado de  RAÍZA e LUCIANO… vcs me iludiram para esse tal de sapo na lagoa;
  • As conversas sérias JONJON e JU FONTELES;
  • As conversas cheias de vida com CAUÊ e nosso vício por discussões de qualquer espécie;
  • O presente enviado por KYRIA;
  • As binadas do JULIO;
  • Um abraço dos pais;
  • Perceber que minha irmã DEDÉ é retardada, mesmo assim amá-la cada dia mais;
  • Conhecer KAREN e o maior acervo de música que já vi;
  • Chupabalahalls, xirimalaia, Assiama Lakai;
  • Minha colação de grau e o vestidinho lilás, quem diria?
  • Show fantástico do Nação Zumbi;
  • Pagodinho Vagabundo (Fui ludibriada);
  • Separação do Gianne (Se Marília teve chance, eu tb pow);
  • Vai Danada 2;
  • Levar Calote (mais um);
  • Nome no SPC e SERASA por causa de amigo (de novo);
  • Romper (não foi o hímen);
  • O sarau que não ocorreu;
  • A carambola do BRUNOIA que derrubou Keuly (para as mentes pervertidas, foi só uma mistura de bebidas ta?);
  • Do ódio ao amor: RENATO e ALBENI juntos;
  • REcepção de BETH
  • Os divertidos diálogos com AARÃO… pena que ele gosta do Minardi;
  • GARDÊNIA e sua obsessão por uma letra do alfabeto;
  • Não conseguir rever GEORGIA;
  • Reencontrar HEDYJANE, virtualmente;
  • Visitas virtuais de amigos distantes GILSON, GUGÂO (RN) e THIAGO (DF);
  • CUrintia na segundona;
  • Descobrir que há vida sem encontros estudantis (apesar da saudade)
  • A palestra magnífica de Ariano Suassuna;
  • Kabão, eu também fui Dona Daíse;
  • Me afastar de uma grande amiga e lamentar;
  • Início de depressão mas dá a volta por cima;
  • Um peixe especial;
  • A paródia de more than words;
  • A visita de meus avós;
  • A tentativa mais a ausência de um título;
  • Ser consciente que a hipocrisia é peça fundamental para a boa convivência social, mas compreender que chega um momento de reconhecer  que até grandes atores levaram framboesas por atuarem mal. Para evitar correr esse risco preferi recusar subir ao palco;

 Aprendi a valorizar mais do que nunca a família e a amizade. Estes não são descartáveis. Não sou auto-suficiente, mas não quero apenas a ajuda, quero somar e sei que tenho feito isto.

Gerlandy Leão

 

“- Eis o verdadeiro sentido do espírito natalino: a comilança e a troca de presentes”. Dizia isto a uma pessoa ao lado, após engolir uma fatia de rocambole, enquanto admirava a bela mesa ornamentada de doces, salgados e frutas de um lado e a outra repleta de presentes dos funcionários da empresa esperando o momento para serem entregues aos seus donos. Foi repreendida pela colega de trabalho que ansiosamente aguardava a hora do amigo secreto “- Não é bem assim, natal é mais do que isso.” Realmente não era só isso. O natal poderia ser visto como uma data de confraternizações, na verdade ela via como o momento mais adequado para por em prática todo o seu talento de artista em um palco do Teatro da hipocrisia. Não que a hipocrisia fosse de todo ruim, pois equilibrava a vida em muitos momentos.

Havia aprendido a ser hipócrita bem cedo, ainda cursava as séries iniciais do ensino fundamental. Era chegada hora dos sorteios dos nomes, mas antes, um aviso da tia professora: “- crianças, estamos participando de um amigo secreto, momento que vocês precisam provar que são capazes de guardar esse segredo como se guarda algo bem precioso e que não queira repartir com ninguém a não ser no dia adequado.

Estava preparada para guardar o segredo, mas não para retirar aquele nome. Desenrolou o papel com a duas mãos há pouco mais de um palmo de distância do rosto, percorrendo os olhos pelas letras escritas no mesmo sem acreditar no que lia. Os olhos elevaram-se por cima do papel buscando encontrar o amigo até encontrá-lo no canto da sala com um sorriso demonstrando satisfação pelo amigo sorteado. Dobrou o papel e procurou a professora: “- esse eu não posso tia porque…”, a mesma nem quis ouvi-la, apenas repetiu que era o seu segredinho e que seria divertida a brincadeira da adivinhação.

A mãe comprou um carrinho de plástico, simples, mas bonito. Finalmente os amigos se divertiam enquanto ela ficava nervosa ao perceber como os seus coleguinhas se saíam na apresentação e logo após se abraçavam ao entregar os presentes. Seu momento se aproximava. O que ela diria? A vontade que tinha era dizer: eu odeio meu “amigo”, mas não podia, tinha que se comportar como uma mocinha. Havia pensado em fingir alguma doença só para não ter que fazer aquilo, mas não fez, agora estava arrependida, segurando o carrinho nas mãos. Chegou sua hora, e de cabeça baixa só falou o nome do “inimigo”. A professora mandou que eles trocassem abraço de confraternização. Ela quis chorar, mas fingiu confraternizar, tentou lembrar do espírito natalino, do perdão, do amor fraternal, não conseguia. Relembrava as humilhações passadas durante o ano.

Abraçava agora seu maior inimigo, aquele que puxava suas trancinhas e cuspia em suas costas. Aquele que derrubava o seu lanche e que a impedia de brincar na hora do recreio com os demais alunos do grupo. Aquele que apelidava devido os sapatos ortopédicos para corrigir seus pés. Ele era bem mais velho que ela, e estava atrasado na escola devido às reprovações. Filho de um fazendeiro das redondezas, fora estudar na mesma escola dela como um castigo. Para os pais da garota, estudar naquela escola era um prêmio, devido ao esforço para pagá-la. Para os pais dele era uma forma de castigar o filho, por não ser uma das melhores da cidade. E lá estava o menino, uma criança, mas com ar de riquinho, humilhando todas as criancinhas ao redor. Mas a sua vítima favorita era a humilde menina magrela de pernas tortas e cabelos compridos. Procurava entender porque o espírito natalino tinha que obrigá-la a abraçar alguém que tanto lhe maltratara e que ela tanto odiava. Mas optou pela trégua, embora ainda não soubesse o significado dessa palavra.

Ele não deu trégua. Parecia que aquela brincadeira havia caído como luva. Que ironia do destino receber o presente exatamente das mãos da “menina bobona da sala”. Desembrulhou o presente e não perdeu a oportunidade de provocá-la novamente. “-um carrinho? Mas que carrinho idiota”. Ele entregara um carro 10 vezes maior, não tinha porque se contentar com um carrinho. A professora quis intervir, dizer que o importante era o sentimento e a troca de lembranças. Mas ele não se conformava com a bugiganga e ria com todos os demais, a menina só segurava as lágrimas. Ela bem que queria ficar com o presente ele era azul e bonito, não era grande coisa, mas pelo menos era melhor do que as meias bobas que ganhara. E ninguém queria o carrinho idiota. Todos seguiam o líder das chacotas.

O menino começou a espernear e chorar dizendo que tomaria o presente de volta jogando o carrinho no chão, logo o que tivesse seu presente tirado de suas mãos não poderia sair perdendo e tomaria do seguinte até chegar ao último. Assim a brincadeira iria se desfazer por sua culpa, por culpa do seu maldito presente. Até ela começava a odiar o carrinho, quando alguém se aproximou do cantinho onde o brinquedo se encontrava e o pegou com carinho. Perguntou ao dono se ele não gostaria de trocá-lo pelo seu presente. Não que ele não tivesse gostado, mas preferia o carrinho. “- Fique com ele, me dê o seu”. Era um perfume alfazema daqueles comprados em supermercado, mas ele preferiu este àquele vindo da menina. Ela agradeceu ao amiguinho que fez a troca e por tê-la salvo da humilhação. Ele falou que realmente tinha gostado da lembrança. Mas não pode, pensava ela: “aquele carro era realmente idiota”. Ela recebeu um favor de alguém que nem mencionou natal para sua atitude, o seu herói marcara para sempre suas festas seguintes. Como você pode salvar alguém sem pedir nada em troca ou se justificar por uma data? Todo dia é o dia de fazer o bem. Com nenhum dos dois meninos manteve muito contato, nem o primeiro tornou-se inimigo e nem o segundo seu amigo, ano seguinte se separaram. Mas ambos marcaram a seu tempo.

Nos anos posteriores brincou normalmente ignorando o perigo de reencontrar novamente alguém desagradável. Era como uma roleta russa, as chances de encontrar alguém querida era maior. Mas com o tempo foi percebendo que esta era uma brincadeira idiota. Ninguém se conformava com o que ganhava. Todos faziam uma cara falsa de conformados, ou outros demonstravam o desgosto. Ela não entendia porque insistiam em confiar a alguém a compra de seu presente. Trocar presentes por que? Não seria melhor se presentear ou presentear alguém sem esperar nada em troca. Era vista como amarga, ou que não entendia o verdadeiro espírito, mas ela não se recusava a se confraternizar, só não gostava do amigo secreto.

Naquela manhã, ela ficava sossegada em não ser obrigada a abraçar ninguém e o melhor entregar presente a quem não merecesse, pela primeira vez expressava a sua opinião, ou parte, ainda era hipócrita, não podia machucar pessoas queridas dizendo que Natal era uma farsa. Sobre o pensamento alto de natal ser comilança, corrigiu à colega: é comer e repartir o pão. Viva o natal, viva o amor fraternal.

Inspiração: Estava na fila do banco e comecei a pensar na chatice que é amigo secreto. Como a fila não andava resolvi escrever algo. Viajei um pouco, mas tem cenas da minha infância.

Gerlandy Leão

 

janela_noite041.jpgAquele ano parecia devolver o sabor ao meu Natal. Como sempre, para mim sempre se tratou de um feriado interessante qualquer. Ano estava na casa de um conhecido, ano estava na casa de um amigo, mas aquele não. Aquele eu tinha a oportunidade de sonhar novamente, e de me sentir comum como os demais mortais, cristãos ou não. Pela primeira vez comemoraria esta data ao lado de um amor, portanto idealizava todo o romantismo. Aquele ano tinha sido importante, finalmente meu coração se amolecia, finalmente eu me apaixonava.

Prometi fazer aquela noite agradável especial. Os últimos meses eram marcados por dificuldades, principalmente pelo meu esforço de fazer dá certo tudo. Sua frieza me incomodava e a dúvida sempre me assolava. Mas apesar disto aquela noite havia um esforço de ambas as parte para que estivéssemos bem. Éramos poucos, uma pequena família e ignorávamos as grandes comemorações que aconteciam cidade a fora. Nosso modesto jantar e o programa de assistir filmes parecia tão perfeito para mim.

A felicidade era tão barata, mas com um sabor tão grande que eu sabia que me lembraria por muito tempo daquilo. E lembrei mesmo, mas por outro fato. Por um momento me vi perdida quando tentava encapsular aquela cena na minha mente. Fiquei temerosa em perder aquela felicidade ideal, felicidade esta que eu me agarrava como alguém que se apega a um prato de sopa diário, sem entender o valor de uma mesa farta. Quando prova deste banquete, lembra-se com muito carinho de sua sopa que lhe fez tanto companhia, no entanto compreende que não é mais suficiente para si. Naquele momento eu só queria a sopa. Tudo era motivo de medo, de desconfianças, de insegurança.

Espantei-me quando o vi olhando pela janela para o horizonte. Aquele ato não foi cronometrado, mas alguns segundos ou quem sabe poucos minutos, pareceram se eternizar, tempo que inquietou bastante. Que cena! Eu na cama a olha-lo na janela, ele olhando por cima dela enquanto pensava e seus olhos se perdiam. Ambos no quarto fisicamente, mas em pensamentos estávamos distantes. Uma coisa eu tinha certeza: nem ele nem eu estávamos naquele Natal. Eu estava no Natal futuro, tentando imaginar como seria minha vida sem sua presença, isso eu sabia, não poderia durar muito. Ele estava relembrando algum Natal no passado. Pedia por todos os santos que não fosse no ano anterior.

Me aproximei e o abracei chamando-lhe a atenção de que eu ainda estava no quarto. Ele deu um leve sorriso com um lado da boca, me deu um beijo na testa e me abraçou de forma terna. Não falou nada, continuou olhando pela janela abraçado a mim. Eu também continuei olhando. Por um momento quis esquecer os outros tempos. Para mim importava agora o presente. Os fogos da meia-noite explodiam lá fora. A felicidade reinava ali novamente.

Inspiração: Um certo Natal há alguns anos. Neste ano ganhei de natal um livro de anotações e o primeiro texto que escrevi foi este. Estive relendo algumas coisas e depois de enxugar alguns escritos achei oportuno publicar. É meio down, mas acho bonito. Mostra como devemos viver o presente. É isto o que importa para mim agora. O que passou, passou.

imagem: uma linda janela. http://thiroux.cgmax.blog.br/files/2007/04/janela_noite04.jpg

 Gerlandy Leão

 

 simone.jpgEntão chegou o fim do ano.

Dezembro é dezembro pelo menos 20 dias antes do início do mês quando as ruas já estão enfeitadas para vender. O povo, o comércio insiste em terminar o ano antes do tempo.  É assim com todas as datas, mas natal é pior. Não se preocupem, este não é mais um daqueles artigos falando que o natal é comercial, isso você já sabe, na verdade nem eu sei sobre o que é. Ta é meu primeiro post do mês de dezembro e embora tenha dito que meu blog não é termômetro da minha vida, de como me sinto, sou levada pelo o que ocorre, e estamos em natal. Todo lugar enfeitado de vermelho e verde, as musiquinhas mais chatas da face da terra, acho que não perdem nem para as músicas de carnaval.

 

Dezembro! Dezembro é um mês bem chato, principalmente para quem é estagiário ou trabalha como cooperada como eu, logo não temos direito a 13° salário. Vejam que sofrimento, todo mundo pagando as continhas ou mesmo fazendo novas e eu juntamente com meus colegas escragiários, nos contentamos em chupar o dedo, porque nem dindin para comprar um pirulito Pop dá.

 

Eu nem queria mesmo. Cresci sem comemorar natal por nascer em uma casa que sabia que o natal tinha origem pagã. Nós éramos     os únicos cristãos que não comemoravam natal. Sim, pois sabíamos que este lance de nascimento de Jesus tinha sido uma grande jogada, ouvíamos até que a origem das bolas de natal eram cabeças de pessoas que eram arrancadas e colocadas numa grande árvore, em regiões que as pessoas dançavam ao redor cultuando o deus-sol. Cristão que é cristão não comemora natal. A própria bíblia que os cristãos tanto se baseiam, não cita data de nascimento de cristo, cita o dia da morte 14 de nisã, mas nascimento. EU não tenho textos para citar aqui sobre natal pagão, ta certo eu fico devendo algo, vou escrever a respeito, ou melhor, vou nada, é só digitar no deus google (ele se tornou nosso deus agora) e procura a verdadeira história do natal.

 

Papai noel outra figurinha adorada por crianças apesar de deixar de acreditar lá pelos 8 anos, só me lembro de 3 referências a ele. Uma foi porque o filho da mãe só visitava a casa de uma vizinha chata na esquina. Toda vez eu via ele chegando puxando um saco e eu não sabia porque de lá ele não descia para minha casa. Outra vez deixei meu tênis na janela, sério, ouvi aquela musiquinha. Coloquei lá, dormi tranquilamente crente que amanheceria com um presente dentro do meu tênis. Mas nada. Minha mãe sorriu de mim quando eu falei, não entendi o porquê do riso. Lembro outro momento de acordar numa manhã do dia 25 com um troço embaixo do meu travesseiro. Quando olhei era um conjuntinho de cozinha, para brincar de casinha. Saí correndo para encontrar minha mãe e saber quem me dera, ela insistiu que tinha sido papai noel, todos insistiram que tinha sido papai noel. Mas já era tarde, não acreditava mais. Só muitos dias depois com muita insistência descobri que tinha sido uma vizinha, uma senhora que gostava muito de mim e eu dela. Ela pediu à mamãe que não dissesse que tinha sido ela, queria incentivar minha imaginação. Não sou contra o papai noel por isso. Acho até legalzinho realmente essa imaginação, e esse brilho nas crianças. Mas o perigo é que quem pode se veste de papai noel e agrada aos filhinhos, quanto aos demais ficam sofrendo. De qualquer forma cada um alimenta como bem quer a sua casa.

 

Lá em casa era assim. Não tinha esses lance de árvore, bolinhas, presépios, ceia, nada nada. Não temos obrigação de dá presente em datas estipuladas pelo comercio. Eu senti falta muitas vezes, é certo, mas aprendi a entender. Não estou dizendo que não posso presentear pessoas atualmente, mas independe do natal. O lance é que nos sentimos influenciada por esse espírito, ta chegando fim do ano mesmo, aí vem aquele espírito melancólico de o tempo ta passando.

Se você como eu não liga muito para esse negócio deve aproveitar o natal como eu. Lanchando na casa de algum amigo ou assistindo filmes, porque dormir não dá, já que todos nossos vizinhos estão acordados ouvindo aquele somzinho, afinal há coisas mais interessantes do que ouvir a Simone cantar “Então é natal”. Por falar em filmes, sei que existem uns bem enjoadinhos, mas tem uns maravilhosos que eu adorei e recomendo.

a)      Edward – mãos de tesoura: Quem não assistiu este filme? Acho que todos. Johnny Depp, naquela história mágica, sinistra, linda e emocionante;

b)      O estranho mundo de Jack: É animado e de Tim Burton o mesmo diretor deste acima, então já dá p imaginar que não podia ser diferente. O filme é maravilhoso com o famoso” que é isso?”. O encontro de Jack com o natal mostra como nem sempre dá certo esse lance de negar sua cultura. Tem momentos super empolgantes como “Pega o papai Cruel, bata ele bem, deixa ele descansar na linha do trem”;

c)      Esqueceram de mim: Me dêem desconto. É uma bela lembrança da infância. E vamos e convenhamos era super divertido ver o Joe Pesci apanhando para a o Calkin. Prova de que a inteligência é superior à força.

d)      Simplesmente amor: Uma comédia romântica de múltipla história lindíssima. É sim aquele que tem o Rodrigo Santoro. É bom para relaxar e pensar no amor;

e)      O Grinch: È Jim Carrey mas não dá para saber que é ele, um ser que vive no lixo. Uma das melhores críticas ao natal. “Vocês onde vai parar esse monte de presentes que vocês compram todo ano? NA MINHA CASA. NO LIXO?”.

f)        Os fantasmas contra atacam: Como sempre é ótimo ver o mal humorado Bill Murray num papel mal humorado, criticando também o natal e ao mesmo tempo fazendo uma análise sobre sua vida passada e futura. É ele vive viajando com a ajuda de fantasmas no futuro e no passado, já dá para saber porque eu gosto né? Sou fã de viagem ao tempo;

g)      Enquanto você dormia: uma das minhas comédias românticas preferidas. Uma história simples, sem grandes pretensões, mas tão singela. Dá uma paz muito grande ver aquelas trapalhadas. Bill Pulman e Sandra Bulock, geralmente sem sal, fizeram um bom casal;

h)      Feliz Natal: taí um típico filme que pelo título deve-se imaginar que se trata de uma história boba, mas se trata de um delicioso filme francês. Assisti recentemente essa história que fala sobre a primeira guerra mundial, em uma noite de natal em que escoceses, alemães e franceses, dão uma trégua e comemoram juntos o natal. È aquela história: amanhã eu te mato, mas hoje vamos cantar “Noite feliz!!!”. Se a grana tiver curta, assista pelo menos este.

É, não tenho muita opção para dezembro, a não ser ficar andando de confraternização em confraternização, comendo, dançando, e me divertindo, ou fazer uma caridade que deve ser feita o ano todo. Mas é que só em dezembro a gente tem um dinheirinho por causa do 13°. Xi, ia esquecendo, não tenho isso. Então plagiando a idéia do meu amigo Aarão (veja http://bibliomutante.wordpress.com/2007/12/11/colabore-com-o-meu-natal/), convido você cristão a alegrar

meu natal.

 

 inspiração: Ah não preciso falar né?

Gerlandy Leão

 

arte_flor-04.jpg

Na frente do Cruzeiro no centro do único cemitério público da cidade, depois de se benzer acendeu a vela e a deixou queimando perdida entre tantas outras que procurava iluminar o caminho das almas até chegar ao céu. Aquele não era um lugar agradável para uma criança, com tantas pessoas chorando, velas pingando, sepulturas abandonadas, cachorros perebentos e muro caído. Melhor seria está em casa assistindo algo na TV ou mesmo brincando na rua com os demais coleguinhas. Mas ela precisa estar ali e cumprir o combinado. Só tinha 11 anos, mas sabia que deveria cumprir as promessas feitas. Segurando a coroa de flores esperava a vela terminar de queimar até última gota de parafina.

 

 

A menina apresentou o trabalho na escola para a disciplina de Artes no tempo em que esta ainda acompanhava as datas comemorativas e feriados nacionais. Devia homenagear os mortos em finados e suas flores feitas com papel crepon se destacaram por terem sido feitas com muito cuidado e por exibir um bom acabamento.

 

Uma vizinha risonha, varria a calçada quando a viu chegar com as flores em suas mãos, agradando-se muito pediu para aprender. “- Vou fazer uma coroa dessas flores para catatumba da minha mãe, me ensina?”. Apesar da senhora não oferecer nada pela ajuda a menina gostou da idéia, afinal de contas ela fazia as cocadas mais gostosas do mundo, assim poderia quem sabe se tivesse sorte, comer uma todo dia gratuitamente.

 

 

Dona Francisquinha era uma viúva que vivia sozinha com seu papagaio há muitos anos. Vez ou outra recebia a visita da filha e dos netos. Era aquela senhora amada e odiada ao mesmo tempo pelas crianças da rua. Amada por ter as melhores goiabeiras da região, pelos bombons e roupas que doava, pelas historinhas que contava, pelo abraço macio depois da simulação de uma palmada e pelo cheiro doce que exalava. “- Ela cheira a cocada e goiabada”, diziam as crianças. Mas odiada exatamente por não deixar as crianças “roubarem” as goiabas. Só quando tivessem maduras, mas meninos não esperam e organizavam a subida nas árvores escondidos dos olhos dela. Quando eram surpreendidos eram denunciados aos pais. “- Essa velha fofoqueira” e esqueciam do cheiro de doce. Mas ela sempre conseguia uma trégua, criança, diferentemente de adulto, não guarda rancor por muito tempo.

 

 

No primeiro dia de confecção das flores, Dona Francisquinha brigou porque ela não fez o sinal da cruz diante da imagem de Nossa Senhora pendurada na parede da sala. “-Meu Deus, aonde chegaremos? Minha filha você ainda é pagã?” perguntou à menina recebendo como resposta apenas uma mexida de ombros da e a boca torta como se não entendesse o que dizia. A garota mostrava empenho em ensinar a arte que criara, “dobre o papel assim, corta aqui, enrole assim”. Como imaginara, todo dia tinha um doce, mas tinha também uma mensagem nova.

 

 

Uma vez reclamou porque ela estava descalça, chamando atenção que aquilo deixaria seus pés feios e os rapazes jamais se interessariam por alguém de pés tão relaxados. “ – Por falar em rapazes” prosseguia, “- Já está na hora de deixar de andar com tantos meninos brincando pela rua ou pelos campos. Parece mais um macho do que uma menina”. Reclamava com as roupas que vestia. “- Minha filha você tem que se civilizar. Já ta na hora de usar um corpete”. Ela ouvia com atenção e sem silêncio enquanto apertava a pétala de uma flor.

 

 

Em poucos dias foi percebendo que a senhora só cuidava da casa e não mostrava nenhum interesse em aprender. “-Vai fazendo aí minha filha, vou ver aqui o feijão” ou “-Vou só varrer a casa”, ou então “-Olha! ta serenando, vou tirar a roupa do sol”. E a garota se irritou, só falou para a mãe que não ia mais. A velha tava fingindo que desejava aprender, mas ela queria era trabalho de graça e que fizesse a coroa para todos os parentes falecidos dela. A mãe perguntou pelos agrados que a senhora fazia e ela dizia, “- não paga mamãe, não paga”.

 

 

Deixou de ir. A casa de Dona Francisquinha estava repleta de papel recortado, mas ela simplesmente deixou de ir sem explicar o motivo. Até pensou em dizer: “- A senhora não quer aprender, só quer me explorar”, mas não recebeu nenhuma pergunta. No sábado a noite, a velhinha passou na casa dela e entregou-lhe um rosário. E fingiu que não percebera sua ausência e a convidou para tomar café da manhã no domingo, pois tinha uma surpresa. Café da manhã na sua casa era irrecusável, já podia imaginar a fartura da mesa.

 

 

De manhã cedo estava à porta e foi recepcionada pelo sorriso da senhora. Depois de se deliciar com as guloseimas juntamente com os netos de Dona Francisquinha que a visitavam naquele domingo, foi chamada ao quarto e recebeu um embrulho que continha um vestido. Não era uma cor que a agradava muito, mas presentes sempre eram bem vindos. Depois de vesti-lo viu pelo espelho que estava bonita. Agora só faltava amarrar o cabelo e calçar a sandália. “- Está linda. Ta parecendo uma mocinha de verdade”. Aproveitando o ensejo, convidou a garota para passear e mostrar a roupa nova pelas redondezas. De novo aproveitando o caminho, a levou à igreja. E durante o caminho falou sobre os santos, sobre os evangelistas, sobre como os bárbaros foram civilizados pela Santa Igreja Católica, sobre o céu, sobre o inferno.

 

 

A menina continuava calada ouvindo atentamente a velhinha que se mostrava empolgada em ter quem a escutasse. Repentinamente lembrou-se de perguntar por que os mortos precisavam de flores já que não podiam ver “- É claro que podiam”. E recomeçou a falar sobre céu, que as flores agradavam aos mortos porque embelezava e dava paz e que os hereges acreditavam que podiam dá até comida aos mortos, mas isso era errado, o certo era oferecer flores e acender velas às pessoas que amamos, pois mesmo que os vivos não pudessem vê-los eles se agradavam muito. “- Por isso preciso de suas flores, agora entende?”.

 

 

Encorajada novamente a menina percebeu a sua missão e resolveu voltar com a velhinha para sua casa e terminar o trabalho que começara. Ao chegar em casa admiraram-se com as flores e demais papeis amassados e jogados no saco de lixo pela filha que aproveitava a visita para fazer faxina. Depois de reclamações a filha pergunta o que a mãe queria com aquela porcaria, pois seu pai, sua avó, seus tios, mereciam homenagens mais belas. “- Por que não compramos as flores?” A velhinha dizia que elas estavam muito caras. A filha insistia que tinha dinheiro, mas ela preferia não. A filha continuava “- por que não leva as flores do seu jardim”, e a mãe explicava que não era justo matar para oferecer aos mortos. O jardim já estava tão belo e ela teve tanto trabalho para vê-lo daquele jeito, que continuasse assim. E o papel era sem graça, já estava morto, já havia matado uma árvore e ganhava vida através da forma que recebia das mãos da garota. Por isso ela havia amado tanto as flores de crepon.

 

 

Recomeçaram o trabalho apesar do desperdício de vários dias de trabalho que foram para a lata de lixo. E prosseguiram, menina modelando as pétalas, a velhinha com outros afazeres, mas sempre contando alguma história, ou dando alguma sugestão para sua vida. Um dia a menina encontrou dona Francisquinha chorando na cama e lhe perguntou o que tinha. Ela disse que não era nada, só estava com medo de não dar tempo terminar as coroas, pois o dia dos finados estava próximo. Se não terminasse ia ter que arrancar as flores do jardim. A menina prometeu que terminaria tudo a tempo e que iria ao cemitério decorar o lar dos mortos juntamente com ela. A velhinha a abraçou com seu cheiro doce e a avisou que tanto a morte como a vida deveria ser valorizada e respeitada.

 

 

No dia seguinte a garota foi acordada pela mãe, “- Filha, como Dona Francisquinha diria para alguém que uma pessoa morreu?”. Ela pensou, mas disse que provavelmente ela diria que havia dormido o sono profundo, ou descansado, ou ido ao encontro de Nossa senhora… “- Pois foi isso filha. Dona Francisquinha foi ao encontro de Nossa Senhora”. Além do susto, veio aquela sensação do que sentir, do que fazer. Era a primeira pessoa próxima que via morrer. Sabia que sentiria muita falta, mas pensava por que ela se afeiçoara tanto e nos últimos dias se intensificara mais.

 

 

Então era isso. Dona Francisquinha sabia que estava morrendo e tudo que queria era uma companhia. Por traz da história das lindas flores, havia muita coisa. Ela queria deixar seu ensinamento sobre morte para alguém, queria valorizar aquele trabalho que fazia, mesmo sendo tão sem graça. Agora ela olhava as flores de papel e não via nenhuma beleza, a não ser pelas próprias palavras de Dona Francisquinha de que se tratava em dar vida a algo morto. De fato ela queria a coroa para si. Por mais que falasse que acreditava que os mortos podiam ver, na verdade queria estar viva para ver como alguém se dedicaria a algo para ela. No fundo a velhinha duvidava de tudo o que aprendera durante a vida sobre a morte. Ela não queria ver quando morta, queria ver agora. A menina sabia que a velhinha morrera acreditando que ela cumpriria a promessa e valorizaria o que havia feito em vida ao entender que vale muito mais do que homenagens póstumas. E agora a velhinha sabia que a filha talvez em cima da hora compraria algumas flores anualmente, já que ela tinha dinheiro.

 

 

Algumas pessoas apareceram no velório, outras foram ao cemitério e a menina não se desgarrou de sua coroa. Ficou de longe visualizando as homenagens enquanto aguardava a vela queimar no Cruzeiro. Depois que todos saíram da sepultuta aproximou-se e deitou a coroa de papel em meio a tantas rosas e outras flores belas. E entendeu que a velhinha não era um jesuíta a civilizando, mas uma pessoa que dizia: Acredite duvidando.

 

 

 

 

Inspiração: Ainda estou movida pelo sentimento mórbido do início do mês de novembro. Juntei características de três velhinhas que conheci.

 


 

Nomes: Só tem um mesmo. Como já falei e falarei, quando necessário citar nomes utilizarei nome de avós e/ou bisavós paternos ou maternos para não correr risco de parecer coincidência, ou porque meu repertório de criatividade para nome é fraco mesmo.

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