eu voltarei he-man

Explico já

Gerlandy Leão

viagem_rio 027

Porque quem tem amigo no Brasil todo e não tem dinheiro para visitá-los, é só marcar em algum momento, em alguma conexão. Nossa amizadeé alimentada por nos conectarmos e nos vemos assim.

Obrigada amigos

Gerlandy Leão

Minha cadela deu cria em véspera do dia das mães. Confesso que não é uma cena agradável de se ver. Ela teve uma gravidez fácil e manteve o corpitcho enxuto, e foi exatamente por isso que fui surpreendida no meio daquela tarde. Estava meio tristonha e procurando um lugar pra ficar. Nem me toquei quando percebi que  ela não quis o almoço e ainda vivia invadindo meu quarto. “Pichuleta! Saia já daqui”, mas ela não queria sair tão facilmente debaixo da minha cama. Depois de vários gritos em cima dela,  resolve se retirar com um filhote pendurado. Eu havia interrompido o nascimento do seu filhinho. Óbvio que sensível como eu sou, aquela cena me chocou e simplesmente não sabia o que fazer.  Pensei ver  um aborto espontâneo.

Entre choros e gritos, minha irmã chega da rua e me acode (a mim, porque eu estava nervosa), enquanto nossa cadelinha  dava um show de segurança. Nascido o primeiro filho, minha irmã resolve me deixar sozinha mais uma vez . Burrice nossa, uma cadela não dá a luz a um só  apesar da barriga pequena. E lá vem a cadela desesperada enquanto os dois filhotes gritavam também. “O que é Pichuleta? Vai cuidar dos teus filhos” . Sei que ela tava tentando e  a via com um carinho todo especial beijando os filhotes, mas ao mesmo tempo sentia seu desespero. Essa cadela me deu trabalho, gritava e subia em cima de mim com um olhar de dor. No meio do desespero ligo para a louca da minha irmã aos berros: “ela vai morrer, ela ta sofrendo” e a insensível tenta me confortar: “ela sabe o que fazer”. Sei, elas sempre sabem o que fazer, mas parecia não entender o que a natureza fazia com ela e eu muito menos. Em vez de lhe dá a mão , apenas chorava e ligava para minha mãe e a desnaturada de minha irmã. No final das contas ela teve 6 filhinhos lindos. Até hoje estou chocada com aquela imagem de dor.

Agora, no mês de maio que homenageia as mães, apesar de ter passado o segundo domingo de maio, fico pensando sobre a maternidade. Ontem estive em uma programação da igreja em homenagens às mães e achei algo curioso. Muitas canções, frases e homenagens diversas se limitam a agradecer à Mãe pelo sangue, por carregar na barriga. E fiquei pensando como é equivocado. Para mim o espírito materno não está em carregar criança no ventre. Lembrei na hora da minha cadela e como senti medo mesmo de dá cria a um ser. Lembro da dor que  ela sentiu e imagino o quanto deve ter sido traumático no entanto ela não  tem sido atenciosa e fica fugindo dos pirralhos. Prefere dormir longe deles, talvez por isso seus cãezinhos  tenham falecido . A coitada ta magra e sem força de cuidar deles. Às vezes a admiro pela força que teve na hora de parir, outra hora eu não entendo porque ela não se mostra uma mãe mais atenciosa. E é por isso que fico pensando na maternidade e não cultuo esse lance de “sou sangue do seu sangue”.

Posso até parecer desnaturada, mas esse espírito materno não me encanta  apesar de achar a   gravidez muito bonita. Penso em ser mãe, mas não necessariamente em carregar alguém em mim. Penso nas possíveis desvantagens de se carregar uma barriga. Estava dando uma zapeada na net no álbum de algumas conhecidas grávidas e poucas conseguem se manter belas. E posso parecer insensível e/ou fútil (os que me conhecem sabem que não sou), mas 9 meses de gravidez implica pelo menos 3 retoques a menos da minha raiz, mais os meses que amamentarei, querendo ou não isso vai mexer sim na minha auto-estima. E o incômodo de levar aquele barrigão para cima e para baixo. Apesar de errado adoro dormir de bruço, onde colocaria o bucho quando estivesse deitada?

Confesso que se eu descobrisse hoje que não herdei os genes da Dona que  convivo há 27 (ou seja, minha deusa, minha rainha, minha linda mãezinha), eu não morreria. Ouço falar da importância do ventre, dos cuidados na barriga dentre outros, mas minha lembrança mesmo (e olha que minha memória é ótima) é de quando era criança. Não consigo lembrar de está mergulhada em algum lugar especial onde era alimentada ou ouvir alguma musiquinha. Recordo mesmo das brincadeiras, dos cuidados.

Meu instinto materno está mais em cuidar do que contribuir com genes. Aos que me conhecem sabem que não é novidade que tenho uma irmã adotada e que também penso em adotar uma criança depois dos 30 anos. A experiência de ser irmã de alguém que não tem meu sangue foi muito importante , meu amor por ela mesmo não sendo de mãe ultrapassa qualquer relação com o sangue. Quero ser mãe, mas não necessariamente parir, o que não quer dizer que não vá engravidar. Só digo que não é minha prioridade, não estou planejando barriga, mas se um dia me dê na telha que vai me fazer bem engordar um pouco mais e ter umas estrias a mais e sentir um chutinho dentro de mim, talvez eu opte por isso.  Ou se me der uma doida e eu passar a valorizar os genes, talvez faça como a Sarah Jessica Parker e MAthew Broaderick e contrate uma mãe de aluguel. Xi, havia esquecido um detalhe, não tenho a grana que eles têm.

Deve ser por isso então que não resumo a  importância por ser sangue do meu sangue, assim como não resumo a importância do pai por ser doador . Fosse assim  o Bicó que rodeou a Pichuleta por vários dias para conquistá-la e impedi – la de conhecer alguém legal, seria um grande pai e estaria ao seu lado enquanto os filhotes nasciam, no entanto esse cachorro fazendo jus a sua espécie não se deu ao trabalho de tentar saber como ela estava . Ludibriou nossa  inocente cadela e sumiu no mundo. Agora ela se vira, bem que ela poderia ter largado por ai ou ido atrás dele o obrigando a cuidar das crias “toma que o filho é teu”. Mas não faz isso, apesar de assustada e parecer desnaturada, ta levando pouco a pouco.

Ser mãe é muito belo e admiro e aplaudo a todas que levam esse exercício e embelezam a vida.

Gerlandy Leão

aniversario

Maio é um mês muito especial para mim, mas o dia 25 em si não é tão marcante assim. Parece que adiei minha comemoração para o dia 24 desde quando meu irmão nasceu um dia antes deu comemorar um aninho. Depois disso, não tenho lembrança de festejar no dia 25,  nem mesmo meus 15 aninhos, esse foi comemorado um dia antes. REfaço as contas e lembro que muitas pessoas que gosto são desse mês e parece que de tanto comemorar junto com as demais o dia 25 acaba ficando sem graça.  Estou muito feliz, independente do dia 25 me sinto privilegiada pelas pessoas especiais que estão ao meu redor,  lembrando ou não. Este ano não foi diferente, acabei comemorando alguns dias antes da data oficial fazendo algo que eu amo, brincar com as amigas, comer,  dançando entre outras coisas. Tô muito feliz mesmo.

Hoje então é um dia qualquer e já sou feliz. Em todo caso, hoje ganhei uma folguinha em plena segunda-feira e  como não dá p correr para uma farrinha acabei ficando em casa mesmo descansando e vou já sair com a família para comer um bolo, coisa bem leve.

Algumas datas interessantes deste dia segundo o Wikipedia

Gerlandy Leão

Roseana desesperada

Roseana desesperada

Relia O príncipe pela enésima vez quando foi interrompido com a batida na porta de sua biblioteca particular:

– Ela chegou e está chorando.

Friamente fecha o livro e levanta-se em direção a outro compartimento da casa. Enquanto a escuta chorando consegue recordar uma das muitas vezes que a viu reclamando. Em especial, lembrava-se de um evento ocorrido há décadas quando a viu correr aos berros:

– Papaaaaaaaai. Ele roubou, ele tomou , ele levou de mim as bolinhas.

O senhor assusta-se com os gritos da menina e tenta acalmá-la em vão, pois a mesma não parece ouvi-lo: – Eu quero papai, eu quero todas as minhas bolinhas de volta. Depois de muitas lágrimas a garota explica ao pai que perdera todas as bolinhas de gude numa brincadeira na rua. O pai a conforta: – Não se preocupe. Vamos recuperar o que é seu de direito.

Segurando-a firme vai em direção do grupo de meninos que comemoravam a vitória e dividiam entre si a grande quantidade de bolinhas conquistada na brincadeira. Diplomaticamente convida ao grupo que devolva os objetos de sua filha:

– Dela nada. Falou um menino mais esperto. – Nós conseguimos com nosso esforço. Agora é tudo nosso.

Nesse momento a menina que até então observava atenta ao diálogo apenas entre soluços, solta gritos desesperados: – Tá vendo papai? Ta vendo? Eles nunca me devolverão.

O senhor ainda com paciência tenta dialogar com os meninos: – Não estão vendo como deixam minha menina? Eu até ofereceria outros brinquedos a ela, mas sei que não aceitará pois não admite perder.

– Não devolveremos nada. Retruca o garoto. – Ela que chora o que já choramos. Sempre a deixamos ganhar com medo dos seus gritos e porque às vezes ela nos comprava com algumas balas vencidas. Mas isso acabou. Não somos mais bestas. Descobrimos que se tivermos bolinha , poderemos negociar e ganhar muito mais.

Já nessa hora o senhor inquieta-se. Alisa o bigode com a mão esquerda, descendo pela boca até o queixo enquanto pensa em uma solução e propõe:

– Eu posso pagar pelas bolinhas, só quero que…

– Ah! O senhor não entende. Jamais nos renderemos. É interrompido pelo garoto. – A graça está exatamente em vencer a garota. Finalmente percebemos que na rua todos tem condições de brincar por igual sem ceder às suas chantagens.

A menina se aproxima do pai e escuta dele que realmente saiu no prejuízo naquele jogo, pois havia acontecido uma injustiça quando todos se reuniram para derrotá-la. Perplexo, o garoto indaga tentando defendê-los:- Desonestos?!?! Jogamos conforme as regras, mas nossa adversária em comum era a chorona.

– Aí que está meu filho. Isso não é certo. É ilegal e imoral.

-Ilegal? O senhor está esquecido das vezes que jogou ao lado dela e fazia o raspa em toda a rua? Por isso não perdiam uma partida. E os bombons? Esqueceu dos bombons que nos ofereciam? Argumentou o menino.

Parecendo não ouvir o que o garoto dizia, enxuga as lágrimas da garota e a tranqüiliza: – Tá vendo filhota? Eles estão desesperados, mas o papai tem tudo sobre controle. Se eu fosse dono do mundo, dono do mar eu te daria, mas só mando na rua…

– O senhor não é dono da rua. Altera-se o garoto.

O pai entra em casa e sai segurando 2 cachorros enormes , enquanto o funcionário segura outros 2, dirigindo-se até o grupo de meninos: – Passa já as bolinhas ou solto os meus cães. Amedrontado, o grupo tenta proteger-se sem obter sucesso, não vendo alternativa a não ser correr, depois de verem arrancadas de suas mãos o objeto de discórdia.

– Toma filhinha, a justiça finalmente foi feita. E vira-se para a meninada assustada na porta de suas casas: – Ninguém nunca mais brincará na rua, só que não fizeram montinho para vencer a garota guerreira. Isso será impedido pelos meus fiéis cães. Ousem desafiá-los e serão destroçados.

A filha retorna para casa saltitante agradecendo ao pai: – Guerreira papai?

Muitos anos depois ele a vê chorando depois de perder as eleições estaduais. Parecia a mesma garotinha guerreira de sempre que se senta e chora: – Eu perdi papai, perdi.

O senhor, agora velho a abraça e a conforta:

– Filhinha, ainda não sou dono do mundo ou do mar, mas você sabe onde eu mando. Tenho uma quantidade enorme de cães fiéis. Ainda tem dúvidas? A justiça será feita.

A guerreira sorri e agradece.

Observação: qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Gerlandy Leão


Pouco a pouco consigo lembrar, mas é difícil me concentrar em como vim parar aqui ou para onde deva ir. Minha respiração está fraca e me sinto engasgada pelo líquido vindo de dentro para fora. Tem um sabor conhecido, me lembra um alimento que ingeri há pouco. Respiro, ou melhor, tento respirar e o ar me falta. Meus olhos estão quase cerrados , mas luto para mantê-los abertos. Tenho a sensação de que se os fechar será para sempre. Olho ao redor e reconheço um banheiro. Como vim parar aqui? Avisto meu corpo estendido e concluo estar morrendo. Como ainda tenho segundos para pensar? Quero me movimentar e pedir socorro. Que sabor horrível nos meus lábios. Quero gritar, mas não consigo proferir um som. Que sabor horrível. Agora lembro de um barulho. O som desse barulho me incomoda, da mesma forma que esse sabor horrível nos meus lábios. Minha garganta aperta, meu corpo dói. Lembrei da dor, lembrei do barulho. A dor no corpo é devido à queda e aqui fiquei com o corpo jogado no banheiro. Tenho que levantar, mas mal consigo respirar. Ouço passos se aproximando. Será socorro chegando? Abriu a porta e se assusta a me ver. Eu a encaro e não sei por que misturo o sentimento de medo e esperança. Por um momento penso que ela me aliviará a dor. Ela vai me socorrer? Não. Sai gritando. Consigo lembrar algo mais antes da queda. Que sabor terrível, ai meu corpo. Não posso esperar muito tempo aqui, será meu fim. Finalmente consigo levantar meio cambaleante arrastando-me até a sala quando já não resisto e caio novamente, mas dessa vez dói menos. Ela está em cima do sofá gritando e eu me arrependo daquela mordida que trouxe a morte para dentro de mim. Agora o veneno corre nas minhas veias e estoura tudo o que é vida que encontra em mim. Falar em vida, agora entendo essa imensa dor no pé da minha barriga. Em pouco tempo não estarei mais aqui. Não consigo levantar mais os olhos e lá está o vulto embassado gritando com medo de mim. Foi ela que me envenenou por medo de mim. Tudo culpa minha porque não tive medo antes. Só temo pelos filhotes dentro de mim. A essa altura não consigo mantê-los vivos. Não conseguirei nem manter-me viva. Acho que existe um céu. Em breve eu os reencontrarei. Jamais imaginaria que naquele pedaço de queijo havia raticida. Agora estou agonizando e breve estarei morta e ela nem me alivia a dor. Está lá em cima do sofá  enquanto me atormenta mais com seus gritos desesperados. Não consigo lembrar de mais nada, não recordo minha história e ninguém. Onde está o filme no fim da vida? Quem chorará por mim? Só sei que estou aqui, despedindo-me da vida. Estou morrendo, morrendo.

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