maio 2007


Gerlandy Leão

 

Ser acordada no meio da noite com a mensagem de parabéns e desejo de felicidade é muito bom. Era dia, embora escuro, quando comecei a repensar sobre minha vida. Eu pensei nas pessoas que fazem e fizeram a minha vida, penso nos familiares, colegas, vizinhos, amores, amigos… penso nos rostos que só eu conheço, penso nos rostos que não conheço. penso nas pessoas próximas e nas pessoas afastadas, estas eu classifico em três grupos. Aquelas que se foram, isso mesmo, as falecidas, aquelas distantes geograficamente e aquelas distantes emocionalmente. A ausência de ambas me incomoda.


Das que não respiram mais o mesmo ar que eu, dói a certeza de que nunca mais as reencontrarei para receber um abraço, para conversar e fazer várias atividades juntas. Sei que não mais as verei, pois embora não seja atéia, não creio na ressurreição. Não creio em um reencontro no futuro onde o mundo será melhor sem dor e a perda de entes queridos, portanto um adeus definitivo já foi dado a nomes que eu não esquecerei jamais.


Das pessoas que estão separadas geograficamente, a dor é parecida, mas alividada pela sensação do reencontro. Suas presenças me fazem feliz, me deixam alegre ou mesmo que me pertubam. Fica agora só a torcida para que chegue o dia que eu possa novamente ter próximo a mim as sensações que me agradam com a presença dessas pessoas queridas.


O grupo das pessoas separadas emocionalmente me incomoda muito mais porque não tenho certezas, posso vir a voltar a falar mas posso nunca mais manter contato. É como se de algum modo eu fizesse uma reflexão e sentisse que tivesse falido como ser humano. Me incomoda saber que alguém que já conviveu comigo hoje prefira distância ou em outro caso, eu preferir distância de alguém que eu tenha amado. Me cobro por que não tentei mais para que eu pudesse dá certo como amiga. E foi exatamente este grupo que mais me preocupou esta noite.


Próximo de mim estão aqueles que lembram de mim e fazem de tudo para continuar próximos e expressarem o que sentem, tem aqueles que não lembram de dizer que gostam de mim (mas eu não tenho nenhuma duvida disso) e têm aqueles que fazem questão de não dizer porque vai contra os princípios religiosos. Com isso concluo que cada pessoa tem o seu jeito diferente de me amar. Sei que um desejo de feliz aniversário não é prova de amor, mas a quem lembra de mim me sinto lisongeada, aos que esquecem eu perdôo aos que se recusam (embora me amem) eu martelo a cabeça.


Tudo bem que eu tento ser tolerante e respeitar as questões religiosas de todo mundo, mas vamos e convenhamos, o que Deus ganha impendindo que você comemore com o seu amigo? a resposta que recebi foi que a gente tem que pensar em Deus e no momento que a gente comemora aniversário a gente desvia o pensamento do ser supremo para o ser humano. O argumento é fraco me fez pensar também.


Hoje o raio solar trouxe conforto, mas inquietações. Eu me perguntava se era odiada e comprovei também que sou querida. E cheguei a uma conclusão quanto a Deus não gostar da gente comemorar aniversário. É que ele não tem amigos sinceros como eu tenho, ele tem ciúme do que nós temos então faz ameaças. Ele quer que pensemos nele o dia todo, que o louvemos a cada respirar pois senão nos castiga. Ele criou anjos que não têm outra função senão louvá-lo e o homem com livre arbítrio (mesmo com uma opção) para que também apenas o louve. Eu não gostaria de ser adorada o dia todo, por todo o mundo e nem me sentiria ofendida se um deixasse de me adorar, mas desde que fosse por livre arbitrio e não por medo de outro.


Parece confuso, mas resumidamente, eu sei que sou diferente dele. Bem não estou com blasfêmia, não quero comprar briga. Não imponho uma forma de amar só quero respeito e sinceridade. Deus quer que o amemos acima de tudo, eu só quero ser amada, não importa a intensidade ou comparação com outros. E eu me sinto feliz porque sei que tenho amores sinceros. Não faço terrorismo caso não seja lembrada e também não digo o palavrão em forma de verbo conjugado na terceira pessoa do sujeito indeterminado (o famoso foda-se) para os que não me amam.


Sou feliz pelas pessoas que amo e que amei, pelas pessoas que me amam e me amaram. Sei que é sincero pois não tenho poder divino para castigar ou abençoar as pessoas. Não só no meu aniversário mas todos os dias acordo feliz, mas hoje é uma data muito divertida. Acho que deve ser por isso que Deus se zanga, ele não aniversaria, não recebe carinhos sinceros, não recebe ligações espontâneas, a não ser das pessoas pedindo algo em troca ou daquelas com medo de um raio em sua cabeça.


No fundo no fundo eu tenho pena de Deus. Ele não aniversaria porque é eterno, então seria terrível contar seus dias. Deve ser chato ficar vendo ao longo desse tempo as pessoas se distanciarem, as pessoas morrerem e você lá intacto.

A minha saudade é tamanha que não aguentaria viver eternamente sem as pessoas que eu amo, por isso hoje quando eu faço ¼ de século sinto-me alegre por saber que estou vivendo e aprendendo, pois não sou um ser acabado e perfeito e aprendo com as boas e as más situações e principalmente com os amigos, eles embelezam a vida.


Agradeço a todos e faço uma releitura de Goethe “Mundo! que és tu para um coração sem AMIGOS*?

*amor

Inspiração: Meu aniversário também, não queria perder a oportunidade de escrever algo hoje. Ele que se recusa a comemorar comigo minha data especial. Ah! e Deus, no fundo no fundo ele é um cara legal. É o pobre menino rico.


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Gerlandy Leão

 

Não lembro a primeira vez que a notei, nem porque nunca perguntara sobre a sua origem. Demorou cerca de um ano para que eu ouvisse algo a seu respeito. Só sei que era impossível está no quarto e não percebê-la. Eu sempre me admirava com aquela frase incompleta no quarto dele. Provavelmente foi escrita com um corretivo, a frase é interrompida por um adesivo que cobre as duas últimas palavras… “Não me deixe pois…”. A palavra pois é uma conjunção que liga frases, portanto pede uma resposta ou explicação. Não se termina uma frase com “pois”, a não ser em “Ora, pois” . Por que será então que estava incompleta? O que viria, afinal, abaixo daquele adesivo? Hoje recordo disso e me acho tão desligada, parece tão óbvio a resposta.

 

Sempre foi assim o nosso triângulo, ele, a frase e eu. Todos os dias por tantos meses ela estava conosco, imexível, intocável. “Não me deixe, pois… Não me deixe, pois…”. Enquanto eu estivesse no quarto, em algum deslize meu, olharia para a porta e tornaria a ler. Creio que ele nunca percebeu minha curiosidade, com certeza nunca me percebeu perdida olhando-a. Mas parecia inconsciente, não que me incomodasse a sua presença ou me importasse em saber a resposta, mas me incomodava o fato de não ignorá-la e sempre lê-la. Era impossível não notá-la.

 

Em um dia simples estávamos deitados no chão e novamente me vi lendo a frase, mas lendo não mais apenas em pensamento, minha leitura foi sonorizada. Ele me perguntou o que eu havia falado, então o indaguei : Não me deixe pois o que? Rapidamente ele respondeu numa simplicidade, pois te amo! e continuou a sua conversa, falando outro assunto. Me senti gélida, assustada e sem nenhuma reação. Ele que já me conhecia suficiente para saber que eu preferiria tirar minhas conclusões a perguntá-lo , resolveu falar que uma ex namorada havia escrito a frase. As únicas palavras que consegui externar depois disso foi: coitada! e você a deixou…

 

A partir de então comecei a viajar em meus pensamentos e mesmo que quisesse não poderia ignorar sua presença no nosso quarto. De repente ela deixou de ser uma mera frase incompleta para se tornar alguém. Seu nome eu não sabia e nem queria especular. Agora o que eu me perguntava era o que então essa frase ainda fazia na porta de seu quarto? por que não fora apagada? qual o valor dela em sua vida? O que a frase o fazia recordar? Teria sido ela que escrevera a frase para ele ou não seria o inverso? às vezes eu pensava que em algum momento de dor e sofrimento ele mesmo tenha escrito como expressão de amor e agora não poderia apagar porque ainda sentia-se preso. Arrancá-la lhe causaria dor e ainda deixaria marcas tal como uma tatuagem. Por que seria que a dona da frase então não estaria mais ali?

 

É, realmente pensei. Ela não estava mais ali. Achei-me tola por me preocupar com isso. Eu não tinha nenhuma frase pichada em suas paredes, mas sempre tentava lembrá-lo com um TE AMO. Espero que ele nunca cole um adesivo por cima.

 

Inspiração: A frase existe mesmo

Gerlandy Leão

Jesus LEgalEu pensei que fosse católica. Tudo bem que não fui batizada, não fiz primeira comunhão, nem crisma. Bem, mas já pisei na igreja umas três vezes na vida, limpava diariamente uma imagem de São Francisco (não lembro agora se de Assis ou das Chagas) que meu pai tinha pendurado na sala de casa, até hoje faço o sinal da cruz frente a um cemitério ou de uma igreja, também já participei de uma procissão em homenagem à Nossa Senhora (também não lembro da santa, mas sei que era uma das mil mães que Jesus tem). Este foi o meu pouco contato com a igreja, mas eu sabia que isso era suficiente para responder a alternativa católica ao recenseador, caso ele resolvesse aparecer algum dia.

 

Bem, o Brasil leva a fama de país mais católico do mundo graças à pessoas iguais a mim, ou pelo menos levava, pois algo me diz que a vinda do papa ao país começou a mudar a minha vida. Com certeza foi gratificatnte para mim assistir 24horas de programação na TV, mostrando o papa sentado olhando as pessoas se apresentarem e o venerarem enquanto ele tentava recitar algumas palavras.

 

Com a vinda do papa soube que eu tava um pouquinho distante do que Vossa Santidade esperava de nós. Há algum tempo eu soube que ele era homofóbico, mas não pensei que a opinião pessoal dele tivesse que ser observada pelo resto da humanidade.

 

A vinda do papa mudou minha vida e ainda bem que a ciência está aí para reparar certos errinhos. Depois que eu fizer uma cirurgia pretendo viver a castidade como manda o figurino da igreja e assim que casar com o homem eleito por Deus, pretendo continuar observando às regras da igreja, fazendo valer a palavra de que haja ato sexual só com o propósito da criação. É que a terra está pouco povoada e existem tão poucas pessoas passando fome e com problemas na terra que devo ter filhos por mim, pelas freiras e pelos padres que fizeram voto de celibato. Sim, imagino que terei muitos filhos pois o modo aconselhado pela igreja para evitá-lo, a famosa tabelinha, parece um pouco inadequado para mim que não tenho o ciclo menstrual regular. Caso tenha uma gravidez sem está preparada, sei que a igreja vai me ajudar bastante e não apenas com sermõezinhos sobre amor, mas principalmente com dinheiro, porque para que gozaria a igreja de tanto luxo senão para cuidar de seus fiéis que de tão bom grado obedecem às suas modernas leis?

 

A vinda do papa mudou minha vida, ele veio me trazer mais uma opção de santo com a canonização do Frei Galvão. A vida de milhões de brasileiros mudou com esta informação. Graças a Bento XVI temos um santo desta terrinha, na verdade acho que o verdadeiro santo é o papa, pois foi um milagre encontrar um nessas bandas. Agora que ele permite vou preparar um altar para o frei. Como ele é novo, ainda não deve ter muitos devotos, assim a fila de pedintes não deve está grande e eu tenho mais chances de ter os pedidos respondidos. O legal da igreja católica é que embora se denomine monoteísta, ela nos oferece um leque de nomes para serem adorados, OPS! venerados (embora o dicionário afirme qie venerar é o mesmo que adorar e vice e versa). Então a gente pode pedir milagre para pelo menos dez santos de uma vez que a probabilidade de resposta é maior. Difícil é depois saber qual deles responderam à prece e como pagar a promessa? a gente pode não pagar com o pretexto de não saber ao certo que nos concedeu a bênção, boa desculpa, eles são bonzinhos, não vão se vingar como os deuses gregos.

 

A vinda do papa mudou minha vida porque mostrou que o nosso país é laico, tudo bem que o país quase parou para recebê-lo, mas o nosso presidente fez questão de mostrar que existe separação entre Igreja e Estado, tudo bem também que foi porque estava em frente dos jornalistas, mas eu acredito (tá finjo acreditar, poxa eu tento). Creio que se fosse um grande líder do Candoblé, do Vodu, ou evangélico, judeu, hindu, mulçumano, hindu, budista, espírita, etc., seriam bem recepcionados, com feriado e tudo, pois apesar de sermos o país mais católico do mundo (não esqueçam, iguais a mim) nosso amado país é laico (não esqueçam, como o presidente falou). Apesar disto V. santidade chegou como um fiscal, para checar como o país estava sendo governado e se as leis estavam contrárias à sua vontade. Só se interessou por um tal ministro que pretende discutir sobre aborto. Não recriminou a corrupção, violência ou outros assuntos.

 

A vinda do papa mudou minha vida porque ele veio como chefe de Estado, assim imagino que a conversa tenha sido muito proveitosa para falar sobre negócios, comércio, exportações embora eu não saiba o que o Vaticano tenha para negociar conosco. Mas confio no papa, ele não viria em vão.

 

O papa mudou minha vida porque me fez perceber que, ou me adapto às regras que nós damos um jeitinho de maquiar conforme nossos interesses ou devemos abandonar de vez essa fé. Creio que se para ser católico precisasse seguir todas a regras, a igreja perderia boa parte de seu rebanho, inclusive eclesiástico.

 

Eu pensei, pensei e achei mais fácil procurar outra religião, afinal somos pós modernos e temos muitas opções. inclusive para a fé. Sabemos que existe uma emisora que embora fale em um país de diversidade, insiste em tentar nos tornar iguais, e uma das maiores provas foi essa, pois mesmo sabendo que não condizemos com o que a igreja prega, procura declarar a fé por nós. Tal como na política ao almejar que votemos na mesma pessoa (mesmo falando em democracia), tal como nos aponta qual time torcer, um time do Rio tão falido como a igreja, ela espera que profecessos a mesma fé. IHHH! acho que a conversa tá ficando pesada, melhor parar por aqui, não quero tocar no ponto fraco das pessoas: Política, Futebol e Religião.

 

Mas vá em paz Bento XVI e volte sempre que quiser. A vida continua com sua partida e a gente vai tentar seguir os seus conselhos. Se nos esquecermos você retorna e nos relembra novamente.


Inspiração: Ora, ora, só podia ser o papa mais minha infância, não pdoeria perder a oportunidade né?

Imagem: JesusLegal, não sei de quem é, mas lembro que vi pela primeira vez no filme Dogma de Kevin Smith

Gerlandy Leão

 

As duas mães eram conhecidas de longa data, o que as faziam amigas. Tiveram filhos com pequeno intervalo de ano entre o nascimento. Com o tempo começaram a iniciar uma competição de quem teria o melhor filho. Mal se viam era possível detectar defeitos na criança alheia. E nenhuma queria ficar em desvantagem quanto a conhecimentos adquiridos por eles, ou seja, quando um era matriculado em alguma modalidade esportiva, logo o outro estava na companhia. Se o outro fizesse algum curso de idioma, o outro iniciaria dias após, eram atividades e mais atividades, dança, artesanato, teatro etc. Não precisavam ter dinheiro já que isso só ficava nos primeiros dias de curso, assim não pagariam. Estavam sempre espiando o que a outra fazia e já nem se falavam mais a não ser para saber pequenas informações onde o filho estudaria e frequentaria.

Um dia se reencontraram e cada uma começou a se gabar de como seu filho era lindo, criativo, inteligente etc. A primeira mãe resolveu mostrar as fotos que tinha feito no circo “Veja como meu bebê está lindo, aqui ele está ao lado dos macacos”. A segunda mãe rapidamente respondeu: “Nossa querida, que belíssimos macacos”. Esta precisaria urgentemente de fotos ao lado de qualquer outro animal, já sabia: iria visitar o zoológico.

Outro dia encontraram-se novamente e discorriam sobre a arte de ser mãe e como era bom ver o seu pimpolho crescer, iniciando, de novo, a sessão de apresentação de vantagens. “Você sabia que meu menino anda desde os nove meses de idade?” A outra sem perder tempo alfineta, “Sério? então uma hora dessas ele deve está longe né?”. Essas palavrinhas infames sempre desagradavam, mas ambas mantinham um sorrisinho, não podiam perder a elegância.

Quem não aguentavam eram os professores que ficavam em meio ao tiroteio quando ambas tentavam suborná-los para adquirirem preferência em apresentações ou outras atividades escolares, isto mesmo, embora seja uma blasfêmia falar isso, mas as mães podem ser corruptas também.

O destino quis que os pequeninos se tornassem colegas e como em toda brincadeira de criança é comum haver discórdias. O filho entra em casa aos berros “eu quero, eu quero meu brinquedo de volta. Ele quebrou meu brinquedinho”, “Mas que malcriado!” pensou a mãe furiosa e foi tomar satisfação com o moleque. A outra mãe, óbvio, não gostou nada de ver sua cria intimidada pela mulher e quis saber o que tava ocorrendo.

E começou uma confusão com frases: “você tem inveja do meu filho”, “o meu filho é mais lindo do que o seu”, “coitado dele”, “eu sou a melhor mãe do mundo”, “ o meu filho é a criança mais linda do mundo”, “ Eu soube que seu filho é tão malcriado que destruiu seu relógio” acusou a primeira mãe. “ E daí, eu o incentivo, porque ele vai ser um grande cientista, tem que aprender a ser curioso”.

Sem compreender nada, eles acharam melhor continuar brincadeira, e consertar o brinquedo quebrado em vez de serem espectadores daquela cena. As mães nem perceberam o entendimento dos meninos e continuaram com o arremesso de palavras. Foi necessário a interseção de uma terceira mãe para que elas se acalmassem.

Ora meninas o que é isso? O que vocês ganham nessa confusão toda? Creio que nenhuma seja melhor que a outra, ambas se esforçam para dá o melhor aos filhos. Em vez de trocarem tapas vocês poderiam trocar figurinhas de como serem ótimas mães. Vejam, seus filhos são iguais, nenhum é superior”. Envergonhadas as outras duas mães resolveram fazer as pazes e agradeceram a colaboração da colega. “Realmente aprendemos que ninguém é melhor, você nos ajudou muito, obrigada”. E saíram alegres para tomar um café e colocar papos em dia. A terceria mãe as olhava, enquanto se afastavam, mexendo a cabeça negativamente, sorrindo levemente, pensando consigo: “coitadas dessas mulheres, tão iludidas quanto aos seus filhos. Elas não sabem que o menino mais lindo do mundo é o meu”.

Bem, os meninos não se tornaram modelos, nem intelectuais, cientistas… ou qualquer coisa que as mães tenham desejado, mas ganharam milhões com o futebol, dinheiro que faz desses dois Ronaldinhos homens belíssimos. Ah! e quanto à terceira mãe, poucos meses depois daquela história ela retornou para sua casa na Argentina com seu filhinho Carlito Tevez.

 

Inspiração: ex vizinhas

Homenagem: Todas as mães em especial a todas amigas minhas que têm filhote e à Dona Eró que me acha uma das quatro crianças mais lindas do mundo, as outras três são minhas duas irmãs e meu irmão.

Gerlandy Leão

Coruja de TEcidoNunca vi um filhote de coruja, mas a informação que eu tenho é de que os bichinhos são mais feios do que a manga que o cão chupou. Mesmo assim as mamães os acham lindos, e é por uma historinha com essas benditas corujas, que se apelida toda mamãe que acha a sua cria mais especial do que as outras, de mãe coruja.

Conta a história que Dona Coruja assim que teve os filhinhos saiu em busca de alimento pela floresta que por coincidência, no caminho, encontrou Dona Raposa procurando alimento para seus filhotinhos também. Cumprimentos a parte e exposto o que cada uma fazia, Dona Coruja pediu que esta não mexesse com sua prole, recebendo a promessa de Dona Raposa que jamais tocaria neste ninho. Porém, perguntou-lhe como faria para reconhecê-los já que nunca tinha sido apresentada a eles. É simples de reconhecê-los, respondeu a Coruja, os filhotinhos mais lindos são os meus. Alguns dias depois Dona Raposa encontrou Dona Coruja chorosa: “Mas senhora, tanto que lhe pedi que não comesse minha prole…”, “-Comadre!”, prosseguiu a Raposa, “não pode ser, como eu estava em dúvidas de quais eram seus filhos, evitei comer todos os animais. Só levei para casa, as criaturas mais horríveis que de tão feias, deviam ter sido abandonadas pela própria mãe“.

Pobre mamãe Coruja. Bem, não conheço nenhuma mãe que ache seu filho feio, sem contar que suas criaturas são os mais inteligentes e importantes da face da terra.

Inspiração: Que nada, foi só um resumo da história que todos conhecem.

Imagem: Coruja de Tecido http://www.flickr.com/photos/athenasowl/152954395/

Gerlandy Leão

Dona SerpenteNada como o primeiro post. É nele que se justifica o título e o porquê de se ter um blog. Aí a gente deve ter todo aquele cuidado de escrever certinho, mas realmente não é bem o que eu pretendo. Espero neste espaço apenas publicar algumas palavras que tenho escritas em papel qualquer. Há algum tempo penso em ter um blog mas a falta de assunto ou mellhor a falta de vontade de expor o que escrevo não me encorajava muito.

De algum modo, nos últimos dias fui tomada pelo desejo de cuidar de um. Talvez poucos virão aqui e pouquíssimos retornarão, afinal tem tanta coisa boa por aí. Mas é sempre bom manter a casa limpa, vai que a visita chegue a qualquer hora sem aviso.

Um grande passo para eu decidir ter um blog foi realmente pensar no que publicar. É comum lermos uma espécie de diário pessoal on line, ou blogs especializados em um determinado assunto, mas não interessei-me por nenhum desses. Pensei em mostrar pequenas histórias, isso mesmo, algum conto e inspirado em alguem muito especial: EU. Porque eu vejo tanta coisa e vivo outras que pensei por que não registrá-las?

As pessoas costumam dizer que suas vidas dariam um filme ou uma novela, eu acho q a minha daria um livro de contos, pronto. As histórias não são tão longas e nem conseguem prender atenção do outro por muito tempo para um desfecho, por isso é melhor não cansar ninguém. Em outras palavras pretendo falar algumas coisas que já me ocorreram ou que eu já vi ocorrer com alguém, todavia não pretendo fazer deste espaço um termômetro de minha vida, onde as pessoas possam ter idéia de como estou me sentindo. Então tudo pode variar, pode ter sido algo que me ocorreu ontem, ou hoje, ou ainda nem ocorreu, ou até nunca ocorrerá, confuso né?

Melhor passar para a próxima fase, a justificativa do tema, ou será título? isso mesmo título. Porque quanto a assuntos, com certeza é o que não vai faltar. Mas o título “CONTOS DA SERPENTE”, pode ser estranho ou pelo menos exigia um conteúdo mais rico, mas ora minha vida é rica, minha visão também, as coisas ao meu redor também então tá.

A Serpente é realmente baseada no Jardim do Éden, aquela que conseguiu seduzir Eva e convencê-la a comer o fruto proibido, mas não é meu intuito falar de pecados. Eu só gostei da idéia.

Aquela serpente é um ser que sempre me chamou atenção, devido o seu poder de mesclar mentiras e verdades na sua fala. Ela fala à mulher: “ Deus te disse que morrerá caso coma do fruto? pois eu te digo que ele não quer que você coma porque você se tornará como ele, sabendo o que é o bem e o que é o mal”. Eva não deu tanta atenção às palavras da serpente e só atentou para a frase, “será como Deus”. Bem, a serpente não estava falando totalmente a verdade nem totalmente a mentira. Embora seja complicado falar em meias verdades, mas se eu acredito em meias mentiras também poderia acreditar em só um pouquinho de verdade. Sim, porque a mentira tem a sua importância para todos nós, ela equilibra as coisas, mas claro que nada em excesso. Digamos assim, eu desprezo os mentirosos, mas como diz Adriana Calcanhoto “ eu não condeno mentiras…”.

Por isso escolhi esse título, não que eu tenha a maestria daquela companheira da Eva, mas porque embora me faça protagonista de algumas histórias (mesmo sem o meu nome), eu tenho o poder de modificar início, meio e fim.

Quem me ler saberá muito de mim, ou talvez nem tanto.