Gerlandy Leão

O Sonho

Dede

 

 

Depois de alguma espera adormeci pesadamente e sonhei. Aspirei a vontade de reencontrar meu amante que não demorou cumprir sua promessa de ter-me. Desta vez não veio me ver mas o poder que tinha sobre mim levou-me até ele. Creio que um encantamento me fez voar ao seu mundo desconhecido por mim. Essa foi uma experiência única e solitária consolada pela certeza do prêmio final. Parecia ter utilizado algo como um pó mágico saído dos contos de fadas que me dera o poder de ser elevada às alturas. Apesar deste momento fantástico, minha viagem foi desacompanhada, é como se Peter Pan em vez de se aventurar apenas tivesse mandado me buscar para morar consigo na Terra do Nunca.

 

Não hesitei, apenas obedeci… não ao demônio mas ao meu próprio apetite. Apesar do desejo senti medo pois ao chegar ao seu mundo me vi abandonada e esquecida por meu Incubus. Afinal o que estava fazendo? Sozinha, fiquei girando procurando por ele, desistindo e tentando acordar e voltar para o conforto do meu querido e real quarto, mas não conseguia. Parecia que o encanto havia me jogado em sono profundo impedindo-me de recuar do objetivo que mais almejava durante tantos sonhos.

 

Lá estava eu em terra firme, refém da ausência do meu Incubus. Até quando me deixaria esperando? Mas ele apareceu com um misto de homem, demônio e deus. Tive receio porque ele era demais para mim. Pensei que pudesse voltar atrás todavia assim como em um pesadelo eu não tinha mais controle e não pude despertar. Não sei como, mas num piscar de olhos estávamos em um espaço tão maravilhoso que mediante a energia dos nossos desejos dava uma beleza única resultando num local suficiente e perfeito para nós que em equivalência ao mundo real não seria apenas cinco mas dez estrelas.

 

Creio que recebi dose extra de encanto ao perceber que estava a dois palmos de altura do chão, onde meus pés tentavam alcançar mas não conseguiam. Minha respiração ficava a cada segundo mais ofegante e meu coração a ponto de explodir. De fato eu estava hipnotizada e sei que se pudesse ver meu rosto certamente me depararia com uma expressão de susto que se transformava em satisfação pouco a pouco. Sentia seu toque e aguardava sempre mais. Seu poder sobre mim era tamanho que eu não precisava expor o que sentia ou precisava, ele simplesmente me lia.

 

Foi quando finalmente ele deitou meu corpo que simplesmente obedecia à sua superiodade, afinal ele era um Incubus e eu uma mera mortal. Apesar de nossas diferenças e do seu poder ele estava ali para me servir. Sabedor dos meus desejos ingênuos, tomou o meu corpo e me fez cair em tentação ao me deitar, me despir, me tocar, me enlouquecer.

 

Meu Incubus não deixou escapar uma parte do meu corpo a ser visitava por sua boca quente. Eu gemia e enlouquecia a cada segundo, agora torcendo para que nunca mais acordasse. Ele provou de meu sabor de uma forma feroz e ao mesmo tempo delicada que só tinha a ação de segurá-lo com minhas mãos puxando-o entre minhas pernas para que não me deixasse enquanto não morresse. Sentia que eu tentava inverter as coisas, agora eu queria drenar suas energias. Eu era uma mistura de tranquilidade e loucura mantendo-me viva, sabedora da minha resistência. Num instante senti que ele era uma parte de mim e eu era parte dele e como em uma dança o movimento formava o nosso sincronismo que parecia se eternizar. De modo firme pegava em meu quadril e puxava para si não deixando espaço para uma fulga caso pretendesse .

 

Repentinamente ele me mostrou o que perturba tantas vítimas. Ele me fez alcançar o prazer máximo quando bruscamente fui elevada ao céu em milésimos de segundo, percorrendo uma distância extema. O retorno violento e prazeroso ao inferno me deixou em transe, mas ao voltar a mim em vez de morrer e pedir socorro eu pedia por mais. Me transformei em uma criancinha pedindo para brincar em um brinquedo perigoso, ignorando ou na verdade desconhecendo a ameça deste ato para o coração.

 

Ah! meu coração. Este não aguentaria por muito tempo. Despertei violentamente, sentindo-me sugada para meu mundo real, até as dores de enfado do meu corpo eu sentia como se tivesse realmente vivido. Voltei a mim ainda na metade da noite, mas eu não conseguia mais cerrar os olhos. Durante o resto da madrugada minha companhia fora apenas as lembranças, eu só procurava acalmar minhas pernas, meu coração, minha mente. Na minha cama a sua mensagem me dava consolo… “Perfeita! perfeita! você é simplesmente perfeita. Tudo foi maravilhoso, especial. Você é especial, minha melhor surpresa”.

 

Meu Incubus me fez morrer e me fez voltar. Eu não sobreviveria a uma mudança tão drástica não fosse pela sua companhia. Me sentia eleita e sabia que se estava viva era porque não seria apenas por um sonho, pois o que ocorrera entre nós provava que não nos distanciaríamos tão cedo. Eu me sentia especial, muito especial.

 

Inspiração: explicada no texto anterior

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