julho 2007


Gerlandy Leão 

 

cauê

 

Não existe “o importante é competir”.Todo atleta  sonha com o pódio,pois todos querem reconhecimento e mesmo aqueles que estão longe da performance de vencedores deve acreditar que a sorte reine e aja a seu favor.  Nos últimos dias a população brasileira, que acompanhou os jogos Pan-americanos, torceu bastante e pôde ouvir como nunca o Hino Nacional, mesmo sendo o resumidíssimo “Ouviram do Ipiranga, pátria amada Brasil”.

 

Tantas modalidades esportivas disputadas enchiam de alegria quem estava nos estádios ou atrás da telinha. Mesmo aqueles que não conheciam nada, acabou sendo informado e até palpitando em jogadas, chamando nomes desconhecidos. Vi pessoas à frente da TV se perguntando “o que estou fazendo aqui torcendo por uma competição que nem conheço?” Sim, pois mesmo que fossem competições de pega vareta, bolinhas de gude, pentear macaco ou sopra pó de giz, lá estava alguém torcendo. E a gente se pergunta por quê, mas desde muito tempo torcer por alguém faz bem a si mesmo.

 

Empurrávamos o corpo, o braço e as pernas do lado de cá juntamente com o atleta e nossos gritos eufóricos são tão verdadeiros quanto a emoção que sentimos. E as vezes alguém estranha, indaga por que este sentimento por alguém que nem conhecemos e eu apenas respondo que me satisfaz querer o sucesso do outro e visualizar a conquista de algo palpável diante dos nossos olhos. Certa vez em um momento de ignorância enfiei o dedo na conversa de colegas da escola que discutiam sobre tal jogador. Adentrei no diálogo dizendo que ele nem os conhecia, não sabia de suas existências, nem se importava com eles, enquanto eles ficavam conversando e vibrando ele estava ganhando dinheiro. Fui interrompida secamente por meu colega : “O que tem? E eu torço para ele ganhar mais ainda. Se ninguém torce por mim eu torço por alguém”. Fiquei quietinha, tinha de aprender a respeitar as suas empolgações.

 

De 4 em 4 anos temos uma experiência de alegria e orgulho para no ano seguinte sentir frustração.  O Pan é legal, nos cria uma ilusão de que estamos bem representados por super atletas que garimpam o ouro facilmente. Só que nas Olimpíadas, um ano depois, caímos na dura realidade e muitas vezes amargamos resultados intragáveis. É só olharmos as últimas campanhas: em Atlanta foram 3, Sidney nenhuma e Atenas 4, só estou lembrando das de ouro. Óbvio que as demais são importantes, mas as que marcam mesmo são as douradas.

 

É realmente nas Olimpíadas que duelam os titãs, além de entrar o resto do mundo todo na competição, os EUA (papa medalhas) retiram dos campos, quadras, piscinas, etc., os amadores que enviam a todos os panamericanos (a competição parece mais os jogos universitários para eles), para alistar os maiores atletas a exemplo Michael Phelps. E o que resta a nós brasileiros a não ser assistir à disputa pau a pau entre o Tio Sam e a China que certamente deverá  está mais armada do que nunca já que será anfitriã dos jogos em 2008.

 

E nós devemos nos chatear em amargar colocações abaixo dos 20? De forma alguma. A justiça tem de ser feita. Eu não sei muito sobre esportes e nem sou expert de cultura norte-america mas pelo que me consta lá o esporte é levado a sério. E quanto a nós? E novamente me perguntam, “ temos tantas coisas para resolver como a fome e porque falar sobre isso?”, mas como diz a musiquinha, a gente não quer só comida. Portanto não devemos acreditar que temos direito de ultrapasssar ou mesmo se igualar a outros mais preparados e não podemos querer contar com a sorte, ajuda do céu ou erro do adversário para se dá bem.

 

Na minha adolescência ensaiei algumas brincadeiras com o esporte, mas nada muito a sério. Na universidade achava que não tinha porque investir nisso, tinha coisa mais importante para fazer como estagiar por exemplo. E sinceramente vi pouco incentivo ao mesmo. Todos sabem que a maioria das aulas em Educ. Física na escola é apenas recreação e o que ainda oferecemos são campos de futebol, nada contra futebol eu até acho legal, se bem que eu já amei mais e também já odiei muito mais ainda. Mas se em uma copa do mundo os jogadores perdem é motivo para falta de orgulho e para rasgar a bandeira como uma cena que presenciei na infância em que minha tia picotou em minhas mãos minha bandeira, no dia que o Canniggia da Argentina fez aquele inesquecível gol na Copa 90. Foi traumatizante para mim. Não mudei de assunto, apenas fui me especializando em uma modalidade que a maioria dos brasileiros conhece. De certo modo, mesmo não sabendo  de tudo, posso afirmar que me especializei em torcer.

 

Vários nomes vão deixar saudade. É bom constatar que futebol feminino não é um bando de doida correndo e gritando de um lado para outro (como ocorre em gincanas); Ginástica rítmica não é apenas coreografia bonitinha, mas requer exercício e muita flexibilidade;  Ginástica artística não é apenas para efeminados. Consigo tolerar mais as lutas e sei tudo de ippon depois de assistir tanto judô, Karatê não é coisa de música sem graça e mau gosto. Às vezes teimo, mas tudo bem, a Edinancy não é homem. Aprendi a admirar vários Tiagos da piscina e das tatame e que Pentatlo moderno não é um monte de prova aleatória e sim uma seqüência de proteção e busca por um objetivo. Vi que existe vida no basquete sem os EUA e que os reis e rainhas do vôlei, exceto as medrosas da quadra, nasceram aqui. Percebi como ficar com a barriga e bumbum dos sonhos, basta fazer atletismo como Maurren Maggi. E entre tantos nomes tiveram dois que chamaram mais atenção a Chana Masson do Handebol que não é um apelido do membro do corpo feminino, me encantou com sua vibração em cada defesa e o Chupa Chup  2, não é a repetição de um verbo, mas o nome de um cavalo do Hipismo. Nunca tinha visto um nome tão criativo para um animal como este e não me admira que tenha sido um brasileiro, mas sim o grupo, pois o nome veio do meio de cavaleiros e amazonas, todo mundo chique e o mínimo que aguardávamos era Baloubet du Rouet que protagonizou aquela cena hilária em Sidney.  Mas deixe o Chupa Chup 2, embora lembre nome de jogador de pelada eu adorei o bom humor da galera do hipismo.

 

Foram várias figuras, várias histórias e podemos curtir isto por quase um ano. É quando seremos massacrados nas Olimpíadas. É por isso  que eu amo o Pan-americano, o Pan é nosso. Já decidi que evento acompanhar de 4  em 4 anos. O Pan acabou, mas como disse o macaco Simão, ficou o Pan com ovo.

 

Inspiração: A-HA, peguei vocês. Esperavam um texto irônico, não? mas é sério eu achei o Pan muito legal e escrevi às pressas para deixar algo registrado como lembrança desse evento.

Imagem: Como não poderia deixar de ser, a imagem do Cauê esse mascotinho lindo dos jogos 2007.

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Com um tempo a gente aprende. ( Hum, parece que vou falar do Menestral de Shakeaspare, mas não é). Com o tempo a gente aprende como agir na hora e como evitar, não evitar o assalto em si, pois a cada dia a situação piora, mas podemos tomar alguns cuidados para impedir que percamos muito em cada assalto.

 

Por exemplo, ao  sair a gente distribui o dinheiro por todos os bolsos da roupa , é bom não deixar tudo no mesmo lugar, pois eles aparecem rapidamente puxam tua sacola e saem correndo. É bom esconder o dinheiro se tiver de passar por lugares suspeitos ou famosos, sim porque andar em grupo não subestima muito o elemento, principalmente se este for metido a “The Flash”. Então colocar uma nota no sapato outra no soutien não vai fazer mal. Se estiver muito sujo basta passar um pouco de álcool e pronto está tudo desinfectado.

 

Em assaltos mais demorados em que o covarde aparece com uma arma, nada de pânico. É melhor não mostrar muito medo, mas também não precisa bancar o corajoso. Eu pelo menos entrego tudo, nem quero saber. Lembro que na primeira vez que fui assaltada eu fiz questão de tirar o dinheiro que estava guardado para entregar aos pilantras. Eles já haviam levado meu celular e partiam para outra vítima quando eu os chamei lembrando que ainda tinha dinheiro, é como se eu dissesse “Ei vocês estão esquecendo isso aqui”.

 

Ah! Mas fazer o que? É o nervosismo. Não domino nenhuma arte marcial e pelo que me consta qualquer força treme diante de uma arma de fogo (exceção os filmes). O desgraçado é de carne e osso igual a você e certamente não resistiria a um chute nos países baixos, mas lá está o sujeito com um revólver na mão, tão poderoso quanto Deus – isto porque cabe ao portador desta bendita arma a permissão para a vida  e para morte, sendo assim as pessoas se submetem à humilhação de entregar os seus pertences muitas vezes a um pivete que não agüentaria um peteleco. Só por causa deste objeto, esses covardes tÊm vantagem.Quem assistiu  “Planeta dos macacos” de Tim Burton com Mark Walberg deve lembrar como é bem explorado a submissão de um povo por meio de uma única arma, chegando a ser tratada como um totem.

 

Ah! Se não fossem tão covardes, se viessem para a briga de mãos limpas. Nem gritar a gente pode. Foi uma das coisas que também aprendi, a gente não grita porque os bonitos podem ter um ataque de nervos e saírem dando tiro para tudo quanto é lado. Quem é assaltado aprende a desconfiar de todo mundo, danado que mesmo assim a gente não consegue fugir a tempo, mesmo acelerando ou desacelerando o passo. Foi o que me ocorreu no último episódio que sofri.

 

Um das amigas percebeu o perigo e nos alertou, conseguimos nos dispersar, mas assim que eles perceberam que o campo estava limpo partiram de volta falando algo que no momento não lembro mas provavelmente devia se parente de algo como “ é um assalto”, “passa a grana” ou “ me dá a grana ou atiro”. Um deles veio com um volume escondido entre a camisa , óbvio que eu não sou tão louca para correr o risco de verificar se era um revólver ou não.

 

Minhas amigas abriram carreira para caminhos opostos, uma gritou a outra iniciou choro. Eu fiquei parada na mesma posição quando apresentaram o assalto, igual naquelas brincadeiras de roda “ Rui, Rui , Rui, mataram a mulher do Rui… alô Brasil quem se mexeu saiu”… foi do jeitinho que eu fiquei, parada. Como eu disse, a gente aprende com o tempo. Antes de sairmos fizemos uma bela estratégia que deu certo. Em vez de levarmos todos nossos celulares, levamos apenas um, pois em caso de roubo ainda teríamos 2. Não guardei em bolsos de roupa, coloquei em minha bolsinha que mui inteligentemente escondi dentro da minha blusa fazendo um volume em minha barriga. Fiz essa ação ao voltar para casa exatamente para despistar os otários, sim porque a gente sabe que pode ser pego a qualquer momento. Enquanto aqueles dois lixos humanos (Valeu Maradona, esse adjetivo foi o mais apropriado) abordavam minha amiga, um deles me olhou como se dissesse e você o que tem para me entregar, só que eu já havia passado da fase entrego tudo, continuei na minha quietinha, esperando que ele mesmo viesse verificar.Creio que ele confundiu o volume na minha barriga com gravidez, ufa.

 

Mas estava lamentando muito ao pensar em ter que entregar os objetos de mais valor conosco naquele dia (não cito a vida porque não é objeto), o celular de minha amiga por seu valor financeiro e minha bolsinha por seu valor emocional. Finalmente apareceram dois carros em alta velocidade botando os escrotos para fugir e nós três, pernas para que te quero. Corremos mais do que maratonista do Kênia e a galera na porta vendo o nosso desespero, isso mesmo o ocorrido sucedeu-se há poucos metros de casa. Só depois de passado perigo o povo ensaiou um choro, e eu por incrível que pareça não senti nada, a não ser raiva.

 

Pouco depois, sentadas na calçada, paramos uma viatura da polícia que levou uma de nós a procura dos bandidos. Essa deve ter achado pouco a aventura que passara para aceitar entrar naquele carro e assistir os policiais barrando tudo quanto era suspeito, coitada acabou em meio ao tiroteio, num instante quis voltar para casa. Eu fiquei consolando a outra que falou sério comigo. “olha aqui, você vai agradecer a Deus pelo livramento, tu vai orar hoje a Deus e agradecer a ele sua doida”. Apenas sorri para ela e me virei para o lado pedindo uma cerveja para tia. “Hoje é dia de celebrar a vida”. Eu prometera nunca mais encostar em álcool e nem de cerveja eu gosto, mas naquela hora eu precisava quebrar meu jejum de meses para comemorar. Ela sorriu também e só não me acompanhou por está medicada, uma pena.

 

Esse negócio de agradecimento é uma graça, me lembra um amigo que reclama como as pessoas se comportam. Quando falamos que fomos assaltados logo aparece um engraçadinho dizendo “ Graças a Deus isso nunca me ocorreu” e ele revoltado respondia “pois graças a ele que fui assaltado, ele protege a você e não protege a mim” Pode até parecer grosseria, mas faz sentido, tem gente que é muito indelicado com a dor dos outros.

 

No final das contas, graças às estratégias, eles não levaram muito. Sim, a gente não pode livrar-se do mal, mas pode livrar-se no mal, permitindo que o mínimo seja levado. Dessa vez eles não levaram muito em valor, poucas cédulas, dinheiro que saiu muito caro para eles com certeza já que foram pegos por aqueles motoristas dos carros que surgiram quando estavam nos abordando. Eu só queria está lá dando a minha contribuição, não precisava espancar, mas seria bom deixar minha marca neles. Queria ver a agora suas coragens no momento que estavam desarmados.

 

O que ocorreu não muda minha rotina, claro que ando com mais medo, mas não posso deixar de viver, afinal até acidentes caseiros são mais freqüentes do que se pensa.

 

Inspiração: Apenas trancrevi o que me ocorreu, de fato isto é verídico.

Homenagem: Dedico este texto a todos que já passaram este sufoco.

Gerlandy Leão 

   

Lagarta Peluda

– Tenho algo para te mostrar muito lindo, na verdade,  a coisa mais linda que eu já vi. Está aqui dentro deste copo descartável.

– Ah! Já estou frustrada, por um momento pensei que fosse me mostrar o Gianeccini, mas sei que um homenzarrão daquele não cabe aí dentro. … Bem, não faço a menor idéia do que pode está escondido aí dentro. 

– Levanta a tampa do copo com cuidado para não machucar. 

– Para não me machucar?  

– Não burra. Para não machucá-la . 

– Mas que diabos é isso? 

– É uma lagarta.  

– Sim, isto eu sei. Me refiro ao que ela está fazendo aí dentro com este pedacinho de folha? 

– É que eu nunca tinha visto uma lagarta assim tão diferente e linda, queria tê-la perto de mim. Já que bela borboleta vai se tornar?

 – Entendi. E colocando uma folha de acerola você pretende simular o hábitat dela para que ela se sinta em casa e à vontade para colocar as asinhas de fora?

– Não vai me dizer que não se agradou dela? 

– Sim. Até estou muito admirada. Ela é bonita e tão peluda, tão esquisita, tão diferente… me lembra até um cachorro em miniatura… isso mesmo, parece o Floquinho do Cebolinha. 

– Pois é, ela é muito rara corre perigo lá fora, por isso resolvi cuidar da minha Chucrute. 

Chucrute?!?! Não acha americanizado demais. Você pelo menos sabe o que significa isto.

– Eu gosto de Chucrute. Acho q deve ser algo de comer, mas tem também aquela lagarta gorda do filme “Vida de insetos”.

– Eu lembro, mas eu acho que me mataria se fosse tão linda e me apelidassem de Chucrute. Mas esse é menor dos problemas dela, agora ela é uma prisioneira. 

– Prisioneira não, digamos que exilada. Eu a salvei e dou casa, comida e roupa lavada, no sentido figurado óbvio, mas quero cuidar da Chucrute. 

– Já perguntou-lhe se ela prefere está com você? Pelo que me consta, ela não entrou  por livre e espontânea vontade. 

– É, mas tenho certeza que está mais protegida comigo. Minha experiência e intuição diz que ela se perdeu da família. Eu a encontrei na aceroleira e nunca vi um inseto deste em lugar algum principalmente juntos às acerolas. 

– E a sua experiência e intuição lhe sugeriram aprisioná-la, ops, exilá-la? 

– Exatamente. Lá fora ela corria vários perigos tanto por predadores quanto por alguma criança curiosa e endiabrada. 

– Assim como você… 

– Não sou criança! 

– Eu sei, mas é curiosa e endiabrada. Mas eu fico com dó dela. Tão linda e trancada, proibida de ver a beleza da vida só por cuidado. Ela tem tanto o que explorar nas árvores do nosso quintal e você a condena a ter a companhia de uma folha e um pouco de luz que entra por esse buraco feito por uma agulha. 

– Ah! Você fala assim como se ela fosse a madre Tereza de Calcutá ou uma santa. Fala como se ela fosse uma pobre vítima trancafiada em uma torre por uma terrível bruxa. Olha… essa coisa aí é muito má. 

– Essa coisa aí que você se refere por acaso não é a mesma lagarta que há segundos você carinhosamente chamava de Chucrute?

– É sim, mas lembrei que ela é muito perigosa. 

– Há pouco tempo ela era indefesa… 

– Cala aí e me escuta. Sabe… Quando a vi na aceroleira e me aproximei para pegá-la e ver mais de perto, ela me queimou. Veja como minha mão  está. Doeu muito. 

– Você não parou para pensar que ela fez isso para se defender? Bem, você iniciou dizendo que a pegou porque ela é bela e quer guardá-la, agora me diz que a está castigando? 

– Ah! Quero saber não… quero saber não…  

– Estava gostando mais das suas primeiras tentativas de argumentar porque está com ela. 

– Mas não adiantou né? Eu quero ficar com ela e pronto. A decisão que eu tomei independe das palavras que utilizo para convencer quem me apóia ou não. Por isso digo que vou ficar com ela porque sim. 

Porque sim? Ai que pobreza essa sua fra… 

– Cala a boca! 

– Não posso calar outra coisa. 

– Já vai iniciar outra discussão besta né? Agora não tem nem a ver com Chucrute. 

– Ah! Você que é insensível e grossa… 

– Você que provoca. 

– Eu só gosto de entender a justificativa das pessoas. 

– Ah, não enche! 

– Que é isso? 

A lagarta continuou no copo até o fim dos seus dias.

Inspiração: Uma pessoa muito engraçada que inventou essa história de criar uma lagarta.

Imagem: Lagarta peluda. Está bem bem próxima da descrição. http://www.flickr.com/photos/vidas_de_nossas_vidas/477377490/