Gerlandy Leão 

 

cauê

 

Não existe “o importante é competir”.Todo atleta  sonha com o pódio,pois todos querem reconhecimento e mesmo aqueles que estão longe da performance de vencedores deve acreditar que a sorte reine e aja a seu favor.  Nos últimos dias a população brasileira, que acompanhou os jogos Pan-americanos, torceu bastante e pôde ouvir como nunca o Hino Nacional, mesmo sendo o resumidíssimo “Ouviram do Ipiranga, pátria amada Brasil”.

 

Tantas modalidades esportivas disputadas enchiam de alegria quem estava nos estádios ou atrás da telinha. Mesmo aqueles que não conheciam nada, acabou sendo informado e até palpitando em jogadas, chamando nomes desconhecidos. Vi pessoas à frente da TV se perguntando “o que estou fazendo aqui torcendo por uma competição que nem conheço?” Sim, pois mesmo que fossem competições de pega vareta, bolinhas de gude, pentear macaco ou sopra pó de giz, lá estava alguém torcendo. E a gente se pergunta por quê, mas desde muito tempo torcer por alguém faz bem a si mesmo.

 

Empurrávamos o corpo, o braço e as pernas do lado de cá juntamente com o atleta e nossos gritos eufóricos são tão verdadeiros quanto a emoção que sentimos. E as vezes alguém estranha, indaga por que este sentimento por alguém que nem conhecemos e eu apenas respondo que me satisfaz querer o sucesso do outro e visualizar a conquista de algo palpável diante dos nossos olhos. Certa vez em um momento de ignorância enfiei o dedo na conversa de colegas da escola que discutiam sobre tal jogador. Adentrei no diálogo dizendo que ele nem os conhecia, não sabia de suas existências, nem se importava com eles, enquanto eles ficavam conversando e vibrando ele estava ganhando dinheiro. Fui interrompida secamente por meu colega : “O que tem? E eu torço para ele ganhar mais ainda. Se ninguém torce por mim eu torço por alguém”. Fiquei quietinha, tinha de aprender a respeitar as suas empolgações.

 

De 4 em 4 anos temos uma experiência de alegria e orgulho para no ano seguinte sentir frustração.  O Pan é legal, nos cria uma ilusão de que estamos bem representados por super atletas que garimpam o ouro facilmente. Só que nas Olimpíadas, um ano depois, caímos na dura realidade e muitas vezes amargamos resultados intragáveis. É só olharmos as últimas campanhas: em Atlanta foram 3, Sidney nenhuma e Atenas 4, só estou lembrando das de ouro. Óbvio que as demais são importantes, mas as que marcam mesmo são as douradas.

 

É realmente nas Olimpíadas que duelam os titãs, além de entrar o resto do mundo todo na competição, os EUA (papa medalhas) retiram dos campos, quadras, piscinas, etc., os amadores que enviam a todos os panamericanos (a competição parece mais os jogos universitários para eles), para alistar os maiores atletas a exemplo Michael Phelps. E o que resta a nós brasileiros a não ser assistir à disputa pau a pau entre o Tio Sam e a China que certamente deverá  está mais armada do que nunca já que será anfitriã dos jogos em 2008.

 

E nós devemos nos chatear em amargar colocações abaixo dos 20? De forma alguma. A justiça tem de ser feita. Eu não sei muito sobre esportes e nem sou expert de cultura norte-america mas pelo que me consta lá o esporte é levado a sério. E quanto a nós? E novamente me perguntam, “ temos tantas coisas para resolver como a fome e porque falar sobre isso?”, mas como diz a musiquinha, a gente não quer só comida. Portanto não devemos acreditar que temos direito de ultrapasssar ou mesmo se igualar a outros mais preparados e não podemos querer contar com a sorte, ajuda do céu ou erro do adversário para se dá bem.

 

Na minha adolescência ensaiei algumas brincadeiras com o esporte, mas nada muito a sério. Na universidade achava que não tinha porque investir nisso, tinha coisa mais importante para fazer como estagiar por exemplo. E sinceramente vi pouco incentivo ao mesmo. Todos sabem que a maioria das aulas em Educ. Física na escola é apenas recreação e o que ainda oferecemos são campos de futebol, nada contra futebol eu até acho legal, se bem que eu já amei mais e também já odiei muito mais ainda. Mas se em uma copa do mundo os jogadores perdem é motivo para falta de orgulho e para rasgar a bandeira como uma cena que presenciei na infância em que minha tia picotou em minhas mãos minha bandeira, no dia que o Canniggia da Argentina fez aquele inesquecível gol na Copa 90. Foi traumatizante para mim. Não mudei de assunto, apenas fui me especializando em uma modalidade que a maioria dos brasileiros conhece. De certo modo, mesmo não sabendo  de tudo, posso afirmar que me especializei em torcer.

 

Vários nomes vão deixar saudade. É bom constatar que futebol feminino não é um bando de doida correndo e gritando de um lado para outro (como ocorre em gincanas); Ginástica rítmica não é apenas coreografia bonitinha, mas requer exercício e muita flexibilidade;  Ginástica artística não é apenas para efeminados. Consigo tolerar mais as lutas e sei tudo de ippon depois de assistir tanto judô, Karatê não é coisa de música sem graça e mau gosto. Às vezes teimo, mas tudo bem, a Edinancy não é homem. Aprendi a admirar vários Tiagos da piscina e das tatame e que Pentatlo moderno não é um monte de prova aleatória e sim uma seqüência de proteção e busca por um objetivo. Vi que existe vida no basquete sem os EUA e que os reis e rainhas do vôlei, exceto as medrosas da quadra, nasceram aqui. Percebi como ficar com a barriga e bumbum dos sonhos, basta fazer atletismo como Maurren Maggi. E entre tantos nomes tiveram dois que chamaram mais atenção a Chana Masson do Handebol que não é um apelido do membro do corpo feminino, me encantou com sua vibração em cada defesa e o Chupa Chup  2, não é a repetição de um verbo, mas o nome de um cavalo do Hipismo. Nunca tinha visto um nome tão criativo para um animal como este e não me admira que tenha sido um brasileiro, mas sim o grupo, pois o nome veio do meio de cavaleiros e amazonas, todo mundo chique e o mínimo que aguardávamos era Baloubet du Rouet que protagonizou aquela cena hilária em Sidney.  Mas deixe o Chupa Chup 2, embora lembre nome de jogador de pelada eu adorei o bom humor da galera do hipismo.

 

Foram várias figuras, várias histórias e podemos curtir isto por quase um ano. É quando seremos massacrados nas Olimpíadas. É por isso  que eu amo o Pan-americano, o Pan é nosso. Já decidi que evento acompanhar de 4  em 4 anos. O Pan acabou, mas como disse o macaco Simão, ficou o Pan com ovo.

 

Inspiração: A-HA, peguei vocês. Esperavam um texto irônico, não? mas é sério eu achei o Pan muito legal e escrevi às pressas para deixar algo registrado como lembrança desse evento.

Imagem: Como não poderia deixar de ser, a imagem do Cauê esse mascotinho lindo dos jogos 2007.

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