agosto 2007


HAVENON

Luxuriosos(Viva a atemporalidade)

Mas guardo na atemporalidade da minha mente o desejo que se liberta. Se vou saciá-lo não sei…Talvez sim, talvez não… não sou senhor do meu tempo, nem muito menos do meu futuro, só não reprimo esse desejo de te possuir, ao menos por algumas horas.

O que é a atemporalidade? -Você me pergunta- É aquele lugar onde posso voltar sempre que quiser, onde posso experimentar de delícias, fantasias, e também tristezas. Mas deixemos as tristezas de lado (ao menos por hoje). Quero falar dos meus desejos, não os materiais (aquela megalomania do ter, dos nossos dias), mas aqueles mais lascivos, que podem começar num beijo lento e delicado na sua libidinosa boca, descer por esse pescoço, liso, hidratado, sentir a minha língua alisando, descendo até esses dois belos montes rosados, durinhos e adorados. Imagino-os à mostra, como que me esperando, como termômetros do teu desejo carnal…


Nessa entrega, lenta e gradativa, sinto as tuas mãos pelo meu corpo (você sabe que pode ficar a vontade) acompanhando o ritmo das minhas mãos que descem e sobem pelo teu corpo…que responde a cada toque (arrepios, respiração cadenciada, baixos gemidos), ainda aos poucos vou descendo, me deliciando e sua linda barriga, mais parecendo uma planície onde posso correr solto, procurando um lugar (Sabemos onde queremos chegar, mas não existe pressa).
Já sem a camisa sentimos nossos fluidos, fruto do frenesi de um corpo contra o outro, volto a beijar a tua boca, já não lentamente, mas com um fome de quem quer muito mais. Vejo meu sonho sendo realizado, você me conduz ao Nirvana ao me tocar, não mais com as mãos, só, mas com a sua boca. Com uma expressão de prazer indescritível, você desce até… e lá, em movimentos que mais parecem calculados, encaixa-me em sua boca, já não querendo mais ver as peças de roupas sobre nós. Fico de pé, nu, na sua frente, e começo a arrancar toda falsa pele de você…Ficamos ali…nos olhando, nos alisando, nos deliciando com a vontade que brilha em nossos olhos…sem mais uma só palavra nos deitamos…você se abre para me receber. Como é bom me sentir bem vindo…aos poucos vamos ficando um só, numa união carnal, luxuriosa…maravilhosa. Estamos um no outro, seu movimento é o meu movimento… sentir você…aos poucos ir aumentando nosso ritmo…em uma perfeita coreografia…com vários passos (quem precisa do Kama Sutra, se existe essa química?). Após algum tempo, que só dependeu de nós dois, explodimos juntos num clímax, uma explosão de prazer, gemidos, arfadas…enfim…


Saciados ( pelo menos por enquanto…) ficamos a nos olhar, fazendo sexo com os olhos, as mãos…( o corpo humano é todo ele um ponto “G”)…
Sonhos/desejos…que podem não se cumprir, mas que existem, e estão lá…na atemporalidade a espera de nós dois, somente e nada mais!

Inspiração: Não pretendia colocar nada aqui que não fosse de minha autoria, mas as palavras de Havenon [pseudônimo] precisavam estar aqui, não me perguntem porquê. O texto é de um amigo e surgiu em uma de nossas conversas. Fico lisonseada.

Imagem: Embora eu esteja na foto, não sou dona da mesma [direitos autorais]. Como ela não está mais no endereço oficial do autor, só coloquei diretamente do meu álbum. Deixei essa imagem porque foi dela que iniciou as palavras.

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Gerlandy Leão

 

 

 

captura_da_tela.gifQuando retornei à minha antiga rua percebi o quanto um lugar pode mudar em tão pouco tempo de distância. E não me refiro apenas às pessoas que se transformam a cada dia, mas à própria visualização do espaço físico. A Rua John Kennedy, lugar onde eu passei 10 anos da minha vida parecia tão diferente agora. Cheguei na primeira esquina do Comércio e tudo que via parecia ruínas e um abandono, principalmente por seus buracos no asfalto. Vi algumas pessoas nas calçadas e fiquei tímida em encará-las, mas eu tinha tanta saudade deles e da minha rua que não consegui recuar.

 

Fiquei parada por um bom tempo admirando-a. Agora parecia tão estreita e curta. Percebi que agora era impossível correr por ali e brincar de bandeirinha (em outros lugares rouba bandeira), baleada (em outros queimada), tocobol (em outros taco ou bola, ou bate taco), vôlei (em todo o resto do Brasil vôlei mesmo). Os demais esperavam na calçada a sua vez de brincar através do pedido de “torneio é meu” (aqui chama-se desafiado, mas só significa mesmo o próximo sou eu). A rua agora parecia tão sem sabor, tão sem graça e tudo piorava quando vi que finalmente as pessoas cresciam e envelheciam. Encontrei os meninos com voz grave e as meninas com curvas. Com certeza essas modificações aconteciam enquanto ainda estava lá, mas não eram tão perceptíveis porque estávamos acostumados um com o outro.

 

Após visita de casa em casa ao som de “Ah! Como você está mudada”, concluí que tudo, ou pelo menos a maioria estava mudada. Cada casa que eu entrava tinha uma história: quem havia morrido, quem havia nascido, quem havia casado, quem havia separado, quem havia chegado, quem fora embora etc. Todas as peças estavam mexidas e eu não conhecia mais nada. Havia sobrado pouco do que deixara.

 

Depois de várias casas visitadas finalmente cheguei aonde almejava. Lá estava ela, na penúltima casa da Rua Jonh Kennedy, a inesquecível 732 com portas fechadas. Ela havia sido vendida, mas estava de portas trancadas, sem um morador dentro para lhe fazer companhia. Pela frente parecia intacta, não fosse pelo amarelo da frente agora um pouco desbotado e o aparecimento de ferrugem nos portões. Cheguei perto e tentei olhar pelo espaço entre os ferros dos portões, porém não havia nada e na nossa mini garagem onde competíamos com o Casquinha (nosso fusca), por um pouco de espaço para brincar com bola, agora só ecoava o som da minha voz. Enquanto olhava para dentro esquivando pelas aberturas, recebia notícia de que ela estava ruindo. Seuas paredes estavam caindo, o chão afundando e a 732 não resistiria a uma quinta reforma, a sugestão seria derrubar a garagem os três quartos, os dois banheiros, a despensa, as três salas e a cozinha, ou seja recomeçar do zero. Meu coração apertou e não segurei a lágrima, pois amava muito aquela casa. Os atuais donos sentiram medo dela desabar por cima deles. Quanto exagero! Como puderam ser tão covardes, abandonando-a assim? Eu queria entrar mais uma vez e ver os cômodos que por muitas vezes eu, meus irmãos e amigos brincamos de esconde-esconde. Queria subir mais uma vez no pé de carambola, olhar as laranjeiras, a goiabeira, a roseira, a palmeira nanica e demais plantas, a casa do Bradock [nosso finado cachorro] que depois se transformou em um depósito de não sei o que… mas lá estava ela fechada, solitária e ruiria em algum tempo. É provável que nem tivesse mais nada do que citei.

 

Lembro-me de um episódio do desenho Denis- o pimentinha, em que a casa do Sr. Wilson é removida para outro lugar. Eu queria ter removido aquela rua ou pelo menos a casa. De fato, eu tinha carinho pela minha cidade natal, mas o meu coração batia realmente mais forte pela John Kennedy e pela 732. Eu ainda guardava o desejo e sobretudo a esperança de voltar a morar lá um dia, mas aquela visita contribuiu muito para que eu seguisse sem me prender mais a essa vontade. Percebi que o que amava não existia mais, era passado e, portanto não havia retorno. Voltar seria tão diferente pra mime como recomeçar em qualquer outro lugar. Eu teria de me adaptar novamente. Agora só me restava as lembranças de uma infância muito bem vivida.

 

Inspiração: Minha infância naquela rua. Dois anos passei por esse reencontro.

Imagem: Parece os buracos que encontrei naquela rua. http://flickr.com/photos/thalisson/590206368/

 

Gerlandy Leão

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Entrou no quarto com a satisfação de ter encontrado a fita métrica chamando a atenção da garota sentada à frente do computador.

 

– Cassiana, achei, achei. Cadê aquela tua blusinha lilás. Tou precisando dela para tirar o modelo. Vou fazer umas 10 medidas a menos para a boneca.

 

– Sei lá Socorrinha, tou ocupada, talvez esteja no cesto de roupa suja.

 

Encontrei. Gritou Socorrinha. Realmente tava lá.

 

Dito isto sentou-se ao chão com os materiais de costura e uma agulha entre os dentes enquanto procurava algo.

 

– Ei Cassi, você não viu meu tubo de linha vermelha?

 

– Oh, Socorrinha vê se me deixa em paz. Eu tou muito concentrada na minha missão e você fica me enchendo o saco, vai fazer esse serviço em outro lugar, vá, vá, vá.

 

-Ai, quanto estresse, que serviço tão importante é este para me tratar assim? Quem são esses homens?

 

-Estou procurando um pai.

 

-Hã? E o teu pai, não gosta mais dele. Vocês brigaram foi?

 

– Não Senhora Tontinha. Procuro um pai para meu filho. Estou chegando na idade de ter um filho, logo logo terei 30 anos. Depois disso a gravidez é bem complicada.

 

-Ai ai, vocês da cidade e esse tal de namoro pela internet.

 

– Não é namoro. É uma pesquisa muito séria. Tou procurando uma pessoa que será responsável por boa parte das características genéticas da minha criança. Não posso escolher qualquer pessoa. Isso tudo deve ser pensado com muito cuidado.

 

Tou entendendo é nada. Há alguns dias te vejo fazendo anotações, e contas com calculadora, utilizando calendário, não perguntei porque pensei que estivesse estudando ou conversando com alguém interessante

 

– É mais ou menos isso.Tou estudando algumas pessoas. Começo primeiramente pelo Currículo Lattes da vítima, para saber informações acadêmicas como o que estuda, onde esteve, quantos idiomas fala, essas coisas assim. Depois procuro informações dos mesmos em sites de relacionamento, lá consigo saber um pouco mais, principalmente características físicas, lugares que freqüenta, atividades que pratica e vários blá blá blás. Depois coloco tudo numa planinha.

 

– Que servicinho escroto. Tanto serviço para ficar guardado numa planinha?

 

– Não Socorrinha, o servicinho que você chamou de escroto só faz começar quando vai para a planilha. Depois eu faço a separação das características genéticas e tento casar com minhas características para ver as probabilidades de como meu bebê será. É aquela famosa regrinha que estudamos em biologia dos genes Dominantes e recessivos.

 

Ai Cassi, eu era péssima em Genética e lembre-se que eu terminei no supletivo.

 

– Não tem problema. O certo é que estou procurando certas características que admiro e que gostaria que meu filho tivesse.

 

– Mas menina, se tu quiser, tu toma leite de magnésia para o menino ser branquinho ou açaí para sair moreninho.

 

-Ai meu Deus, não, não acredito no que tou ouvindo. Larga de ser matuta. Tu veio mesmo do mato, mas pensei que já tivesse se civilizado. Você está falando uma aberração dessa para uma quase médica, tudo bem que eu nem passei para a faculdade, mas estes anos estudando, me deram muito mais conteúdo do que qualquer bichinho que ta lá só porque o pai colocou.

 

Se tu queria ser tanto médica por que foi ser professora?

 

– Ah, Socorrinha, a concorrência. Eu tinha que ser perfeita em todas disciplinas, mas pecava em Geografia. Aí fui fazer outra coisa faculdade, mas veja que eu nunca desisti.

 

– Pecava em Geografia? Ainda peca. Eu não sou do mato, vim do interior do estado e tenho orgulho de lá. Teus pais também são de lá viu? É bom você respeitar.

 

– Tá bom, desculpa. Mas é que eu estou fazendo um trabalho sério e você me desconcentrou. Vejo muitas pessoas interessantes. Hum tem cada olho lindo, muita saúde, porte de atleta. Hum este aqui é premiado, livros publicados em francês. Poxa, gostei.

 

 

isso é estranho o que está fazendo…

 

 

– Ai que dúvida. Tenho um doutor nas Ciências Sociais, com dentes belíssimos, mas tem este advogado aqui com um cabelo lindíssimo. Vamos ver aqui Cabelo Lindo C (cezão) e o meu cabelo feio c (cezinho)… hum, o dele é dominante. Meu filho seria grato demais por lhe dá um cabelo charmoso. Ah, tem outro aqui, é executivo, inteligente viu, empreendedor, autor preferido: Gabriel Garcia e MÁRQUEZ. Gostei do cara e que bundinha, que belas pernas, gosta de capoeira. Muito bom, deixa eu casar nossos genes.

 

­– Tu ta viajando Cassi.

 

Mas que negão esse outro aqui, minha nossa que homem lindo. Hum publicitário, premiado, gostei. Mas tem este outro aqui, que olhar meu Deus, que sorriso. Perfeito! Perfeito.

 

– Cassiana!!!!!

O que é tia?

 

Não me chama de tia. Tudo bem que eu sou, mas pôxa sou mais nova do que tu, fica feio.Não é por que estou só de passeio aqui na tua casa que eu não entenda das coisas. Você ta se preocupando só com as características dos cabras lá. E o teu sentimento?

 

-Que sentimento mulher? Não procuro homem para casar. Procuro um espermatozóide bonito, saudável, inteligente e competitivo só isso.

 

– E o caráter do cara onde entra?

 

– Não entra. Essa outra parte é por minha conta. Umas coisas são da genética, outras são do meio. E nessa parte ele vai ter mamãe para ajudá-lo.

 

Isso tudo pode dá errado. Você escolher tanto para nada.

 

– Nada? Olha para os meus pais. Nem um pingo ambiciosos, nem concluíram os estudos e geraram essa joínha aqui. Imaginem se tivessem oferecido mais. Eu só precisava de um Dominante que me colocasse naquela droga de faculdade, mas creio que não tem nem recessivo. É tudo culpa deles que eu não sou médica. E culpa do vovô e da vovó que você é agora uma artesã. Que tenha que fazer bonecas para sobreviver, você poderia ter sido, deixa eu ver, uma jornalista.

 

Eu adoro minhas bonecas. E se fossem outros pais não seria você e nem eu.

 

­– mas se fossem outros pais, o filho dos outros seria médico ou jornalista.

 

– Acho que tu ta ficando retardada.

 

Ai viajei mesmo, acho que foi o excesso de café. É que estou preocupada com isso já.

 

-Tu fala assim como seria tão fácil, escolher o cara e pronto. Como você vai convencê-los a ser pai do teu filho.

 

-Método tradicional, ora. Minha querida sou muito mais do que um belo rostinho, sou um belo par de seios também. Vou fazer as continhas e no dia certo eu ataco. Igual aquele filme que a gente assistiu, A excêntrica família de Antônia que a lésbica só pimba com o cara uma vez, só para engravidar.

 

Eu lembro, tu ta te inspirando nela é? E tu é lésbica?

 

Eu não. Apenas no momento não procuro um homem para mim. Se estou sozinha hoje, não quero continuar por muito tempo. Quero um filhinho para eu me sentir melhor e poder oportunizar o milagre da vida, além de gerar, educar.

 

-Menina então escolhe esse aqui. É bom que tu ganha logo uma boa pensão.

 

Ou sua maluquinha. Não quero dá o golpe da barriga, já disse quero só o progenitor. O escolhido nem vai saber. Vou suprir a necessidade, carência da minha cria. O pai é só mesmo porque não posso fazer só, a importância do pai é essa: Transferência de informações genéticas

 

Sei não, ainda acho que você poderia conseguir um bom homem para…

 

– O sêmen Socorrinha, só o sêmem me interessa.

 

 

Inspiração: Há algum tempo convidei uma pessoa para ser pai do meu filho. Acho que ele deve ter se assustado, talvez por medo de ficar preso a mim, mas não o convidei para ser meu marido. Com a proximidade do Dia dos pais eu aproveitei a idéia.

Homenagem: Apesar de ter sido um pouco grosseira, admito que a missão do pai vai além disso desde que ele se comporte como tal. Um abraço a todos os pais e áqueles que serão. Em especial ao Sr. Lourival meu papi amado, que é brabo como o que, mas é um PAI, e ao meu irmão Hielder que em breve colocará mais um Leão da Silva no mundo.

 

Nomes: Como já falei quando tiver de denominar alguém citarei nomes de parentes. Cassiana e Socorro são o nome da minha bisavó e avó paterna respectivamente.

 

Imagem:http://creative.gettyimages.com/source/classes/FrameSet.aspx?&UQR=wtuawb&pk=4&source=front&lightboxView=1&txtSearch=cumputer&selImageType=7&chkLicensed=on&chkRoyaltyFree=on&chkNLM=on

 

 

 

Gerlandy Leão

 

 

Ah! fui agraciada com um mês todinho de férias para mim. Esta oportunidade me fez relembrar minhas férias quando era criança, aquelas que aguardávamos com muita euforia. Passávamos a manhã assistindo programas infantis e a tarde assistíamos na TV, reprises de Os trapalhões. Enfim à noite reunia-me com a molecada onde brincávamos à noite tranquilamente, já que nossas mães não utilizariam a justificativa de nos mandar dormir cedo para irmos para a escola.

 

Quando retornávamos às aulas éramos apanhados, sem nenhuma novidade, pelo batido Tema “Minhas férias”. Se eu tivesse computador, naquele período, só reimprimiria a cada semestre porque em termos de descrição era exatamente o que citei que ocorria em todas as férias. Em termos de narração às vezes se diferenciava por um um acrésimo de algumas informações como, quem levou algum tombo, ou quebrou o braço, ou quem recebeu visita em casa de algum parente, ou quem viajara. Era caso raro, mas às vezes alguém aparecia falando sobre suas viagens para a capital, ou para algum interior, de passeios a shopping, banhos na praia, lagos, rios, açudes, passeios a cavalos, comidinha da vovó. Porém como eu disse a grande maioria continuava na cidade se alimentando da comidinha da mamãe. Nossas férias eram parecidas, uma rotina é certo, mas nem por isso indesejadas.

 

Agora professor em plena universidade você me vem pedir uma redação sobre este tema? Francamente eu deveria, em um parágrafo, fechar a redação declarando que aproveitei a ausência das aulas para adiantar o estágio em todos os turnos. O senhor bem sabe da nossa necessidade de acumular várias atividades para que possamos ganhar o básico para que invistamos novamente nos nossos estudos. Algumas vezes eles nos liberam para que possamos fazer aquela visita técnica que o senhor insistiu em colocar em um horário fora da sua aula ou para que possámos participar de eventos científicos, mas desde que possamos pagar essas horas liberadas em outros momentos, por exemplo, as férias. As diversões como farras, passeios, e filmes deixo para os finais de semana (quando dá) assim como nos demais dias do ano.

 

 

Pois bem professor, mas essas férias foram diferentes, pois depois de alguns anos jogando na mega sena, eu finalmente consegui ficar rica. Assim, sem mais nem menos eu conquistei o coração de um velho, milionário, sem herdeiros, à véspera da morte.- PENSOU QUE EU ACERTARA O NÚMERO, NÃO É? -Ambos foram jogos de sorte, eu consegui o último. Tudo aconteceu muito rápido e em outro momento- penso em fazer uma biografia- falarei sobre nossa história de amor (sim, de certo, eu cheguei a amá-lo, não tem como não amar um homem que te deixe uma bela herança dessa, mas você sabe, tão bem quanto eu, a diferença entre os amores ágape, fileo e eros que estava longe de sê-lo.

 

 

No primeiro dia das minhas férias eu o conheci na parada de ônibus, o dia tava quente eu bebia uma garrafa de água mineral, como ele parecia um velhinho agonizando eu ofereci um copo de água. De repente se mostrou uma pessoa muito sábia e agradável de se conversar, mas logo meu ônibus passou e fui embora. Pouco depois ele chegou no meu local de estágio, como eu estava fardada ele memorizou o nome da instituição. Falou que me admirava e do seu belíssimo patrimônio (dinheiro fessor, dinheiro), pediu-me em casamento na mesma hora. Tentei convencê-lo de que era loucura já que eu não o amava, mas ele também disse que não me amava mesmo, e tinha perdido a oportunidade de casar com o grande amor de sua vida e agora estava sozinho. Falei-lhe que ser sua herdeira era a única coisa que me permitiria aceitar o seu pedido e ele disse que escolheu-me exatamente para isso. Bem, rapidamente fiz as contas, creio que não passaria muito tempo casada com ele. Tratava-se de um bom negócio e eu estava gostando daquilo, desde que não fosse preciso chegar aos finalmentes.

 

 

No dia seguinte fui desposada e na noite do mesmo, tornava-me viúva, não que eu tivesse intenção de consumar o casamento, mas não me custava nada fazer um desfile de lingerie à 5 metros de distância. Mas foi demais para o coração do meu querido espôso. Descanse em paz, meu finado e adorado, manda meus agradecimentos a Deus e diga-lhe que não tenho do que reclamar.

 

 

Sabe professor, Casar e enviuvar em tão pouco tempo, foi uma experiência um pouco traumática para mim. Contratei umas carpideiras, um banquete, organizei um belo velório digno do meu falecido espôso. No dia posterior senti-me a própria Jacqueline Kennedy Onassis- claro que não fiquei tão milionária, mas consegui um bom legado para curtir bastante. Acendi uma vela e tinha convicção que ele me escolhera sua herdeira porque sabia que eu jamais o desapontaria e faria bom uso. Não queria ter queimado tempo falando no meu casamento, mas eu precisava para justificar o patrocínio do que eu fiz logo em seguida.

 

 

No quarto dia de férias eu já estava com o falecido enterrado portanto solteiríssima novamente e pronta para comemorar esse feito, não a morte dele, mas minha solterisse, entenda. Finalmente entrei em contato com todos os amigos tentando reuni-los, isto era o ideal para me sentir feliz. Não quis perder tempo fazendo de distribuição de dinheiro para familia e amigos, ou filantropia, separei o que tinha para fazer de bem, adiando isto para o término dos meus 26 dias que me restavam nas férias.

 

 

Nem todos puderam me alcançar, nem todos gozavam do mesmo benefício que eu (férias viu? porque dinheiro não tinha problema) e outros hesitaram em abandonar seus empregos (admiro demais essa virtude neles, uma responsabilidade que merecem uma outra oportunidade para um segundo momento). E lá fui eu, rumo aos lugares que sempre sonhei conhecer durante anos. Inspirei-me em Júlio Verne para dá a volta ao mundo, mas reduzi os 80 dias para 30. Aquele século não contava com o benefício da tecnologia da aviação. Literalmente tentei pular nos lugares, deixei para outro dia esse lance de ser exploradora das terras “conhecidas”. Optei por sair do continente porque o Brasil eu já conhecia boa parte graças às viagens que fazia com meu pai quando ele era caminhoneiro.

 

Mas é óbvio que priorizei as proximidades. Uma amiga me pediu para que pudéssemos dá um pulo de cara no Paraguai. “No Paraguai não amiga? você faz suas compras quando retornarmos.” Mas iniciamos visitando nossos hermanos na Argentina onde pude conhecer o tango em Buenos Aires (neste momento imaginei como meu defunto, finado, falecido espôso adoraria está lá, mais uma vela em sua homenagem acendi). De lá fomos para Bariloche, foi minha primeira vez com a neve. Aproximamo-nos rapidamente das Cordilherias dos Andes no Chile até chegar ao meu alvo no Peru. Ah! que encanto Machu Pichu, pode ser até clichê me surpreender com aquele mistério, mas de fato, meu grande sonho se realizava ali. Uma das minhas companhias me pediu para, antes de subirmos à América Central, que pausássemos rapidamente na Colômbia, não me pergunte o que professor, afinal de contas a Colômbia é um país belíssimo e rico em artesanato.

 

 

 

Inaugurei minha chegada na América Central por Kingston na Jamaica, infelizmente deixei um pedaço da tripulação lá. Teve gente que optou por ficar lá a seguir viagem. Perdi bom, ou melhor, ganhei bastante tempo naquelas regiões por optar em conhecer o Caribe via Maritma. Não demorei muito na Cuba, mas eu cheguei a tocar o solo. Depois de comer burritos e dançar bastante na cidade no México ( o país não é só isso, mas entenda, eu era turista, não iria viajar para comer ou ouvir as mesmas coisas que tenho acesso aqui). Fui tomada por um desejo estranho de entrar nos States de modo ilegal, só pela aventura, sei lá, o que é proibido é sempre mais atrativo. Mas desisti porque não podia perder tempo, afinal ainda tinha 4 continentes para visitar. Não pretendia passar muito tempo noss EUA, apenas encostei em Los Angeles para fazer umas fotos na calçada da fama. Em seguida, voava para a terra do Canguru na Oceania, mais fotos para que te quero… Dizem que japonês é louco por foto mas depois da câmera digital quem não o é? por falar nisso fiz questão de visitar a China, o Japão e a Coréia do Sul (pelo menos eles) porque minha ignorância os generalizavam, como não estou no Discovery Chanel, não preciso entrar em detalhes.

 

 

Entrei na Europa pela Turquia e se havia viajado rápido nos outros dias, em terras européias eu apenas saltava de país em país (alguns, óbvio). Comia um pão aqui, bebia um vinho ali, tomava banho cá, colhia flôres lá. De manhã café em um lugar e à tarde chá em outro. Meu tempo estava queimando e havia pensado em passar na África só para cumprir tabela, tal foi meu engano. Na África encontrei muitas coisas bonitas, mas também muitas que me chocaram. Resolvi ficar um pouco mais e dá um tanto de minha atenção a eles. Mas pelo pouco que fazia vizualizava que não era suficiente e relembrei que havia muitos ao meu redor precisando de mim e retornei, feliz pelas aventuras vividas e também muito pensativa.

 

 

O senhor deve tá se perguntando o que estou fazendo em sala de aula já que estou milionária. Eu lhe digo duas coisas: primeiro que agora sim posso estudar tranquilamente, afinal educação é luxo, vou poder adquirir conhecimento sossegada sem ter de sair correndo para trabalhar, vou comprar os livros que eu quero etc, e segundo, não estou mais tão rica, resolvi doar quase 99% do que recebi em benefício dos outros, queria ajudar alguém como fui ajudada.

 

 

Essa é a mais pura verdade professor, eu cheguei alguns dias depois das aulas começarem devido a toda minha aventura e não por causa da burocracia da universidade. Não foi porque quase não me oferecem a disciplina, ou porque estivesse com dificuldades de encontrar horário compatível com meu tempo. Não, isso não.

 

Foram longas férias, inesquecíveis, e hoje sinto muita saudade de tud, principalmente do meu falecido que eu nem tive oportunidade de conhecer.

 

Inspiração:Há algum tempo eu recebi uma tarefa na faculdade para redigir sobre as férias. Foi só uma brincadeira que enviei para os amigos por e-mail. Claro que não entreguei para a professora assim, sou medrosa, vai que ela não gostasse da minha viagem.