Gerlandy Leão

 

Estive olhando o meu arquivo de publicações no mês de novembro e pensei: Daqui alguns anos quando retornar a ler vou pensar que este mês estava tomada por um espírito lúgubre. Já expliquei que cresci achando a morte até legal, uma vez que se tratava da passagem daqui para um mundo melhor. Apesar disso, é óbvio que sofria pela ausência da pessoa, fosse as que me deixaram, fosse as que deixaria com a minha morte.

Mas por que novembro? novembro inicia com os finados, porém não quero deixá-lo marcado como um mês fúnebre para mim. Ao contráio, tenho que louvar vidas maravilhosas deste. Então por que falar de morte se posso falar de vida? Tenho uma prima que nasceu nasceu dia 2, um primo no dia 9, minha irmã-melhor amiga dia 22 e este ano fui presenteada com um sobrinho que nasceu dia 10.

Receber a notícia de ser tia nem sempre quer dizer que você está velha, a exemplo, minha irmãzinha que tem 9 aninhos e já se tornou titia mesmo sendo nossa caçulinha. Mas isto não me livra de cair na real de que estamos envelhecendo cada dia mais rápido. Há dez anos comemorava meus 15 anos (com direito a todos rituais bregas). Essa data demorou tantao chegar, mas foi só o tempo de amarrar o cabelo já estava com 20 anos, depois num instalar de dedos estava com 25. Minha nossa senhora, (é minha ou é nossa?) é provável que num piscar de olhos eu seja trintona.

Sei que tempo é relativo, inclusive li há alguns dias de uma pessoa com minha idade que para um adolescente somos “uma tiazona de 25 anos, para um coroa, uma gatinha de 25 anos”. Mas não gosto nem de um nem do outro. Detesto conflitos de gerações, por isso, que eu me lembre nunca fiquei com uma pessoa mais nova ou mais velha 3 anos do que eu. Não é que eu force não querer. é que acabo não me interessando. Na verdade me interessei uma vez. Eu tinha 18 anos e ele 14. Um pirralho né? mas era daqueles bem nutridos, que aumentam a idade e conseguem enganar. O garoto vivia no meu pé, e eu tive uma conversa com ele: “Olha aqui meu filho, você é uma fofura, mas me procurre daqui 4 anos, quando você tiver pelo menos 18 anos e assim não serei acusada de pedofilia; Pode me ligar no dia do teu aniversário, a gente toma um sorvete juntos”. Ele topou o acordo e o menino crescia em graça, saúde e charme (parece narração bíblica).Ao completar 16 anos eu quis quebrar o acordo porque ele já estava irrestível. Mas segui firme no meu proposito.

Dois anos depois eu descumpri o acordo, pois estava namorando e não é só por questões de fidelidade, é que quando me apaixono fico aquela monogâmica que só tem olhos para o amado. Então o pirralho que já era um rapagão não me atraía. Mas como prêmio de consolo ele ficou com minha irmã. Que horror né? mas não foi sacrifício para nenhum dos dois e eu não fiquei como tratante.

Pois é, lembrei dele porque ele é pai agora. Poxa até aquele que eu desprezei por ser menino é pai, meu irmão, um ano mais novo que eu é pai. Minhas amigas de infância, exceto uma, as demais são todas mães. E é por isso que eu penso estou envelhecendo. Foi isso que eu sempre pensei, não tenho medo da morte, tenho medo da velhice, uma velhice solitária, sem pessoas legais ao meu lado. Lembro de uma cena do filme Caçadores de emoção, quando um personagem diz que deseja morrer ao surfar na maior onda do mundo: Eu não desejo chegar mesmo aos 30 anos. Ele radicalizou é certo, mas ele queria uma vida mais agitada e se morresse fazendo gostava o deixaraia feliz. Melhor morrer jovem e feliz que velho e amargurado. Até porque as pessoas não choram com morte de velhos, é muito raro você ver alguém emocionado com essa perda, tá todo mundo esperando mesmo. Quanto aos jovens, entram na história.

Aí me disseram para eu fazer um filho e assim ter garantido uma companhia na velhice. Que horror, fabricar um ser humano para isso. Deixo isso para pensar depois . Tem tanta gente necessitando de carinho e amor. Vou fazer filho para me fazer companhia? Falando em filho lembro novamente do meu sobrinho. Por que todos bebês são lindos? Foi tão emocionante vê-lo entrar pela porta, tão indefeso, tão cheiroso, igual à minha irmãzinha, entrou em casa nos braços de minha mãe com um par de olhos arregalados e com mãozinhas que pareciam palitos de fósforos, olhando para o teto, olhando para mim. Ah tã linda, a recém nascida mas linda que eu já vi. Também lembro quando fui visitar minha irmã mais velha no hospital. Puxa, eu lembro do nascimento da minha irmã de 22 anos que é três anos mais nova que eu. A minha irmãzinha agora é uma irmãzona e eu? e eu?

Pois é este o meu medo. Não é da vida, não é da morte, não é da velhice é da solidão ou será não? Ao mesmo tempo será mesmo gracioso, ser uma velhinha bonitinha com um monte de gente ao meu redor segurando o bolo e soprando as velinhas de cem anos por mim porque eu já não tenho força.

Aff é melhor nem pensar. Enquanto não fico velha, vou ao recreio. É clichê essa frase, mas vou me finalizar com ela: A vida é curta então curta a vida.

inspiração: e eu sei lá. só besteiras mesmo


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