Gerlandy  Leão


– Vem gostosa, vem… Me fala vai, diz que eu sou gostoso.

– Gostoso, meu gostoso.

-Quem é o teu homem?

– É você

– Fala vai, fala sacanagem que eu quero ouvir. Me fala vai, me fale sobre suas fantasias.

– Hã?

– Quero ouvir você falar sobre suas fantasias.

Tenta ignorar e sorrir levemente.

– Por que você ta rindo?

– Ah, por favor não corta o clima. Ta tão gostoso.

– Me fala, por que riu?

– Ah, não. Não faz isso. Eu sorri porque a frase foi engraçada. É estranho você tentar dialogar uma hora dessa. Esqueça isso, me beija.

– Só quero saber sobre suas fantasias.

– É você! Você é minha fantasia.

Para bruscamente e a encara indagando: – Isso é uma fantasia?

Ela ainda empolgada ignora: – Cala boca, me aperta vai.

– Não quero enquanto não me falar a verdade sobre suas fantasias.

– E eu não quero diálogo, eu quero você.

– Não disfarça, todo mundo tem uma fantasia.

– Já disse é você.

– Não pode ser. É a coisa mais sem graça que já ouvi. Você não confia em mim? Não tem noção como é broxante ouvir que a minha gata não tem fantasia.

Pensou que broxante mesmo era ter de ouvir: “Me fale sobre suas fantasias” em hora inapropriada.

– Mas eu não quero conversar, eu quero é…

– Das duas uma: ou você está me escondendo algo, ou é tão sem graça que nem consegue imaginar uma. Não sei o que é pior.

Ela enrola-se no lençol e senta-se à beira da cama enquanto brinca com a sandália no chão. Fica indecisa entre calçar e não calçar, falar e não falar. Mordisca os lábios impedindo que saia uma palavra.

“Fantasias existem várias, mas não consigo pensar muito nisso. Só penso em algo especial que direciono a uma pessoa que não sai da minha mente nos últimos dias. Sei tão pouco dele, mas em meus sonhos ele me quer. Ele é puro, sério e vai se casar. Adoro provoca-lo encarando-o. Gosto de passar perto e saber que ele olha pra mim. Eu o desejo tanto. Imagino que um dia, no intervalo não sei onde, mas em um lugar impossível de sermos vistos nós nos realizaríamos quando nos encontrássemos. Ele pensaria que seria uma mera coincidência aquele lugar, aquele horário, só nós dois e eu usando vestido. Bobinho, tudo milimetricamente armado apenas por mim, pois não é bom ter cúmplices, eles sempre abrem o bico. Olhamos para o lado e percebemos que só tem nós dois. Ele ainda hesita e fala: “Ai meu Deus!” Lembra-se da namorada no estacionamento o aguardando para o almoço. Ele tem medo e eu lhe cito a Bíblia: “Os covardes não herdarão o reino dos céus.” Não é covarde e me ataca jogando-me contra a parede levantando o meu vestido. Sustenta-me segurando minha bunda com suas mãos e deixando minhas pernas penduradas ao encaixar minhas coxas em seu corpo para que eu não caia. Beija-me o pescoço e olha mais uma vez para o lado certificando não haver ninguém. Afasta a minha calcinha e me encara removendo a mecha de cabelo caída no meu rosto para que possa fitar no fundo dos meus olhos. Encosto minha cabeça em seu ombro enquanto solto gemidos que depois serão abafados por sua boca deliciosa. Propositalmente tento morder-lhe os lábios, propositalmente enfio as mãos por baixo de sua camisa e lhe arranho as costas. Sustento-me no chão e me viro, ele me empina enquanto apoio minhas mãos na parede como se fosse abraça-la. Ele abraça minha cintura com uma mão e com a outra enrola meus cabelos puxando minha cabeça para trás enquanto me beija. Ficamos naquele movimento delicioso quando finalmente conseguimos nos satisfazer. Ele morre e descansa o corpo sobre o meu ainda em pé de frente para a parede. Entre o reino do céu e o último gemido, passam-se pouquíssimos minutos, mas suficiente para nos saciarmos. Apoiado sobre a parede enquanto ainda respira ofegante, retiro-me sem me despedir. Quando finalmente percebe minha ausência pergunta-se o quer fez. Encontra a namorada no estacionamento aborrecida pelo atraso. Ela é tão linda e perfeita que ele não consegue encarar esse presente de Deus. Não conseguiria mentir por muito tempo e confessa que estava com outra mulher. Ela para o carro, grita, agride e o expulsa enquanto ele chora e pede perdão dizendo que a ama, foi apenas uma cilada do inimigo. Depois da persistência ela o perdoa e me chama de vadia, puta, vagabunda e demônio. Perdoa com a condição de que nunca mais me veja. Os dois se abraçam e oram. Daqui um ano estarão casados frequentando o culto dominical. Ele vai me evitar sempre, evitará até lembrar de mim, mas de tempo em tempo ela o fará lembrar para que sempre se arrependa daquele almoço e sempre peça perdão. Mas viverão juntos por muito tempo, se serão felizes, não sei.”

Assusta-se quando é tocada no ombro:

– Tá pensando em que? Em suas fantasias?

Pensa consigo que ele só precisa ouvir o que quer ouvir.

– Já disse meu bem. Está com você sempre foi minha fantasia. O chato é que fantasias não devem ser realizadas senão deixam de sê-las.

– Não tem mais nenhuma?

– Confia em mim, você não vai querer ouvir.

– Me fala

– Vem cá meu…

Observação: Para os curiosos essa sou eu sim, mas não estou nua. Sempre quis ser modelo de algum conto, acho que agora casou bem. As demais  fotos da tentativa de ensaio encontram-se aqui rs.

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