Datas


Gerlandy Leão

Minha cadela deu cria em véspera do dia das mães. Confesso que não é uma cena agradável de se ver. Ela teve uma gravidez fácil e manteve o corpitcho enxuto, e foi exatamente por isso que fui surpreendida no meio daquela tarde. Estava meio tristonha e procurando um lugar pra ficar. Nem me toquei quando percebi que  ela não quis o almoço e ainda vivia invadindo meu quarto. “Pichuleta! Saia já daqui”, mas ela não queria sair tão facilmente debaixo da minha cama. Depois de vários gritos em cima dela,  resolve se retirar com um filhote pendurado. Eu havia interrompido o nascimento do seu filhinho. Óbvio que sensível como eu sou, aquela cena me chocou e simplesmente não sabia o que fazer.  Pensei ver  um aborto espontâneo.

Entre choros e gritos, minha irmã chega da rua e me acode (a mim, porque eu estava nervosa), enquanto nossa cadelinha  dava um show de segurança. Nascido o primeiro filho, minha irmã resolve me deixar sozinha mais uma vez . Burrice nossa, uma cadela não dá a luz a um só  apesar da barriga pequena. E lá vem a cadela desesperada enquanto os dois filhotes gritavam também. “O que é Pichuleta? Vai cuidar dos teus filhos” . Sei que ela tava tentando e  a via com um carinho todo especial beijando os filhotes, mas ao mesmo tempo sentia seu desespero. Essa cadela me deu trabalho, gritava e subia em cima de mim com um olhar de dor. No meio do desespero ligo para a louca da minha irmã aos berros: “ela vai morrer, ela ta sofrendo” e a insensível tenta me confortar: “ela sabe o que fazer”. Sei, elas sempre sabem o que fazer, mas parecia não entender o que a natureza fazia com ela e eu muito menos. Em vez de lhe dá a mão , apenas chorava e ligava para minha mãe e a desnaturada de minha irmã. No final das contas ela teve 6 filhinhos lindos. Até hoje estou chocada com aquela imagem de dor.

Agora, no mês de maio que homenageia as mães, apesar de ter passado o segundo domingo de maio, fico pensando sobre a maternidade. Ontem estive em uma programação da igreja em homenagens às mães e achei algo curioso. Muitas canções, frases e homenagens diversas se limitam a agradecer à Mãe pelo sangue, por carregar na barriga. E fiquei pensando como é equivocado. Para mim o espírito materno não está em carregar criança no ventre. Lembrei na hora da minha cadela e como senti medo mesmo de dá cria a um ser. Lembro da dor que  ela sentiu e imagino o quanto deve ter sido traumático no entanto ela não  tem sido atenciosa e fica fugindo dos pirralhos. Prefere dormir longe deles, talvez por isso seus cãezinhos  tenham falecido . A coitada ta magra e sem força de cuidar deles. Às vezes a admiro pela força que teve na hora de parir, outra hora eu não entendo porque ela não se mostra uma mãe mais atenciosa. E é por isso que fico pensando na maternidade e não cultuo esse lance de “sou sangue do seu sangue”.

Posso até parecer desnaturada, mas esse espírito materno não me encanta  apesar de achar a   gravidez muito bonita. Penso em ser mãe, mas não necessariamente em carregar alguém em mim. Penso nas possíveis desvantagens de se carregar uma barriga. Estava dando uma zapeada na net no álbum de algumas conhecidas grávidas e poucas conseguem se manter belas. E posso parecer insensível e/ou fútil (os que me conhecem sabem que não sou), mas 9 meses de gravidez implica pelo menos 3 retoques a menos da minha raiz, mais os meses que amamentarei, querendo ou não isso vai mexer sim na minha auto-estima. E o incômodo de levar aquele barrigão para cima e para baixo. Apesar de errado adoro dormir de bruço, onde colocaria o bucho quando estivesse deitada?

Confesso que se eu descobrisse hoje que não herdei os genes da Dona que  convivo há 27 (ou seja, minha deusa, minha rainha, minha linda mãezinha), eu não morreria. Ouço falar da importância do ventre, dos cuidados na barriga dentre outros, mas minha lembrança mesmo (e olha que minha memória é ótima) é de quando era criança. Não consigo lembrar de está mergulhada em algum lugar especial onde era alimentada ou ouvir alguma musiquinha. Recordo mesmo das brincadeiras, dos cuidados.

Meu instinto materno está mais em cuidar do que contribuir com genes. Aos que me conhecem sabem que não é novidade que tenho uma irmã adotada e que também penso em adotar uma criança depois dos 30 anos. A experiência de ser irmã de alguém que não tem meu sangue foi muito importante , meu amor por ela mesmo não sendo de mãe ultrapassa qualquer relação com o sangue. Quero ser mãe, mas não necessariamente parir, o que não quer dizer que não vá engravidar. Só digo que não é minha prioridade, não estou planejando barriga, mas se um dia me dê na telha que vai me fazer bem engordar um pouco mais e ter umas estrias a mais e sentir um chutinho dentro de mim, talvez eu opte por isso.  Ou se me der uma doida e eu passar a valorizar os genes, talvez faça como a Sarah Jessica Parker e MAthew Broaderick e contrate uma mãe de aluguel. Xi, havia esquecido um detalhe, não tenho a grana que eles têm.

Deve ser por isso então que não resumo a  importância por ser sangue do meu sangue, assim como não resumo a importância do pai por ser doador . Fosse assim  o Bicó que rodeou a Pichuleta por vários dias para conquistá-la e impedi – la de conhecer alguém legal, seria um grande pai e estaria ao seu lado enquanto os filhotes nasciam, no entanto esse cachorro fazendo jus a sua espécie não se deu ao trabalho de tentar saber como ela estava . Ludibriou nossa  inocente cadela e sumiu no mundo. Agora ela se vira, bem que ela poderia ter largado por ai ou ido atrás dele o obrigando a cuidar das crias “toma que o filho é teu”. Mas não faz isso, apesar de assustada e parecer desnaturada, ta levando pouco a pouco.

Ser mãe é muito belo e admiro e aplaudo a todas que levam esse exercício e embelezam a vida.

Gerlandy Leão

aniversario

Maio é um mês muito especial para mim, mas o dia 25 em si não é tão marcante assim. Parece que adiei minha comemoração para o dia 24 desde quando meu irmão nasceu um dia antes deu comemorar um aninho. Depois disso, não tenho lembrança de festejar no dia 25,  nem mesmo meus 15 aninhos, esse foi comemorado um dia antes. REfaço as contas e lembro que muitas pessoas que gosto são desse mês e parece que de tanto comemorar junto com as demais o dia 25 acaba ficando sem graça.  Estou muito feliz, independente do dia 25 me sinto privilegiada pelas pessoas especiais que estão ao meu redor,  lembrando ou não. Este ano não foi diferente, acabei comemorando alguns dias antes da data oficial fazendo algo que eu amo, brincar com as amigas, comer,  dançando entre outras coisas. Tô muito feliz mesmo.

Hoje então é um dia qualquer e já sou feliz. Em todo caso, hoje ganhei uma folguinha em plena segunda-feira e  como não dá p correr para uma farrinha acabei ficando em casa mesmo descansando e vou já sair com a família para comer um bolo, coisa bem leve.

Algumas datas interessantes deste dia segundo o Wikipedia

Gerlandy Leão


Quando a olhei pela primeira vez estava quase perdida nos braços da minha mãe ainda dentro do Táxi. Corri para ajudá-la . Minha mãe em mais uma tentativa de me fazer acostumar com a idéia de ter uma irmã adotiva, tentou entregá-la a mim. Recusei: é melhor eu pegar a sua bolsa. Assim me esquivei da responsabilidade. Não queria mais ninguém em casa, nem por isso estava disposta a desagradar minha mãe.

Euforia em casa, todos comemoravam a chegada de mais um bebê em casa depois da caçula ter completado 12 anos. Eu só perguntava por que levar uma criança já que meus pais tinham idade de muitos avós por aí, apesar de serem jovens ainda.

No primeiro momento não participei da festa de recepção, até porque fui contra desde o início. Apesar disso tentei ser cortez com o bebê tentando conhecê-la.

Quando a peguei no colo senti uma emoção instantânea, mas continuei firme para não mostrar que mudara de opinião tão cedo. Aquela sensação me inquietou. Ela era a recém-nascida mais linda que já tinha visto. Tinha um cheirinho delicioso melhor do que todos os bebês do mundo.  Ela era delicada e indefesa e eu desajeitada e inexperiente tentava encaixa-la nos meus braços. Seus dedinhos pareciam da espessura de um palito de fósforo e tinha os olhinhos tão redondo negros e abertos. Eram curiosos e atentos a cada cômodo da casa que eu lhe apresentava. Boba, eu parecia uma bobona que cedia àqueles olhinhos lindos, sei que ainda não podia sorrir, mas por um momento pensei vê-la sorrindo para mim. Bobagem, em poucos minutos eu dizia: Vou te proteger.

Ela se tornou o motivo de muitos dos meus sorrisos e muitas vezes confidente. Quantas vezes já maiorzinha,  enquanto desenhava em um papel eu lhe desabafava. Era a melhor ouvinte que eu podia ter, não reclamava e também não cobrava. Às vezes me via chorando e me abraçava querendo chorar também.

Nosso quarto se transformou em um palco de sonhos e shows onde nós duas somos popstar’s e fingimos que cantamos para um grande público que enlouquecidos gritam nossos nomes pedindo mais um hit do nosso repertório tão famoso. “Vamos lá galera”, idiota falado por outro cantor, mas nós somos famosos. “ Nega, eu vou te morder!”.

Com ela sou adulta e criança. Adulta quando tento protegê-la, ensiná-la, agradá-la; Criança quando brinco tanto quanto ela, quando somos realmente como irmãzinhas, quando eu deixo que ela penteie o meu cabelo e reclame porque estou com o cabelo liso e ela não. E como é bom acordar ouvindo sua vozinha meiga cantando, tão afinada, tão delicada: “Apaixonado o o, apaixonado o o…”, entre tantas canções que ela gosta de cantar e repete mil vezes no som de casa para meu desespero e dos demais familiares.


Ela veio trazer cor à minha vida e vida às minhas cores. Ela é a menina bonita do laço de fita que alegra minha vida. Impossível imaginar década sem minha linda Lalay.


Gerlandy Leão

A idade não tirou o encanto e inocência de seu belo sorriso. Como gosto de olhar para seu sorriso, como é bom poder admirá-la enquanto folheava uma daquelas revistas que vendem bugigangas. Através dos óculos para leitura de perto, colocados na ponta do nariz, percorria as páginas enquanto procurava algo interessante para comprar. Passava o dedo na ponta da língua e virava a página, gesto que eu sempre reclamava por não gostar dessa sua insistência em utilizar modos de velho. Era a única coisa que a aproximava de uma velhinha, pois apesar de começarem a aparecer os primeiros fios brancos de cabelo que vez ou outra me pedia para eu retirar, ela ainda está longe de ser uma.

Percebeu minha admiração, parou a atividade e virou a cabeça para o meu lado:

– Que foi? perguntou com jeito delicado. Apenas sacodi a cabeça encenando que não havia nada.


Mas ela persistiu com a pergunta, estampando seu sorriso encabulado e interrogativo com expressões e sons que eu não consigo expressar através da escrita, mas geralmente vindas depois de um “oxe!”, “humm, que é hein?” ou apenas “Ó”.


Na verdade eu pensava como minha mãe parece uma menina. Acho que me tornei mais velha do que ela há muito tempo. Imagino que o fato dela me conceber aos 17 anos não a fez amadurecer rapidamente mas sim interromper seu crescimento ao fazê-la trocar suas bonecas de pano por uma boneca de carne, osso, cartilagem …, com diferenças significativas como por exemplo: não poderia ser colocada numa caixa de brinquedos qualquer do jeito que se quisesse, mas precisaria de muitos cuidados.


Ah, minha mãe com seu lindo sorriso, não deu chance a meu pobre pai que sucumbiu diante e ao mesmo tempo ressucitou para uma nova vida ao seu lado. A inocente, sim, embora eu na sua idade fosse mais esperta, minha mama era uma boba menina que esperava brincar de casinha depois do matrimônio. Mas a coisa era mais séria . Logo eu apareci fazendo minha mãe engordar 12 kg e ainda sentir a maior dor, segundo muitas, a dor do parto.


Eu devo ser uma louca, porque não conformada ainda queria mais. Como nós mamíferos humanos somos dependentes das mães por tanto tempo, mas ela nunca reclamou dessa missão e veio me alimentar, me abrigar e me encher de todo amor que poderia dá. Foram noites e dias ao meu lado e mesmo quando foram surgindo os irmãozinhos ela se multiplicou para nos amar por igual e não nos deixar qualquer lacuna.


Fui crescendo e precisamos nos separar. E meus primeiros dias de aula? Por que eu deveria ir à escola? eu só queria ter chorado por me separar dela, mas com um pedido tão confiante seu: “Você está mocinha, não pode chorar, logo logo voltarei”. Para mim não poderia decepcioná-la, então segurei o choro. Lembro-me no dia em que a saudade foi muito forte ao ponto de não me deixar controlar, mas diferentemente das demais crianças, não me esgoelei, esperneei ou fiz qualquer escândalo, apenas deixei rolar uma lágrima percebida por minha professora que interrogou-me o que eu tinha. Envergonhadamente, respondi que precisava ir ao banheiro, mas ela não deixava. É óbvio que depois da cena recebi permissão e enquanto era aguardada pela professora do lado de fora, eu chorava sentada no vaso sanitário. Não lembrava, mas foi aos 4 anos de idade que iniciei a tradição de correr para chorar no banheiro, depois de segurar por muito tempo. Fui recompensada horas depois, ao término da aula, com sua presença na porta da escola sentada em sua Caloi rosa, prontamente para me levar para casa


Desconfio que minha mãe seja doida ou realmente uma eterna menina. Não dá para esquecer as nossas brincadeiras de infância juntas, dentre elas aquela em que subíamos no pé de carambola e lá ficávamos durante a tarde inteira comendo essa fruta com sal.


Cheguei a levar algumas palmadas por malcriação que doeram bastantes e embora nunca tenha falado em arrependimentos, vejo que fica sem graça sempre tocamos no assunto. Por falar em assunto, essa mulher nunca foi boa de conversa, principalmente se tratando de assuntos de meninas, para isso usava metáforas, nisso ela era boa. Acho que herdei esse poder. Outra herança genética ou do meio foi o fato de fingir que não viu, escutar, observar, maquinar, planejar e só então sair para o bote. E claro, estava esquecendo meu pior defeito, a ironia.


Como gosto daquele sorriso bobo quando tá nervosa, quando tá feliz e até quando tá triste ou derrubando tímidas lágrimas que ela simplesmente, para tentar disfarçar, força um sorriso. Não é um sorriso banal, não é disperdiçado à toa, mas tem sua função. Um sorriso que nunca perde a esperança que indica que tudo vai ficar bem e que tudo vai dá certo. Sem ela morreríamos, porque é a energia, a força que alimenta e equilibra nosso lar.


Dizem que um filho só aprende a dá o valor aos pais quando passa a ser também. Comigo não tem sido assim, pelo menos acho que não. Lamento as vezes que dei tanto trabalho, por tê-la magoado e principalmente por não ser uma filha melhor, mas minha mãe é tão perfeita que me quer do jeito que eu sou.


Inspiração: O mÊs de maio tá encerrando daqui duas horas e eu não poderia deixar de esquecer de falar sobre algo importante, essas mulheres maravilhosas. Dentre tantas que existem não poderia esquecer de falar da minha rainha, Dona Eró.

Gerlandy Leão

E não é que sobreviveu.

Este espaço que vos escrevo, completou um ano no ultimo dia dez. A idéia era publicar algumas bobagens que eu tinha, mas no decorrer dessas surgiram outras idéias. Continuo com várias guardadas e com uma preguiça imensa, mas acho que a gente deve escrever independente de que gostem ou não. Vejo que é muito importante o que faço principalmente para mim. Fui reler meus textos depois de tanto tempo e me senti uma mera leitora, nem lembrava mais como havia chegado até aqui.

Quem me conhece sabe da minha paixão por contos e as dúvidas que eles deixam em nossas cabeças. Depois de algumas críticas continuo dizendo que não vou mudar nenhum final, no entanto achei por bem fazer um um final alternativo para os principais textos que escrevi. Fui fazer umas visitas e reencontrei vários personagens, eis alguns:

a vendedora de bolo…… recebe uma encomenda de manhã cedo

a pia ……………………….. é instalada no quarto sem torneira por perto

a rua………………………… voltou a ser sondada

o cadeirante……………… caiu ao tentar se adaptar e voltou rastejando para a velha amiga cadeira

a lagarta………………… nunca mais apareceu

a flores………………….. enfeitaram outras covas

a frase…………………… nunca mais será vista

As mães………………… são o grande apoio dos filhos

a forma geométrica…. expulsou um de seus pontos

a menina……………….. continua boiando pelas águas tentando aprender a nadar

a mulher……………….. encontrou um pai para o filho, mas desistiu de concebê-lo.

o casal………………….. separou-se, juntou-se, separou-se de novo e estudam um retorno

a figueira………………. insiste em achar que está seca, mas continua alimentando quem a procura

A pipa………………….. Teve uma queda maior, mas soube que está tentando se consertar novamente.

A janela……………….. virou lembrança, agora prefiro portões.

As viagens…………….. ganharam novos planos

O Incubus……………… ah o Incubus!

Quero agradecer desde já aos meus poucos mais fiéis leitores (ai como sou chata), principalmente aqueles que participam ou escrevendo seus comentários aqui ou discutindo comigo. PArabéns ao Contos da Serpente, me ajudou bastante no último ano.

Gerlandy Leão 

Reza a lenda que um blog, quando está sem assunto, coloca vídeo para entreter a galera, como existem bastantes por aí, preferi expor minha retrô do ano. Já tenho 2 anos que envio para as pessoas que são citadas na lista , este ano resolvi guardar, depois tava lendo e vi que não custa nada mostrar como a felicidade para mim é tão simples ao me fazer lembrar de coisas tão singelas.  Aos novos leitores, relembro que a apresentação não segue ordem cronológica ou de importância. E ainda utilizo falas que só a pessoa conseguirá decifrar.  2007 foi 

  • Primeiro dia do ano em Canoa Quebrada numa viagem inesquecível
  • Um caldo de cana especial;
  • Uma dança e duas cadeiras, dancei… Eu só queria o Delorean;
  • Poucos metros quadrados;
  • Publicar minhas bobagens no meu blog;
  • Salomão: rainhas e concubinas;
  • Adeus Incubus;
  • Tia?
  • A ameaça na reta;
  • O olhar, Sonífera ilha acompanhado de: “Eu sei, agora eu sei”;
  • Meu primeiro aniversario em versão infantil: Turma da Mônica, com bombom e musiquinha de criança;
  • Só podia ter nome de santo;
  • Aparecer nos últimos minutos do EREBD em Teresina;
  • Teoria do Dr. Brown e a volta à linha da vida;
  • Voltar a brincar São João na rua e cacuriá;
  • Quarteto fantástico em Bacabal City;
  • Uma equação: Amor E Paixão; Paixão e Amor; Amor e Dor; Ódio e Nada; Indiferença e Paixão; Amor; =?;
  • Bom Demais! Só o filé;
  • Aniversário de ANINHA em Fortaleza;
  • A guangue com CARISE e KEULY (Dreams girls ou meninas super poderosas);
  • O nascimento do HADAN;
  • O cheirinho da LALAY
  • Olhar LENE apaixonada e na cozinha… Que Nindo!
  • Reencontrar DANIEL meu padreco preferido que está na selva tentando converter índios hahahha;
  • A turma gente boa do carué: LAYENDER, YTAJARA, PAULO, DAVI, BOB e THIAGO;
  • Acompanhar mesmo que longe o nascimento do belíssimo projeto da NEGA FRANCI;
  • Contar sempre com a maturidade de FRANCIJANE;
  • Carnaval com a galera do Laranjal- não gosto mesmo disso, melhor me aquietar no meu canto;
  • Um presente especial de KEULY auauauauuauauau
  • Formaturas de JOSANA e ROSETE;
  • A vinda de ANDRÉ e CAUÊ em Setembro;
  • O milésimo gol do Romário… pow muodu minha vida;
  • Aniversário do Ninja Jyaria LEOZINHO;
  • Companhia virtual de FABIANO;
  • As batidas do carro do ZOIDE… ele ainda mata a gente;
  • Ser famoso no Brasil eu já sabia que não precisava de talento, mas se vc não consegue ser BBB, jogar futebol, ter a bunda grande, basta ser amante de político;
  • Sapo não anda, sapo não pula “Sapupara”… nunca mais!! Ui chega me tremo;
  • A Pitose, “Ta bom, tu não é uma Jennifer Lopez, mas é gostosa” Silicone hahahahaha, só as doidas mesmo;
  • Beija o canudo;
  • Mais um assalto para o curriculo;
  • Rapaz e num é que mataram o Sadam? De volta à idade média;
  • Comprovar que quem merece perdão é só arrependido em só se arrepende aquele que não teria feito algo. Conclusão: Certas pessoas não merecem meu perdão.
  • Como se fosse a primeira vez;
  • Uma moldura;
  • O papa no Brasil e transforma a nossa vida, a sentar em uma cadeira e falar poucas palavras em português;
  • Tome, tome, tome;
  • O dia depois de amanhã;
  • A batida do martelo;
  • Obrigada, mas eu não vou;
  • “La tortura” na litorânea… quantas noites divertidas;
  • ‘Eu poderia ficar aqui por muito tempo”… Isso é bom!;
  • Olha a onda, olha a onda;
  • Conhecer a casa de biblioamigas distantes MARCINHA (PE) e REGINA (PB);
  • Aproximação com minha pupila CAROL;
  • DANÚBIO louco para estrelar um filme hehe;
  • O cuidado de  RAÍZA e LUCIANO… vcs me iludiram para esse tal de sapo na lagoa;
  • As conversas sérias JONJON e JU FONTELES;
  • As conversas cheias de vida com CAUÊ e nosso vício por discussões de qualquer espécie;
  • O presente enviado por KYRIA;
  • As binadas do JULIO;
  • Um abraço dos pais;
  • Perceber que minha irmã DEDÉ é retardada, mesmo assim amá-la cada dia mais;
  • Conhecer KAREN e o maior acervo de música que já vi;
  • Chupabalahalls, xirimalaia, Assiama Lakai;
  • Minha colação de grau e o vestidinho lilás, quem diria?
  • Show fantástico do Nação Zumbi;
  • Pagodinho Vagabundo (Fui ludibriada);
  • Separação do Gianne (Se Marília teve chance, eu tb pow);
  • Vai Danada 2;
  • Levar Calote (mais um);
  • Nome no SPC e SERASA por causa de amigo (de novo);
  • Romper (não foi o hímen);
  • O sarau que não ocorreu;
  • A carambola do BRUNOIA que derrubou Keuly (para as mentes pervertidas, foi só uma mistura de bebidas ta?);
  • Do ódio ao amor: RENATO e ALBENI juntos;
  • REcepção de BETH
  • Os divertidos diálogos com AARÃO… pena que ele gosta do Minardi;
  • GARDÊNIA e sua obsessão por uma letra do alfabeto;
  • Não conseguir rever GEORGIA;
  • Reencontrar HEDYJANE, virtualmente;
  • Visitas virtuais de amigos distantes GILSON, GUGÂO (RN) e THIAGO (DF);
  • CUrintia na segundona;
  • Descobrir que há vida sem encontros estudantis (apesar da saudade)
  • A palestra magnífica de Ariano Suassuna;
  • Kabão, eu também fui Dona Daíse;
  • Me afastar de uma grande amiga e lamentar;
  • Início de depressão mas dá a volta por cima;
  • Um peixe especial;
  • A paródia de more than words;
  • A visita de meus avós;
  • A tentativa mais a ausência de um título;
  • Ser consciente que a hipocrisia é peça fundamental para a boa convivência social, mas compreender que chega um momento de reconhecer  que até grandes atores levaram framboesas por atuarem mal. Para evitar correr esse risco preferi recusar subir ao palco;

 Aprendi a valorizar mais do que nunca a família e a amizade. Estes não são descartáveis. Não sou auto-suficiente, mas não quero apenas a ajuda, quero somar e sei que tenho feito isto.

Gerlandy Leão

 

“- Eis o verdadeiro sentido do espírito natalino: a comilança e a troca de presentes”. Dizia isto a uma pessoa ao lado, após engolir uma fatia de rocambole, enquanto admirava a bela mesa ornamentada de doces, salgados e frutas de um lado e a outra repleta de presentes dos funcionários da empresa esperando o momento para serem entregues aos seus donos. Foi repreendida pela colega de trabalho que ansiosamente aguardava a hora do amigo secreto “- Não é bem assim, natal é mais do que isso.” Realmente não era só isso. O natal poderia ser visto como uma data de confraternizações, na verdade ela via como o momento mais adequado para por em prática todo o seu talento de artista em um palco do Teatro da hipocrisia. Não que a hipocrisia fosse de todo ruim, pois equilibrava a vida em muitos momentos.

Havia aprendido a ser hipócrita bem cedo, ainda cursava as séries iniciais do ensino fundamental. Era chegada hora dos sorteios dos nomes, mas antes, um aviso da tia professora: “- crianças, estamos participando de um amigo secreto, momento que vocês precisam provar que são capazes de guardar esse segredo como se guarda algo bem precioso e que não queira repartir com ninguém a não ser no dia adequado.

Estava preparada para guardar o segredo, mas não para retirar aquele nome. Desenrolou o papel com a duas mãos há pouco mais de um palmo de distância do rosto, percorrendo os olhos pelas letras escritas no mesmo sem acreditar no que lia. Os olhos elevaram-se por cima do papel buscando encontrar o amigo até encontrá-lo no canto da sala com um sorriso demonstrando satisfação pelo amigo sorteado. Dobrou o papel e procurou a professora: “- esse eu não posso tia porque…”, a mesma nem quis ouvi-la, apenas repetiu que era o seu segredinho e que seria divertida a brincadeira da adivinhação.

A mãe comprou um carrinho de plástico, simples, mas bonito. Finalmente os amigos se divertiam enquanto ela ficava nervosa ao perceber como os seus coleguinhas se saíam na apresentação e logo após se abraçavam ao entregar os presentes. Seu momento se aproximava. O que ela diria? A vontade que tinha era dizer: eu odeio meu “amigo”, mas não podia, tinha que se comportar como uma mocinha. Havia pensado em fingir alguma doença só para não ter que fazer aquilo, mas não fez, agora estava arrependida, segurando o carrinho nas mãos. Chegou sua hora, e de cabeça baixa só falou o nome do “inimigo”. A professora mandou que eles trocassem abraço de confraternização. Ela quis chorar, mas fingiu confraternizar, tentou lembrar do espírito natalino, do perdão, do amor fraternal, não conseguia. Relembrava as humilhações passadas durante o ano.

Abraçava agora seu maior inimigo, aquele que puxava suas trancinhas e cuspia em suas costas. Aquele que derrubava o seu lanche e que a impedia de brincar na hora do recreio com os demais alunos do grupo. Aquele que apelidava devido os sapatos ortopédicos para corrigir seus pés. Ele era bem mais velho que ela, e estava atrasado na escola devido às reprovações. Filho de um fazendeiro das redondezas, fora estudar na mesma escola dela como um castigo. Para os pais da garota, estudar naquela escola era um prêmio, devido ao esforço para pagá-la. Para os pais dele era uma forma de castigar o filho, por não ser uma das melhores da cidade. E lá estava o menino, uma criança, mas com ar de riquinho, humilhando todas as criancinhas ao redor. Mas a sua vítima favorita era a humilde menina magrela de pernas tortas e cabelos compridos. Procurava entender porque o espírito natalino tinha que obrigá-la a abraçar alguém que tanto lhe maltratara e que ela tanto odiava. Mas optou pela trégua, embora ainda não soubesse o significado dessa palavra.

Ele não deu trégua. Parecia que aquela brincadeira havia caído como luva. Que ironia do destino receber o presente exatamente das mãos da “menina bobona da sala”. Desembrulhou o presente e não perdeu a oportunidade de provocá-la novamente. “-um carrinho? Mas que carrinho idiota”. Ele entregara um carro 10 vezes maior, não tinha porque se contentar com um carrinho. A professora quis intervir, dizer que o importante era o sentimento e a troca de lembranças. Mas ele não se conformava com a bugiganga e ria com todos os demais, a menina só segurava as lágrimas. Ela bem que queria ficar com o presente ele era azul e bonito, não era grande coisa, mas pelo menos era melhor do que as meias bobas que ganhara. E ninguém queria o carrinho idiota. Todos seguiam o líder das chacotas.

O menino começou a espernear e chorar dizendo que tomaria o presente de volta jogando o carrinho no chão, logo o que tivesse seu presente tirado de suas mãos não poderia sair perdendo e tomaria do seguinte até chegar ao último. Assim a brincadeira iria se desfazer por sua culpa, por culpa do seu maldito presente. Até ela começava a odiar o carrinho, quando alguém se aproximou do cantinho onde o brinquedo se encontrava e o pegou com carinho. Perguntou ao dono se ele não gostaria de trocá-lo pelo seu presente. Não que ele não tivesse gostado, mas preferia o carrinho. “- Fique com ele, me dê o seu”. Era um perfume alfazema daqueles comprados em supermercado, mas ele preferiu este àquele vindo da menina. Ela agradeceu ao amiguinho que fez a troca e por tê-la salvo da humilhação. Ele falou que realmente tinha gostado da lembrança. Mas não pode, pensava ela: “aquele carro era realmente idiota”. Ela recebeu um favor de alguém que nem mencionou natal para sua atitude, o seu herói marcara para sempre suas festas seguintes. Como você pode salvar alguém sem pedir nada em troca ou se justificar por uma data? Todo dia é o dia de fazer o bem. Com nenhum dos dois meninos manteve muito contato, nem o primeiro tornou-se inimigo e nem o segundo seu amigo, ano seguinte se separaram. Mas ambos marcaram a seu tempo.

Nos anos posteriores brincou normalmente ignorando o perigo de reencontrar novamente alguém desagradável. Era como uma roleta russa, as chances de encontrar alguém querida era maior. Mas com o tempo foi percebendo que esta era uma brincadeira idiota. Ninguém se conformava com o que ganhava. Todos faziam uma cara falsa de conformados, ou outros demonstravam o desgosto. Ela não entendia porque insistiam em confiar a alguém a compra de seu presente. Trocar presentes por que? Não seria melhor se presentear ou presentear alguém sem esperar nada em troca. Era vista como amarga, ou que não entendia o verdadeiro espírito, mas ela não se recusava a se confraternizar, só não gostava do amigo secreto.

Naquela manhã, ela ficava sossegada em não ser obrigada a abraçar ninguém e o melhor entregar presente a quem não merecesse, pela primeira vez expressava a sua opinião, ou parte, ainda era hipócrita, não podia machucar pessoas queridas dizendo que Natal era uma farsa. Sobre o pensamento alto de natal ser comilança, corrigiu à colega: é comer e repartir o pão. Viva o natal, viva o amor fraternal.

Inspiração: Estava na fila do banco e comecei a pensar na chatice que é amigo secreto. Como a fila não andava resolvi escrever algo. Viajei um pouco, mas tem cenas da minha infância.

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