Gerlandy Leão 

   

Lagarta Peluda

– Tenho algo para te mostrar muito lindo, na verdade,  a coisa mais linda que eu já vi. Está aqui dentro deste copo descartável.

– Ah! Já estou frustrada, por um momento pensei que fosse me mostrar o Gianeccini, mas sei que um homenzarrão daquele não cabe aí dentro. … Bem, não faço a menor idéia do que pode está escondido aí dentro. 

– Levanta a tampa do copo com cuidado para não machucar. 

– Para não me machucar?  

– Não burra. Para não machucá-la . 

– Mas que diabos é isso? 

– É uma lagarta.  

– Sim, isto eu sei. Me refiro ao que ela está fazendo aí dentro com este pedacinho de folha? 

– É que eu nunca tinha visto uma lagarta assim tão diferente e linda, queria tê-la perto de mim. Já que bela borboleta vai se tornar?

 – Entendi. E colocando uma folha de acerola você pretende simular o hábitat dela para que ela se sinta em casa e à vontade para colocar as asinhas de fora?

– Não vai me dizer que não se agradou dela? 

– Sim. Até estou muito admirada. Ela é bonita e tão peluda, tão esquisita, tão diferente… me lembra até um cachorro em miniatura… isso mesmo, parece o Floquinho do Cebolinha. 

– Pois é, ela é muito rara corre perigo lá fora, por isso resolvi cuidar da minha Chucrute. 

Chucrute?!?! Não acha americanizado demais. Você pelo menos sabe o que significa isto.

– Eu gosto de Chucrute. Acho q deve ser algo de comer, mas tem também aquela lagarta gorda do filme “Vida de insetos”.

– Eu lembro, mas eu acho que me mataria se fosse tão linda e me apelidassem de Chucrute. Mas esse é menor dos problemas dela, agora ela é uma prisioneira. 

– Prisioneira não, digamos que exilada. Eu a salvei e dou casa, comida e roupa lavada, no sentido figurado óbvio, mas quero cuidar da Chucrute. 

– Já perguntou-lhe se ela prefere está com você? Pelo que me consta, ela não entrou  por livre e espontânea vontade. 

– É, mas tenho certeza que está mais protegida comigo. Minha experiência e intuição diz que ela se perdeu da família. Eu a encontrei na aceroleira e nunca vi um inseto deste em lugar algum principalmente juntos às acerolas. 

– E a sua experiência e intuição lhe sugeriram aprisioná-la, ops, exilá-la? 

– Exatamente. Lá fora ela corria vários perigos tanto por predadores quanto por alguma criança curiosa e endiabrada. 

– Assim como você… 

– Não sou criança! 

– Eu sei, mas é curiosa e endiabrada. Mas eu fico com dó dela. Tão linda e trancada, proibida de ver a beleza da vida só por cuidado. Ela tem tanto o que explorar nas árvores do nosso quintal e você a condena a ter a companhia de uma folha e um pouco de luz que entra por esse buraco feito por uma agulha. 

– Ah! Você fala assim como se ela fosse a madre Tereza de Calcutá ou uma santa. Fala como se ela fosse uma pobre vítima trancafiada em uma torre por uma terrível bruxa. Olha… essa coisa aí é muito má. 

– Essa coisa aí que você se refere por acaso não é a mesma lagarta que há segundos você carinhosamente chamava de Chucrute?

– É sim, mas lembrei que ela é muito perigosa. 

– Há pouco tempo ela era indefesa… 

– Cala aí e me escuta. Sabe… Quando a vi na aceroleira e me aproximei para pegá-la e ver mais de perto, ela me queimou. Veja como minha mão  está. Doeu muito. 

– Você não parou para pensar que ela fez isso para se defender? Bem, você iniciou dizendo que a pegou porque ela é bela e quer guardá-la, agora me diz que a está castigando? 

– Ah! Quero saber não… quero saber não…  

– Estava gostando mais das suas primeiras tentativas de argumentar porque está com ela. 

– Mas não adiantou né? Eu quero ficar com ela e pronto. A decisão que eu tomei independe das palavras que utilizo para convencer quem me apóia ou não. Por isso digo que vou ficar com ela porque sim. 

Porque sim? Ai que pobreza essa sua fra… 

– Cala a boca! 

– Não posso calar outra coisa. 

– Já vai iniciar outra discussão besta né? Agora não tem nem a ver com Chucrute. 

– Ah! Você que é insensível e grossa… 

– Você que provoca. 

– Eu só gosto de entender a justificativa das pessoas. 

– Ah, não enche! 

– Que é isso? 

A lagarta continuou no copo até o fim dos seus dias.

Inspiração: Uma pessoa muito engraçada que inventou essa história de criar uma lagarta.

Imagem: Lagarta peluda. Está bem bem próxima da descrição. http://www.flickr.com/photos/vidas_de_nossas_vidas/477377490/

Comentários: https://gerlandy.wordpress.com/2007/07/14/chucrute/

3 Respostas to “Chucrute”

  1. marco antonio de moraes Says:

    encontrei uma lagarta desta em minha chacara, sobre um limoeiro.
    gostaria de saber mais sobre esta lagarta.
    aguardo resposta.

  2. Gerlandy Leão Says:

    Oi MArco antonio obrigada pela visita.
    Infelizmente não posso te dá mais informações sobre esaa lagarta. Eu apenas brinco de vez em quando com coisas q me acontecem.
    Essa lagarta me chamou tanto atenção q escrevi outro conto sobre ela mas em primeira pessoa, por título “Por folhas apetitosas”, no mês de outubro.
    Caso vc encontgre algo a mais sobre ela eu que agradeceria muito, pois elas são muito lindas mesmo.

    obrigada

  3. maria Says:

    oi pessoal a minha professora encotrou uma lagarta peluda ai ela quis saber qual era essa lagarta.ai ela pedio pra um amigo meu pesquisa mas ele n falo qual era o nome nem se ela da choque .ai depois ela viro um casco n sei qual e o nome e um casco de boborleta.entao eu falei pra minha professoara que eu vo pesquisa ai eu entrei de ujm site e vi que o nome dela e opraga mas eu n sei disso.ai fui nesse site e incomtrei!

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